segunda-feira, 24 de março de 2025

Sem Eugênio, o jornalismo sergipano ficará menor

Artigo compartilhado do site do JORNAL DO DIA SE., de 2 de novembro de 2024

Sem Eugênio Nascimento, o jornalismo sergipano ficará menor 

Por Afonso Nascimento*

Ele fazia a mediação entre os reitores e classe política sergipana, com o que ajudou na liberação de muitas emendas parlamentares para a UFS

Eugenio (Bispo do) Nascimento nasceu em Salgado no dia 13 de novembro de 1957. É o terceiro filho de Dona Maria Elze e Seo José Nascimento. De Salgado, a sua família ferroviária se mudou para Pedrinhas, Aracaju e para Laranjeiras, onde foi alfabetizado. De lá se mudaram mais uma vez e definitivamente para a rua Espírito Santo, no bairro Siqueira Campos.

Estudou na Escola John Kennedy da Baixa Fria e em seguida, lá mesmo, foi estudar, após seleção, na Escola Técnica Federal, onde concluiu o antigo científico. Enquanto estudante secundarista, trabalhou no grupo de teatro amador de Severo D’Acelino, no Siqueira Campos e participou também do Coral da Escola Técnica, com o qual fez várias viagens pelo Brasil.

Prestou concurso vestibular com sucesso para a Universidade Federal de Sergipe no curso de Letras, logo depois abandonado. Ao mesmo tempo começou a estagiar na Gazeta de Sergipe, a sua “escola de jornalismo”, como foca e nunca mais largou o ofício de jornalista. Foi discípulo de Orlando Dantas, Nino Porto, Ivan Valença, entre outros.

Na época de estudante da UFS, teve importante militância estudantil, junto com Milson Barreto, Joel, Zé Luiz, Clímaco, Marcelo Déda, Diógenes Barreto, entre outros esquerdistas. Foi um dos fundadores do PT, o seu único partido. Juntamente com familiares e amigos, abriu uma célula do PT no bairro Siqueira Campos, da qual participaram Rivando Gois, Chico Buchinho, Enaldo Xavier, e Teresa Cristina, entre outros. Foi muito influenciado pela esquerda pernambucana, aqui representada notadamente por Vera Lúcia Gomes, militante comunista e sindical e fez muitas viagens para o Recife.

Em 1979, fez parte de movimento que buscava, de acordo com Valdice Nascimento, a “fundação da Associação de Moradores do Siqueira Campos (AMAS), liderado por Agnaldinho do Bar dos Estudantes e apoiado por Wellington Mangueira, Laurinha, Núbia Marques, Leila de Rosalvo e outros”.

O seu nome também está associado à fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), que assessorou por anos. Por causa disso, recebeu a atenção do Serviço Nacional de Informação (SNI) em dossiê dessa agência de espionagem da ditadura militar.

Como jornalista, Eugênio trabalhou na Gazeta de Sergipe, no Jornal da Cidade, na extinta TV Jornal, na TV Sergipe, e foi correspondente em Aracaju por vários anos da Folha de São Paulo. Nos últimos anos assumiu o cargo de diretor de Jornalismo do Jornal da Cidade. Escreveu artigos, editoriais, reportagens, muitas entrevistas ao longo de quatro décadas de profissionalismo.

Assumiu a assessoria de comunicação da Universidade Federal de Sergipe, nas gestões de José Alencar, José Fernandes de Lima, Luiz Hermínio de Aguiar Oliveira, Josué Modesto dos Passos Sobrinho e Ângelo Antoniolli.

Fazia a mediação entre os reitores e classe política sergipana, com o que ajudou na liberação de muitas emendas parlamentares para a UFS e, assim, ajudou na expansão dessa instituição de ensino superior na capital e no interior. Eugênio Nascimento também foi assessor de comunicação da Ordem de Advogados do Brasil (OAB), em Sergipe.

Quando Marcelo Déda foi eleito governador de Sergipe, Eugênio Nascimento recusou o posto de secretário de Estado da Comunicação, para manter a sua independência enquanto jornalista profissional. Também declinou o título de “Amigo do Exército”, oferecido por comandante do 28º BC.

Muito boêmio, abria e fechava muitos bares em Aracaju. Aos ambientes por ele frequentados, familiares ou não, levava bom papo, boas risadas, ao longo de sua vida.

Viajou pela América do Sul e pela Europa Latina (Portugal, Espanha, França) e de cada lugar ele trazia uma história boa e divertida para contar, alegrando os familiares e os amigos com seu jeito engraçado de ser.

Casou-se com Tereza Cristina Cerqueira Graça, 1979, com quem teve dois filhos, Victor Wladimir e Mayra e três netos, a saber, Lucas, Bernardo e Aurora. O seu segundo casamento foi com Ivana Guimarães, com quem viveu até os dias atuais.

A essa altura do campeonato já está desfrutando da companhia de Cleomar Brandi, Zé Fernandes e Marcelo Déda.

* Afonso Nascimento, irmão, amigo e admirador de Eugênio Nascimento.

Texto reproduzido do site: jornaldodiase com br

terça-feira, 18 de março de 2025

Banca do Careca, no Parque Theófilo Dantas, em Aracaju/SE.


 

Post reproduzido do Facebook/Carlos Max Prejuízo, de 15 de março de 2025

"A Casa Cultural Careca e Camaradas é uma homenagem ao meu avô Gervásio dos Santos, era  conhecido como Careca ,ele foi minha referência política, foi preso político , torturado e demitido dos Correios e Telégrafo, imagine vcs que para sobreviver começou a vender jornais pelas ruas de Aracaju até colocar em nossa cidade uma banca de revista que era ponto de encontro e luta em defesa da democracia, tenho muito orgulho de ser neto de Careca e a minha vocação política vem desse guerreiro que eu amo por toda a minha vida, A casa cultural fez 21 anos de inclusão social e cultural" (Carlos Max Prejuízo).

Texto e imagens reproduzidos do Facebook/Carlos Max Prejuízo

segunda-feira, 3 de março de 2025

Orlando Dantas, um usineiro socialista

Artigo compartilhado do site INFONET, de 10 de dezembro de 2018 

Orlando Dantas, um usineiro socialista
Por Marcos Cardoso (blog infonet)

Pode um homem moldado pela sociedade patriarcal representativa da cultura dos engenhos, filho e neto de usineiros, ter se tornado socialista? Mesmo que a resposta seja negativa, quem há de negar que Orlando Dantas tenha sido a personificação mais bem acabada dessa metamorfose teoricamente impossível?

Nascido e criado no cenário atrasado de um engenho nordestino, e durante toda a vida proprietário de usina de cana-de-açúcar, Orlando Vieira Dantas foi um político nacionalista e, acima de tudo, um jornalista de posições intransigentes na defesa da economia de Sergipe e quase sempre radicais contra a ditadura e a opressão.

Fez da Gazeta de Sergipe a trincheira principal para seus embates e um campo aberto para a divulgação das variadas manifestações da sociedade. Foi, sem medo de errar, o principal nome da imprensa sergipana no século XX.

“Não se contentou Orlando Dantas na atuação de empresário progressista e bem sucedido. Buscou caminhos do jornalismo e da política, agindo de forma destemida e inconformada, denunciando as arbitrariedades do poder, as injustiças sociais, na defesa de um mundo mais justo e mais humano”, assim escreveu certa vez a historiadora Maria Thetis Nunes.

Ela e a também professora da UFS Amy Adelina Coutinho de Faria Alves consideram Orlando Dantas um cientista social, autor de livros sobre a vida em engenhos de açúcar, dentre os quais destacam “A Vida Patriarcal de Sergipe”. Mas, observam, ele era um usineiro, filho de senhor de engenho, que viveu com escravos emancipados e carregava raízes profundas da sociedade patriarcal.

GAZETA SOCIALISTA

Orlando Dantas nasceu no Engenho Palmeira, em Capela, e era filho de Manoel Corrêa Dantas, que foi presidente de Sergipe (1927-30). Ainda jovem começou a dirigir a Usina Vassouras, em Divina Pastora, depois Capela. Antes, em 1927, já demonstrava seus dotes jornalísticos-literários quando tentou fundar um jornal que pretendia chamar de “Gazeta de Sergipe”, mas fracassou.

Em 1929, no governo do pai, já bem relacionado com os ferroviários, durante uma greve conseguiu evitar o confronto armado entre aqueles e a polícia. Em 1944, foi um dos fundadores do jornal “O Nordeste” e escreveu o livro “O Problema Açucareiro de Sergipe”.

Em 1945, participou da fundação da Esquerda Democrática em Sergipe, pela qual se elegeu deputado estadual constituinte em 1946. Nesse mandato, teve coragem de protestar contra o fechamento do Partido Comunista. De 1951 a 1955, foi deputado federal pelo Partido Socialista Brasileiro, quando se notabilizou pelo forte nacionalismo.

Não só foi uma das vozes mais ativas na Câmara pela criação da Petrobras, como foi um dos responsáveis pela instituição do monopólio estatal do petróleo, só revogado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Em 1956, fundou a Gazeta Socialista, jornal que enfrentou forte resistência da elite sergipana, tendo à frente o PSD e até a UDN, que ele ajudou a fundar e na qual esteve abrigada a Esquerda Democrática antes de transformar-se em PSB.

Finalmente, em 1958, surge a Gazeta de Sergipe, primeiro jornal diário de Aracaju, após desvincular a Gazeta Socialista do Partido Socialista. Em 1962, Orlando Dantas apoiou a eleição de Seixas Dória ao governo de Sergipe e tornou-se um feroz crítico do regime militar depois que o governador foi deposto. Logo após o golpe, o jornal chegou a ser empastelado.

Mas cometeu sua mais grave contradição política ao filiar-se à Arena, partido do governo militar. Ibarê Dantas (“A Tutela Militar em Sergipe”, 1997) registrou assim: “… depois de rejeitar em 1966 o convite para integrar o MDB, em 1969, no auge das repressões, o velho guerreiro da imprensa sergipana entrava no partido situacionista com a pretensão de renovar a política estadual. Em manifesto explicava ao povo sergipano: ‘Escolhi a Arena (…) por julgar o processo político democrático mais consentâneo com os divergentes grupos do PSD, UDN e PR e pelas menores resistências às reformas impostas pela Revolução. Essa reforma possibilitará mudança de mentalidade política’”.

Arrepende-se depois e nunca mais se filiou a outro partido político. Em 1974, publicou o livro “Política de Desenvolvimento de Sergipe”. Em 1980, dois anos antes de morrer, num derradeiro ato de coragem, publicou o seu mais importante livro, “A Vida Patriarcal de Sergipe”.

VIDA PATRIARCAL

O livro de Orlando Dantas — diga-se, autobiográfico — é praticamente escrito sobre exemplos da dominação masculina em Sergipe desde o período colonial. Ele reconstitui a árvore genealógica de sua família, lembrando que a tradição dos senhores de engenho tem origem na época dos primeiros portugueses que se instalaram nas terras de Sergipe para explorar a economia açucareira. Um capítulo é dedicado ao pai do autor, Manoel Correia Dantas, nascido no engenho Mouco, em Santa Rosa, distrito de Itabaiana, em 22 de dezembro de 1874, cunhado do senador José Luiz Coelho e Campos, que vinha a ser padrinho de Orlando.

Tentando se colocar no lugar do espectador, Orlando Dantas comete desvios. Ao contrário do que supunha, o patriarcalismo não é uma estrutura pretérita. O sociólogo espanhol Manuel Castells (“O Poder da Identidade”, 1999) lembra que o “patriarcalismo é uma das estruturas sobre as quais se assentam todas as sociedades contemporâneas”.

A socióloga feminista Heleieth Saffioti (“O Poder do Macho”, 1987) chega a estabelecer uma simbiose do patriarcado com o racismo e o capitalismo que garante a permanência do primeiro: “… o patriarcado é o mais antigo sistema de dominação-exploração. Posteriormente, aparece o racismo, quando certos povos se lançam na conquista de outros, menos preparados para a guerra. Em muitas dessas conquistas, o sistema de dominação-exploração do homem sobre a mulher foi estendido aos povos vencidos. Desta sorte, não foi o capitalismo, sistema de dominação-exploração muitíssimo mais jovem que os outros dois, que ‘inventou’ o patriarcado e o racismo. (…) Com a emergência do capital, houve a simbiose, a fusão, entre os três sistemas de dominação-exploração”.

Mas, a propósito, o sociólogo francês Pierre Bourdieu (“A Dominação Masculina Revisitada”, 1998) observa que qualquer um pode cometer desvios ao tentar compreender o patriarcado. “Quando tentamos pensar a dominação masculina, corremos o risco de recorrer ou nos submeter a modos de pensamento que são, eles próprios, produtos de milênios de dominação masculina. Queiramos ou não, o analista, homem ou mulher, é parte e parcela do objeto que tenta compreender. Pois ele ou ela interiorizou, na forma de esquemas inconscientes de percepção ou apreciação, as estruturas sociais históricas da lei masculina”.

O reparo vale como defesa de Orlando Dantas, alguém que como empresário, político, jornalista ou factótum de sociólogo teve coragem de remexer nas estruturas sobre as quais se criou e esteve assentado.

Contraditório, polêmico, um homem que viveu à frente do seu tempo, Orlando Vieira Dantas nasceu no dia 28 de setembro de 1900 e morreu em 9 de abril de 1982.

Texto reproduzido do site: infonet com br/blogs

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Gay Talese > Reflexões de um ícone do jornalismo

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 17 de fevereiro de 2025

Reflexões de um ícone do jornalismo

O jornalismo de qualidade exige cobrir os fatos. Não as nossas percepções subjetivas. Analisar e explicar a realidade. Não as nossas preferências. Carlos Alberto Di Franco para a Gazeta do Povo:

No finzinho de janeiro, o jornal O Estado de S.Paulo brindou seus leitores com uma saborosa entrevista com uma lenda do jornalismo norte-americano: Gay Talese. Prestes a fazer 93 anos, autor de falas polêmicas e raciocínio afiado, está mais ativo do que nunca. O jornalista e escritor planeja terminar em 2027 o livro A Non-Fiction Marriage, sobre os 60 anos de casamento com a famosa editora Nan Talese.

A repórter Luciana Dyniewicz fez uma sugestiva e competente entrevista por e-mail. Talese espraiou-se sobre muitos assuntos: suas histórias sobre Nova York, sua rotina e método de trabalho, Donald Trump e, sobretudo, sua visão a respeito da imprensa atual. Suas reflexões e conselhos são de grande atualidade.

Ao fazer a defesa da reportagem, Talese não esconde uma ponta de melancolia: “Acredito que os repórteres têm um trabalho mais difícil hoje do que quando eu trabalhava como jornalista diário. Hoje, o trabalho é muito técnico, movido por computadores, remoto. Eu costumava insistir em estar fisicamente presente com o meu entrevistado. O que eu fazia tomava tempo, exigia mais confiança entre mim e meus entrevistados – o que diferenciava o meu trabalho. Até hoje você sabe como era o meu contato com as pessoas sobre as quais escrevia. É por isso que histórias que escrevi há 40 ou 50 anos ‘resistem’ até hoje e sempre parecem frescas e novas”.

O jornalismo tinha cheiro de asfalto. Era olho no olho. O repórter rompia o ar rarefeito da redação e ia ver a vida real, com suas grandezas e suas misérias. O conteúdo transpirava vida. E isso atraía o leitor com uma força insuperável.

“A imprensa hoje tem mais viés do que quando eu era repórter de rua em meados do século 20. Na minha época, nós, repórteres, tentávamos ser ‘objetivos’, tentávamos manter nossas preferências e aversões fora das matérias que estávamos escrevendo”, comenta Talese.

O enviesamento das coberturas e a substituição do factual por narrativas representam, a meu ver, uma das principais causas da crise do jornalismo atual. O leitor não quer contrabando opinativo na informação. Quer o fato apurado com competência e isenção.

A sociedade está cansada do clima de radicalização que tomou conta da agenda pública. Sobra opinião e falta informação. Os leitores estão perdidos num cipoal de afirmações categóricas e pouco fundamentadas, declarações de “especialistas” e uma overdose de colunismo militante. Um denominador comum marca a superficialidade que invadiu o espaço outrora destinado à informação qualificada: a politização.

Em tempos de ansiedade digital, a reinvenção do jornalismo reclama revisitar alguns valores essenciais: amor pela verdade, paixão pela liberdade e uma imensa capacidade de sonhar e de inovar. Eles resumem boa parte da nossa missão e do fascínio do nosso ofício. Hoje, mais que nunca, numa sociedade polarizada e intolerante, precisam ser resgatados e promovidos.

O jornalismo transformador é substantivo. Insisto. Sua força não está na militância, mas no vigor persuasivo da verdade factual e no equilíbrio de uma opinião fundamentada.

A democracia reclama um jornalismo vigoroso e independente. Comprometido com a verdade possível. O jornalismo de qualidade exige cobrir os fatos. Não as nossas percepções subjetivas. Analisar e explicar a realidade. Não as nossas preferências, as simpatias que absolvem ou as antipatias que condenam. Isso faz toda a diferença e é serviço à sociedade.

O grande equívoco da imprensa é deixar de lado a informação e assumir, mesmo com a melhor das intenções, certa politização das coberturas. Cair na síndrome das narrativas. Os desvios não se combatem com o enviesamento informativo, mas com a força objetiva dos fatos e de uma apuração bem conduzida.

As redes sociais e o jornalismo cidadão têm contribuído de forma singular para o processo comunicativo e propiciado novas formas de participação, de construção da esfera pública, de mobilização da sociedade. Suscitam debates, geram polêmicas (algumas com forte radicalização) e exercem pressão. Mas as notícias que realmente importam, isto é, as que são capazes de alterar os rumos de um país, são fruto não de boatos ou meias-verdades disseminadas de forma irresponsável ou ingênua, mas resultam de um trabalho investigativo feito dentro de padrões de qualidade, algo que deve estar na essência dos bons jornais.

Como os jornais tradicionais podem competir com as redes sociais pela atenção do leitor? Talese não duvida: “Acredito que ‘qualidade’ vende. Os jovens repórteres precisam se tornar bons escritores, assim como são os escritores e poetas. Se conseguirem isso, encontrarão um público. O público está lá, esperando pelo surgimento de algo digno de ser apreciado, algo extraordinário, algo envolvente e cativante. Boa escrita – se for realmente boa – encontrará leitores”. Num mundo horizontalizado, muitas vezes banal, Talese aposta na qualidade.

É fácil? Não. Mas a pressão das audiências, compreensível e inescapável, não pode silenciar reflexões profundas e verdadeiras.

Precisamos fazer a autocrítica sobre o nosso modo de operar. A crise é grave. Mas a oportunidade pode ser imensa.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Memória "Jornal da Cidade", Natal de 2005


Post compartilhado do Facebook/Acacia Trindade, de 31 de janeiro de 2025

Os que já não estão entre nós e os que ainda estão na labuta, unidos, fizeram o melhor jornal do Estado.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Acacia Trindade

sábado, 4 de janeiro de 2025

O ‘Estadão’ e o jornalismo como causa

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 4 de janeiro de 2025

O ‘Estadão’ e o jornalismo como causa

Este jornal chega aos 150 anos fiel a seu propósito inaugural: a defesa irrenunciável da liberdade, adaptando-se aos desafios de seu tempo sem jamais abandonar seus princípios editoriais. 

Editorial do vetusto, que cochilou muitas vezes, mas esteve desperto e atento nos momentos mais delicados do país:

A publicação de um jornal manifestamente republicano em 4 de janeiro de 1875 foi, antes de qualquer coisa, um ato de extrema coragem de seus fundadores, em particular de Américo de Campos, Francisco Rangel Pestana e, pouco depois, Júlio Mesquita. Escrutinar o poder da Coroa foi apenas o primeiro dos inúmeros desafios que o futuro reservava para aquele então modesto periódico.

Recorde-se que, quando este jornal circulou pela primeira vez, há exatamente 150 anos, o Brasil vivia sob o regime monárquico. Aqui não havia cidadãos, mas súditos. Logo, não havia igualdade de todos perante a lei, muito ao contrário: havia escravidão. São Paulo era uma província com cerca de 837 mil habitantes, de acordo com o Censo de 1872. Daí o seu primeiro nome, A Província de São Paulo.

A Província de São Paulo também ganhou as ruas naquela segunda-feira como uma profissão de fé, uma afirmação de valores que, quando materializados em ações – seja pelo poder público, seja pela iniciativa privada –, têm o condão de fazer do Brasil um país mais livre, justo e próspero para todos. Um século e meio depois, o distinto leitor encontra em cada um dos editoriais publicados por este jornal a defesa aguerrida dos mesmíssimos compromissos assumidos em sua edição inaugural. Não por recalcitrância, mas por firmeza na crença de que a defesa da liberdade, em suas múltiplas dimensões, é irrenunciável e imune ao transcurso do tempo.

A rigor, a fundação deste jornal foi o desdobramento natural de um movimento cívico que culminaria, 13 anos depois, na abolição da escravidão no País e, logo em seguida, na Proclamação da República. Foi a partir desse evento que São Paulo deixou de ser uma província e o jornal adotou o nome pelo qual é conhecido até hoje: O Estado de S. Paulo.

Além da coragem, a marca deste jornal hoje sesquicentenário é a independência. Para servir à causa da liberdade e do respeito às leis, o Estadão se estabeleceu como uma empresa jornalística financiada por seus próprios meios. Só assim estaria livre para exercer um jornalismo profissional e independente, de modo a estar “em posição de escapar às interposições do governo, às paixões partidárias e às seduções inerentes aos que aspiram ao poder”, como enunciado já no primeiro editorial.

Desde então, o Estadão tem se adaptado a cada um dos desafios de seu tempo ao longo desses 150 anos, mantendo-se na vanguarda do jornalismo, mas sem jamais abandonar seus princípios fundadores e compromissos editoriais. Aquele jornal logo passaria para as rotativas elétricas para se firmar como um jornal moderno e dinâmico não apenas para São Paulo, mas para o Brasil.

Do papel às plataformas digitais, do linotipo aos algoritmos, este jornal registrou e absorveu todas as transformações dos meios de comunicação para continuar a cumprir o seu dever de informar a sociedade com rigor técnico, ética e respeito à verdade factual. Assim era no início, assim é hoje e assim sempre será.

A chamada revolução tecnológica trouxe inúmeros desafios. O Estadão, ao invés de receá-los, abraçou as novas possibilidades e adaptou-se a cada uma das demandas da sociedade do século 21, criando versões digitais de suas publicações, aumentando os investimentos em jornalismo de dados e, não menos importante, incorporando a excelência de sua produção editorial às novas plataformas audiovisuais a fim de diversificar os meios pelos quais chega até os seus leitores.

Quando pisou na redação de A Província de São Paulo pela primeira vez, ainda como redator, em 1888, Júlio Mesquita encontrou um jornal que tinha exatos 904 assinantes. Em 1927, ano de sua morte, 48.638 pessoas pagavam para receber O Estado de S. Paulo todos os dias em casa, como registra Jorge Caldeira, escritor e imortal da Academia Brasileira de Letras, em sua portentosa obra Júlio Mesquita e Seu Tempo (2015).

Essa extraordinária transformação de um periódico provinciano no jornal que o Estadão é hoje é a prova maior de que firmeza de propósito, respeito aos fatos e compromisso com a democracia e com o desenvolvimento do Brasil não saem de moda e ainda compensam.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Funcaju lança revista cultural Pipiri

Capa da primeira edição da Revista PIPIRI | Foto:ASCOM/Funcaju
 

Legenda da foto: Presidente da Funcaju, Irineu Fontes, durante cerimônia de lançamento - (Crédito da foto: Ascom/Funcaju)

Publicaçãocompartilhada do site da PMA, de 23 de dezembro de 2024 

Funcaju lança revista cultural Pipiri em formato impresso e digital

A Fundação Cultural Cidade de Aracaju, órgão vinculado à Prefeitura de Aracaju, realizou nesta segunda-feira, 23, a cerimônia de lançamento da revista Pipiri. O novo produto jornalístico editado pela Funcaju - lançado em versões impressa e digital -, é uma homenagem ao Jornal Pipiri, produzido pela então Secretaria de Cultura de Aracaju entre 1986 e 2003. Em sua edição número zero, a Pipiri versa sobre “Memória e Identidade” e aborda diversas temáticas que marcam a história da cultura aracajuana.

O conteúdo da revista trata desde a importância do antigo Jornal Pipiri para a circulação de informações, reivindicações e demais assuntos caros à classe artística, até temas do cenário cultural contemporâneo, a exemplo da execução da Lei Paulo Gustavo em Aracaju. Em suas reportagens são abordadas as políticas públicas culturais que promovem acesso à literatura, às artes visuais e diversas linguagens artísticas. A história de personalidades do cenário cultural de Sergipe também são retratadas ao longo da edição.

A edição “Memória e Identidade” tem como colaboradores Antônio da Cruz, Tanit Bezerra, Jorge Lins, Antônio Passos, Nadja Piauitinga, Luciano Correia, Anderson Hot Black, Cecilia Cavalcante e Jade Moraes, além do presidente da Funcaju, Irineu Fontes.

Segundo Irineu, “o objetivo da Pipiri é retratar e informar sobre a cultura e as artes em todas as suas manifestações, com responsabilidade e ética. Através da Pipiri convidamos os aracajuanos a se conectarem com suas raízes, celebrarem suas expressões culturais e se inspirarem na vitalidade criativa que pulsa em nossa cidade”.

A editoração do produto ficou a cargo da coordenadora de comunicação da Funcaju, Ellen Moreira. A redação da revista contou com a participação de Ellen Moreira e Cáritas Damasceno. Já o projeto gráfico da Pipiri é assinado pelo designer Marcius Henrique Rocha.  

A versão impressa da Revista PIPIRI pode ser adquirida de forma gratuita na sede da Funcaju, localizada na avenida Prof. José Freitas de Andrade, 3455, bairro Coroa do Meio, de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h. A versão digital está disponível neste link.

Homenagem ao Jornal Pipiri

O Jornal Pipiri foi uma publicação pioneira lançada em 1986, durante a gestão do prefeito Jackson Barreto. Sob a liderança da então secretária municipal da Cultura, Tânia Duarte, e a da jornalista e cineasta Ilma Fontes, editora da publicação, o jornal contou com a colaboração de nomes como Walfran de Brito, Fernando Sávio, Marcel Nauer, César Oliveira, entre outros. O Jornal Pipiri marcou época ao resistir e informar sobre a efervescência cultural de Aracaju, deixando um legado que agora é reavivado na Pipiri.

Texto e imagens reproduzidos do site: www aracaju se gov br

domingo, 17 de novembro de 2024

Neu Fontes... resgate do Pipiri - O Jornal da Cultura

Legenda da foto: Eu e Neu Fontes, com o livro dele em mãos: uma ideia de resgate

Publicação compartilhada do site JLPOLÍTICA, de 11 de novembro de 2024

Neu Fontes está de mangas arregaçadas, trabalhando pelo resgate do Pipiri - O Jornal da Cultura

Por Antônio Passos*

Nesta segunda-feira, 11, pela manhã, antes de sentar para escrever esta coluna, fiz uma visita ao recém-empossado presidente da Fundação Cultural Cidade de Aracaju – Funcaju -, o artista, gestor cultural e amigo Neu Fontes.

A visita começou a ser esboçada poucos dias antes. Em um encontro casual, parabenizei o amigo por ter assumido a Presidência da Funcaju e ele me adiantou que pensava em promover um resgate do Pipiri – O Jornal da Cultura.

Para quem não tem idade de ter visto e ainda não teve a oportunidade de conhecer a história, o Pipiri foi um jornal impresso, inicialmente produzido pela então Secretaria Municipal Cultura, que circulou durante alguns anos.

Estamos falando da década de 1980, um tempo no qual o jornalismo impresso tinha um papel central na vida da cidade e na formação da opinião pública. Não havia internet e nem as agitadas redes sociais de agora.

Os jornais impressos eram indispensáveis para quem quer que quisesse andar bem informado. Eram peça farta entre livros carregados por universitários embaixo de braços vestidos por paletó e dentro de bolsas.

Em Aracaju haviam quatro ou cinco jornais diários, uns dois semanais e mais alguns de periodicidade duvidosa. Entretanto, em toda essa folhagem impressa quase sempre os temas arte e cultura viviam espremidos.

Foi aí então que surgiu o Pipiri – O Jornal da Cultura. Isso mesmo, uma publicação inteiramente dedicada a arte e a cultura produzidas em Aracaju e seus intercâmbios com expressões vindas de outros cantos do mundo.

A estrutura que deu suporte ao projeto foi a Secretaria Municipal de Cultura. A secretária era Lânia Duarte e a produção e editoria foi entregue ao comando da jornalista Ilma Fontes. A ideia foi tão bem aceita que perdurou por diferentes gestões.

E assim circulou o Pipiri por um bom tempo, feito com muito carinho e empenho por quem passou por lá. De um modo quase artesanal, o jornal contou em sua concepção visual com o indelével traço do artista plástico Jorge Luiz e de outros.

O tempo e os gestores, entretanto, que tanto promovem quanto sufocam momentos luminosos, acabaram por encarcerar o Pipiri – O Jornal da Cultura, em salas escuras de arquivos mortos.

Agora, mostrando compromisso com a sua história de mais de 40 anos envolvidos com a arte sergipana, bem como com a gestão cultural, Neu Fontes arregaçou as mangas em favor de um resgate do Pipiri.

A ideia é produzir ainda este ano uma edição especial que apresente às novas gerações de artistas e produtores culturais essa página tão reluzente e vibrante de divulgação de nossa cultura artística: o Pipiri.

Que a memorável ideia seja semente e volte a dar bons frutos. Que sirva de farol para iluminar o caminho de início da nova gestão municipal que se aproxima. Aracaju e Sergipe andam carentes de publicações dedicadas aos temas arte e cultura.

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* Articulista Antonio Passos, é jornalista e professor

Texto e imagem reproduzidos do site: www jlpolitica com br

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Coleção completa da 'Playboy' é anunciada por R$ 73 mil

Legenda da imagem: Coleção completa da 'Playboy' é anunciada; edição com Xuxa está entre as raridades — Crédito da foto: divulgação e reprodução

Publicação compartilhada do site do jornal EXTRA GLOBO, de 11 de novembro de 2024 

Coleção completa da 'Playboy' é anunciada por R$ 73 mil na web; saiba quais são as mais raras e desejadas

Revista completaria 50 anos no Brasil em agosto de 2025

Se ainda fosse publicada, a "Playboy" completaria 50 anos de existência no Brasil em 2025. Mesmo extinta por aqui desde 2017, a revista que tirou a roupa de várias estrelas se mantém viva na memória de colecionadores, fazendo com que sebos físicos e virtuais sigam vendendo exemplares. Agora, uma coleção completa da "Playboy" brasileira, do primeiro ao último número, está sendo anunciada na web por um valor astronômico: R$ 73 mil.

O dono do sebo, Lucas Hit, que também é colecionador, justifica o preço cobrado: "Esse lote tem 551 'Playboys' regulares, 264 revistas de edições especiais e outros itens como suplementos, livros e raridades. São no total 915 itens".

Revista fez sucesso durante 40 anos no Brasil

Xuxa, Sonia Braga, Claudia Ohana, Luciana Vendramini, Mara Maravilha e Tiazinha são algumas das musas mais procuradas da revista, que chegou a se chamar "Homem" nas primeiras edições. A "Playboy" que traz a Rainha dos Baixinhos na capa, publicada em dezembro de 1982, é a mais valiosa. Seu preço varia de R$900 a R$2 mil, dependendo do estado de conservação.

“A Sonia Braga, em setembro de 1984, teve uma capa alternativa da sua 'Playboy' que foi publicada apenas no estado do Rio de Janeiro. Em boas condições, vale R$ 350. A primeira edição da revista, de agosto de 1975, também é muito rara de se encontrar, pelo tempo e pela tiragem na época que foi bem pequena. Vale em média R$500", afirma Lucas.

Outro fetiche dos colecionadores é a edição com a "xuxete" Luciana Vendramini na capa. Uma revista em bom estado de conservação é uma raridade.

"No final de 1987, quando essa revista foi publicada, a impressão não era das melhores. Muitos colecionadores contam que a cola da revista (e algumas outras edições desse período), que segura a lombada, fica seca com o tempo e a revista quebra no meio. Um drama para os colecionadores mais 'chatos'", conta Lucas.




Texto e imagens reproduzidos do site: extra globo com

terça-feira, 5 de novembro de 2024

Evandro Teixeira...um dos gigantes fotojornalistas brasileiros

Legenda da foto: Evandro e Fernanda Montenegro na Casa Roberto Marinho. 'É sempre um prazer estar com ela', escreveu ele em seu perfil no Facebook (12/5/2024). No fundo da imagem, foto feita por ele na Passeata dos 100 Mil (Foto: reprodução).

Texto publicado originalmente no site do JORNAL DO BRASIL, de 4 de novembro de 2024 

Morre Evandro Teixeira, o maior do Jornal do Brasil, um dos gigantes fotojornalistas brasileiros

Por Gilberto Menezes Côrtes 

O lendário fotojornalista Evandro Teixeira, de 88 anos, faleceu nesta segunda (4), na Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul do Rio, onde estava internado desde o dia 8 de outubro, lutando contra complicações decorrentes de uma pneumonia. A informação foi confirmada pelo hospital.

Evandro Teixeira é considerado um dos maiores fotojornalistas de todos os tempos. Nascido em 25 de dezembro de 1935, em Irajuba, na Bahia, depois de uma passagem no Jornal de Jequié, cidade vizinha, começou sua carreira em 1958, no Rio de Janeiro, aos 23 anos, como estagiário do “Diário da Noite”. Em 1963, entrou no JORNAL DO BRASIL, onde trabalhou por 47 anos. Foi no JB que ele capturou registros que se tornariam imortais na história da comunicação brasileira.

Durante a ditadura militar, entre 1964 e 1985, tirou fotos como a "Caça ao Estudante na 'Sexta-Feira Sangrenta'", de um homem barbudo caindo ao ser perseguido por dois policiais durante um movimento marcado pela repressão das autoridades, em junho de 1968, depois de uma missa na igreja da Candelária (sites maliciosos já usaram a foto como se fosse Lula perseguido pela PM). Dias depois, fotografou a famosa "Passeata dos Cem Mil".

Um dos seus segredos para capturar os rostos dos participantes era repetir a estratégia de Vladimir Palmeira, o líder estudantil da “Passeata dos Cem Mil”, que subia em um caixote para se sobressair na multidão. Evandro usava uma escada na qual subia e, assim, as fotos das movimentações tanto identificavam as pessoas quanto o teor das faixas e cartazes. Outra estratégia foi subir em marquises ou janelas dos prédios da Avenida Rio Branco, onde ficava o JB.

Um grande furo no Chile

Um de seus grandes furos jornalísticos aconteceu no Chile, para onde viajou, em agosto de 1973, pelo JORNAL DO BRASIL, na companhia do saudoso repórter Humberto Vasconcelos, a fim de cobrir a agitação política que levou ao fim do governo do presidente Salvador Allende e ao golpe militar liderado pelo general Augusto Pinochet, em 11 de setembro de 1973. A primeira página do JB, de 12 de setembro, com o relato da morte de Allende e a tomada do poder pelo general Pinochet, foi antológica, mas não teve nenhuma foto de Evandro. Para driblar a ordem da censura que não queria manchete nem imagens do golpe militar, o JB publicou um texto integral em corpo 24, sem títulos e entretítulos.

Depois do golpe, um dos grandes apoiadores de Allende, o poeta Pablo Neruda, Prêmio Nobel de Literatura de 1971, morreu em hospital. Evandro conseguiu se infiltrar no quarto do escritor e fotografou seu corpo rodeado por familiares. Furo mundial. Investigações posteriores indicaram que Neruda morreu envenenado.

Legenda da imagem: A antológica primeira página do JB, de 12 de setembro de 1973, com o relato da morte de Allende e a tomada do poder pelo general Pinochet. Fotos proibidas pela ditadura Foto: CPDOC Jornal do Brasil

No ano passado, Evandro foi a Santiago para a inauguração de sua exposição com fotografias sobre o golpe de 1973 contra Allende, na descomemoração dos 50 anos... O Coletivo Viva Chile relata “o enorme privilégio de estar com ele" na ocasião e destaca que “todas as honras lhe foram prestadas no Museu da Memória e dos Direitos Humanos, onde a exposição foi instalada, e no Palácio da Moneda, onde ele foi pessoalmente recebido pelo presidente Gabriel Boric”.

Ainda segundo o Coletivo Viva Chile, “o Chile reconheceu a importância das fotos de Evandro Teixeira, que registrou para a história, entre outras coisas, a morte de Pablo Neruda e os presos enjaulados no Estádio Nacional de Santiago. Um desses presos, cuja imagem havia sido capturada por ele, estava presente na inauguração da exposição”, assinala a mensagem.

Como fotógrafo do JB credenciado para cobrir a Presidência da República, além de acompanhar e registrar viagens dos generais da ditadura pelo mundo, Evandro registrou visitas importantes, como a da Rainha Elizabeth II, em 1968, com uma foto icônica da Rainha do Reino Unido recebendo cumprimentos do Rei Pelé, após um amistoso entre a seleção carioca e a paulista, no Maracanã. Em 1980, foi a vez de Evandro registrar a visita do Papa João Paulo II. Artistas e ídolos do esporte brasileiro, como Pelé e Ayrton Senna, eram constantes em seu “álbum de figurinhas”.

Ao longo de seus quase 70 anos de carreira, documentou, através de suas lentes, imagens sobre música, moda e comportamento, além do Carnaval e outras festas populares.

Canudos, uma obsessão

O baiano de Irajuba, um pequeno município de pouco mais de seis mil habitantes no Leste da Bahia, cortado pela BR-116, tinha obsessão por Canudos, por ter reunido, há um século, o dobro da população da sua Irajuba. Como parte do projeto para marcar os 100 anos da aniquilação do arraial de Canudos, em 1897, em livro com fotos suas e apresentação da jornalista Ivana Bentes, Evandro para lá viajou, em 1996, a fim de fazer registros fotográficos da Vila de Canudos, fundada em 1893 por Antônio Conselheiro junto com seus seguidores. O local era uma fazenda abandonada que pertencia a um homem chamado Barão de Canabrava. Em meados de 1893, Conselheiro já tinha mais de 10 mil seguidores que se instalaram de vez em Canudos.

O livro “Canudos: 100 Anos, Fotografias de Evandro Teixeira” foi editado em 1997. O primeiro registro em livro das obras de mestre Evandro Teixeira é uma coletânea, de 1982, da Editora JB, com algumas de suas obras mais icônicas nos tempos da ditadura militar. O segundo livro, “Evandro Teixeira: Fotojornalismo”, é uma edição de 1988.

O terceiro livro, de 1990, é “Evandro Teixeira Chile 1973”, com os registros da repressão sangrenta no começo da ditadura de Augusto Pinochet e os detalhes do velório e sepultamento do corpo do poeta Pablo Neruda.

Em 2005, a Textual Comunicação, empresa da filha Carina, editou “Vou viver: tributo ao poeta Pablo Neruda”, com as fotos icônicas do poeta vivo e a sua última imagem.

Para comemorar os 40 anos da “Passeata dos Cem Mil”, a Textual lançou, em 2008, “Destinos, 1968-2008: passeata dos 100 mil”, com relatos de 100 pessoas escolhidas, identificadas na multidão clicada por Evandro Teixeira, um trabalho de fôlego para revisitar a vida de uma fração dos manifestantes. Em 2015, foi lançado “Evandro Teixeira. Retratos do tempo – 50 anos de fotojornalismo”.

Mas assim como cansei de encontrar Evandro na beira da praia de Ipanema num domingo, procurando fotos para a primeira página do JB, ele viajou pelos quatro cantos do Brasil e do mundo atrás de um bom registro de manifestações populares. Ele tinha um jeito todo especial para tirar os melhores ângulos de um evento, como o Quarup, na aldeia do Parque Nacional do Xingu, em 2012, em homenagem ao antropólogo Darcy Ribeiro, devidamente clicado pelas lentes de Milton Guran.

Homenagem em Paraty

Sempre celebrado em exposições pelo mundo afora, uma das últimas aparições de Evandro Teixeira foi, em setembro, no 20º Festival Internacional de Fotografia de Paraty, do qual o convidado de honra era Sebastião Salgado. No primeiro dia do Festival, Evandro foi surpreendido com uma exposição de suas fotografias, na Galeria das Marés, presente dos amigos Sérgio Burgui e Giuseppe Mecarelli. Na abertura da mostra, um encontro de mestres: o amigo Tião Salgado veio acompanhado da esposa, Lélia. Além de posar com o casal, Evandro não se cansou de fotografar Sebastião Salgado e narrou, em postagem no Facebook, de 18 de setembro, a emoção e a alegria que sentiu com a palestra de Salgado.

Evandro era casado com Marly Teixeira, e deixa as filhas Carina e Adryana, e as netas Carina, Manoela e Nina.

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Nota da Presidência da República:

"O Brasil perde hoje Evandro Teixeira, referência no fotojornalismo do nosso país e do mundo.

Com mais de 70 anos de carreira, Evandro registrou momentos históricos como o período da ditadura militar no Brasil. É de sua autoria uma das fotos mais emblemáticas desse período: a Tomada do Forte de Copacabana, de 1964.

Evandro deixa um acervo de mais de 150 mil fotos, com imagens que fazem parte da história do Brasil. Cobriu posses presidenciais, registrou a fome, a pobreza, esportes, personalidades e a cultura do nosso país.

Meus sentimentos aos familiares, amigos, colegas e admiradores de Evandro Teixeira.

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República."

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As filhas do Evandro, Adryana e Carina, enviaram a seguinte nota aos amigos na tarde desta segunda-feira (4)"Aqui escrevem Adryana e Carina.

Melhor do que as fotos do Evandro Teixeira, só ELE.

É ele quem coleciona afetos, histórias, amigos e fãs.

É ele quem esbanja generosidade, alegria e uma imensa curiosidade pela vida!

O dono do sorriso largo agradece, junto conosco, as orações, vibrações, mensagens e fotos tão bacanas feitas recentemente.

Este cara fora de série, único, seguiu seu caminho de luz.

Amanhã, terça-feira, dia 5 de novembro, na Câmara dos Vereadores, no Centro do Rio, das 9h às 12h, haverá a cerimônia para os amigos darem um até logo pro baiano mais porreta das nossas vidas!"

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A passeata dos 100 mil. 1968 Foto: Evandro Teixeira/CPDOC Jornal do Brasil

Gal Costa em 2002 Foto: Evandro Teixeira/CPDOC Jornal do Brasil

Texto e imagens reproduzidos do site: www jb com br/obituario/2024

Evandro Teixeira, um dos maiores nomes do fotojornalismo


Fotos de Evandro Teixeira

Texto publicado originalmente no site G1 RJ, de 4 de novembro de 2024 

Evandro Teixeira, um dos maiores nomes do fotojornalismo do Brasil morre no Rio, aos 88 anos

Fotógrafo registrou por 70 anos eventos marcantes da história brasileira e mundial. Velório será aberto ao público, na Câmara Municipal do Rio, na terça-feira.

Por g1 Rio, GloboNews e TV Globo

Morre o fotógrafo Evandro Teixeira, aos 88 anos

Evandro Teixeira, um dos maiores nomes do fotojornalismo brasileiro, morreu nesta segunda-feira (4), aos 88 anos, no Rio de Janeiro.

O fotógrafo inúmeras vezes premiado e autor de imagens marcantes da história do Brasil – e até de outros países – estava internado na Clínica São Vicente, na Gávea, na Zona Sul. A causa da morte foi falência múltipla de órgãos em decorrência de complicações de uma pneumonia.

Evandro deixa a esposa, Marli, com quem esteve casado por 60 anos, duas filhas e três netas.

O corpo do fotógrafo será velado em cerimônia aberta na Câmara dos Vereadores, no Centro do Rio, na terça-feira (5), das 9h às 12h.

Passeata dos 100 mil, Tomada do Forte, enterro de Neruda: fotógrafo Evandro Teixeira contou ao g1 as histórias por trás da cobertura de ditaduras

Fotógrafo histórico

Evandro registrou, quase sempre em preto e branco, boa parte do que de mais importante aconteceu na segunda metade do século 20.

Nascido na Bahia, em 1935, Evandro Teixeira deixou Irajuba, um povoado a 307 quilômetros de Salvador, para fotografar o Brasil.

Ainda jovem, fez um curso de fotografia à distância e, em 1957, chegou ao Rio de Janeiro com uma carta de recomendação para trabalhar no Diário da Noite.

Logo depois, foi convidado a integrar a equipe do Jornal do Brasil, onde trabalhou por 47 anos, tornando-se uma referência no fotojornalismo.

Em quase 70 anos de carreira, registrou eventos marcantes como o golpe militar de 1964 e a ocupação do Forte de Copacabana em 1º de abril de 1964.

Com a câmera escondida, ele se disfarçou de oficial sem farda, acompanhado por um amigo militar.
"Aí ele bateu continência, eu bati também e falei que era o capitão tal – já não me lembro mais o nome (risos)", lembrou ao g1, em entrevista feita em setembro de 2023.

Em seguida, bateu a poética foto que estampou a primeira página do Jornal do Brasil no dia seguinte, com militares em contraluz debaixo de chuva...

"Tirei o filme da câmera, botei na meia. Na saída, tive que mostrar a câmera, mas já estava com o filme escondido", lembra, revelando um hábito que tinha para evitar ter o rolo apreendido e perder as fotos.

As lentes de Evandro Teixeira foram fundamentais para imortalizar a luta contra os horrores da ditadura no Brasil.

Suas fotos, como a da multidão de cariocas na Passeata dos 100 Mil em 1968, na Cinelândia, no Centro do Rio, são exemplos marcantes de seu trabalho.

“Estava lotado e eu nunca vi tanta gente. Aquela faixa de ‘Abaixo a ditadura, o povo no poder’ me chamou a atenção.”

Em um dia de confusão e corre-corre no Centro do Rio, Evandro capturou uma de suas fotos mais icônicas: a de um estudante caindo enquanto era perseguido por dois policiais...

Recentemente, a imagem circulou com uma mensagem falsa alegando que o estudante seria o atual presidente Lula.

“Ele soltou um gemido alto e ficou estirado no chão. Os policiais tentaram levantá-lo, eu tirei mais uma foto e saí correndo porque eles começaram a me perseguir”, disse ao g1, no ano passado.

Em outra ocasião, na Candelária, Evandro registrou a repressão policial com agentes montados a cavalo.

Em setembro de 1973, Evandro Teixeira voltou sua câmera para o golpe militar no Chile, que resultou na morte do presidente Salvador Allende.

Durante sua estadia, ele capturou fotografias que se tornaram documentos históricos. Algumas dessas imagens foram feitas no Estádio Nacional, onde Evandro conseguiu documentar a violação dos direitos humanos.

Também são dele as fotos do adeus a um dos ícones da esquerda no Chile, o poeta Pablo Neruda...

Também eternizou em imagens Pelé e Ayrton Senna, acompanhou a visita da Rainha Elizabeth e do papa João Paulo II, documentou fome e pobreza e as festas populares, como o carnaval.

O fotógrafo reuniu em livros tudo que lhe dava orgulho. Além da mulher Marli, duas filhas e netos, Evandro deixa um tesouro captado por um olhar incomparável.

Não foi à toa que ganhou, em vida, uma honraria: uma poesia escrita só para ele por Carlos Drummond de Andrade, um admirador do seu trabalho.

Texto reproduzido do site: g1 globo com/rj

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sábado, 2 de novembro de 2024

'Eugênio Nascimento... nos deixou e fará falta!' (C.S.)

Imagem reproduzida do Google

Artigo compartilhado do site JLPOLÍTICA, de 01 de novembro de 2024

Opinião - Eugênio Nascimento foi um grande companheiro, nos deixou e fará falta!

Por Célia Silva* (Coluna Aparte)

Hoje o dia amanheceu triste para tantos e muito mais para mim. O jornalista Eugênio Nascimento, que faleceu ontem à noite, foi, além de um colega de Redação, um grande amigo que, assim como os jornalistas Marcos Cardoso e Cleomar Brandi e José Araújo, estes dois também já falecidos, enxergaram naquela "foca" do ano de 1994 que eu era um potencial para estrear no maior e melhor jornal de Sergipe. 

Eugênio Nascimento chegou mais tarde, mas também me abriu portas. Me fez editora e chefe da Redação do jornal onde me formei jornalista para trabalhar naquele que, àquela época, era o grande jornal do Estado de Sergipe. 

Eu e Eugênio brigávamos muito a boa briga no dia-a-dia da Redação. Era cada um, à sua maneira, querendo o melhor para o nosso JC. 

Mas também brincávamos, conversávamos e nos respeitávamos muito, baseados numa profunda admiração mútua e recíproca. 

Agora Eugênio Nascimento se vai, deixando saudades e boas lembranças de um bom camarada, um bom papo, um super alto astral, com aquele vozeirão tão trovejante e enorme como o seu coração.  

Morreu fazendo o que tanto amava e o que tão bem sabia fazer. Sim, morreu jornalista. Um excelente jornalista, com um faro para a notícia como o de poucos que conheci.

Morreu diretor de Redação do JC. Agora vá em paz, meu grande amigo Eugênio Nascimento, cujo sepultamento se dará às 14h no Cemitério Colina da Saudade! 

Embora você respeitosamente não acreditasse, kkk, mas os seus amigos espirituais, o Mestre Jesus e o Grande Pai, estão de braços e de sorrisos abertos pra você. Gratidão eterna, meu bom amigo!

* É jornalista profissional.

Texto reproduzido do site: jlpolitica com br 

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

'Eugênio Nascimento, um grande do jornalismo político' (M.C.)

Artigo compartilhado de post do Facebook/Marcos Cardoso, de 1 de novembro de 2024

Eugênio Nascimento, um grande do jornalismo político

Por Marcos Cardoso

Era impossível não notar quando Eugênio Nascimento chegava à redação do Jornal da Cidade. Entre o vozeirão inconfundível e a pressa de escrever logo o texto político sempre haveria as inevitáveis chacotas. Uma vez ele se levantou e se dirigiu ao amigo Osmário Santos:

— Osmário, seu nome tem um erro de concordância. O grande colunista de variedades e memorialista ficou sem entender. A redação também não entendeu. Ele emendou: — É que seu nome devia ser Os Mários.

E saía dando gargalhadas, chamando Adiberto de Souza de “Qualha” e Cleomar Brandi de “Breti”. Um por causa de um personagem de Chico Anysio chamado Qualhada, apelido que foi dado por Paulo Serra, também emérito piadista, e o outro numa alusão a Bertolt Brecht. Todos éramos muito amigos e sempre ríamos das palhaçadas de Eugênio, mesmo quando já sabíamos do desfecho da piada.

Estávamos no velho Jornal da Cidade da avenida Antônio Cabral, respirando o ar do rio Sergipe e os eflúvios do Mercado Municipal e a poucas quadras da orlinha do Bairro Industrial. Ali fazíamos o principal jornal impresso e um dos melhores veículos de comunicação de Sergipe. Trabalhávamos no jornal de Antônio Carlos Franco, um homem rico, conservador, filho de Augusto Franco e que vibrava junto de todos nós, os “malucos”, e que jamais permitiu qualquer forma de censura.

A morte de Eugênio Nascimento encerra uma era romântica e importante do jornalismo sergipano. Ainda mais para o Jornal da Cidade, que já vinha de duas perdas fundamentais também acontecidas neste ano de 2024. Thaís Bezerra morreu em abril e Osmário Santos em maio, deixando lacunas que jamais serão preenchidas.

Thaís Bezerra produziu um colunismo social rentável e imbatível, iniciado na Gazeta de Sergipe de Orlando Dantas e que se tornou referência no Jornal da Cidade. Osmário Santos inovou no colunismo de variedades e nas entrevistas semanais, que renderam dois livros também referenciados: “Memórias de políticos de Sergipe no Século XX”, organizado pelo professor Afonso Nascimento, irmão de Eugênio, e “Oxente, essa é a nossa gente”, sobre vultos populares, prefaciado e revisado por este que vos escreve. 

Eugênio Nascimento passou por muitas redações e por vários anos foi correspondente da Folha de São Paulo, quando os grandes jornais do país ainda mantinham representantes em quase todos os estados. Adiberto era correspondente do Jornal do Brasil, Milton Alves de O Globo e José Andrade de O Estado de São Paulo.

Através da Folha, Eugênio levou ao conhecimento do Brasil a atuação criminosa do grupo autointitulado A Missão, uma milícia criada no segundo governo de João Alves Filho para supostamente combater a bandidagem no interior de Sergipe.

Ele também trabalhou na Universidade Federal de Sergipe, onde ingressou no início dos anos 90 nos quadros do Centro Editorial e Audiovisual – Ceav, gestão do reitor Luiz Hermínio e a convite do diretor Jorge Aragão, assessorando seguidamente os reitores José Fernandes de Lima, Josué Modesto dos Passos Subrinho e Angelo Antoniolli.

Há 14 anos, Eugênio e o colega jornalista Kleber Santos criaram o blog Primeira Mão, onde ele mantinha uma coluna política semanal. A última coluna foi postada no dia 29 de junho, pouco antes de iniciar a batalha concluída agora, aos 67 anos.

Mas seu grande momento no jornalismo foi o Jornal da Cidade, onde ingressou definitivamente em meados dos anos 90, passando pela reportagem e editor de Política, antes de se tornar diretor de Redação.

Eugênio foi, fundamentalmente, um dos grandes repórteres de política de Sergipe. Era um homem de esquerda, um dos pioneiros do Partido dos Trabalhadores, mas sempre respeitado por todos com quem conviveu e teve acesso fácil a cada um que passou pelo poder. Porque não falseava a verdade, não trabalhava com subterfúgios, era ético e íntegro.

Em tempo: substituindo José Araújo, eu fui diretor de Redação do Jornal da Cidade por 10 anos, de 1999 a 2009, quando saí para assumir a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Aracaju, gestão Edvaldo Nogueira. Acácia Trindade foi a editora seguinte, depois Andréa Moura e, por fim, Eugênio Nascimento, que assumiu a direção do JC em 2015. O bastão agora está merecidamente nas mãos de Dilson Ramos.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Marcos Cardoso

Eugênio Nascimento morre aos 66 anos

Texto publicado originalmente no site do JORNAL DA CIDADE, de 1 de novembro de 2024 

Eugênio Nascimento morre aos 66 anos

Jornalista estava internado desde julho; sepultamento será na Colina da Saudade

Na noite dessa quinta-feira, 31, o jornalismo sergipano perdeu um de seus nomes mais queridos e respeitados: Eugenio Nascimento. Ele estava internado no Hospital Cirurgia e faleceu aos 66 anos em decorrência de problemas cardíacos. Com mais de quatro décadas dedicadas à comunicação, sua trajetória foi marcada pela paixão, pelo compromisso com a verdade e pela habilidade de narrar os fatos com sensibilidade e profundidade.

Nascido no município de Salgado, Eugênio Nascimento é um dos mais importantes nomes do jornalismo político sergipano. Nasceu no dia 13 de novembro de 1957, sendo o terceiro filho de Dona Maria Elze e seu José Nascimento. De Salgado, a família se mudou para Pedrinhas, Aracaju e para Laranjeiras, onde alfabetizou-se.

De lá, mudaram-se definitivamente para rua Espírito Santo, no Siqueira Campos. Estudou no Kennedy da Baixa Fria e depois passou pela seleção da Escola Técnica, onde concluiu o antigo científico. Trabalhou no grupo de teatro amador de Severo D’Acelino, no Siqueira Campos e participou também do Coral da Escola Técnica, com o qual fez várias viagens pelo Brasil. Prestou concurso vestibular para a Universidade Federal de Sergipe no curso de Letras, logo depois abandonado. Ao mesmo tempo começou a estagiar na Gazeta de Sergipe como jornalista e nunca mais largou o ofício. Foi aluno de Orlando Dantas, Nino Porto, Ivan Valença, entre outros.“Muito boêmio, abria e fechava muitos bares. Levava aos ambientes por ele frequentados bom papo e boas risadas”, relembra o professor da UFS, Afonso Nascimento, seu irmão.

Na época de estudante da UFS, teve importante militância estudantil, junto com Milson Barreto, Joel, Zé Luiz, Clímaco, Déda, entre outros. Foi um dos fundadores do PT, o seu único partido. Foi muito influenciado pela esquerda pernambucana, aqui representada por Vera Lúcia Gomes, militante comunista e sindical e fez muitas viagens para Recife. Casou-se com Tereza Cristina Cerqueira Graça, 1979, com quem teve dois filhos, Victor Wladimir e Mayra. E três netos: Lucas, Bernar - do e Aurora.

Já como jornalista, Eugênio trabalhou na Gazeta de Sergipe, no Jornal da Cidade, na extinta TV Jornal, TV Sergipe, foi correspondente por vários anos da Folha de São Paulo. Assumiu a as - sessoria da Universidade Federal de Sergipe, nas gestões de José Alencar, José Fernandes de Lima, Luiz Hermínio de Aguiar Oliveira, Josué Modesto dos Passos Subrinho e Ângelo Antoniolli. “Fazia a mediação entre os reitores e classe política sergipana, com o que ajudou na liberação de muitas emendas parlamentares para a UFS e, assim, ajudou na expansão dessa instituição de ensino superior na capital e no interior”, reforça o professor Afonso Nascimento, seu irmão e grande admirador do jornalista. Trabalhou na Psico-Clínica de Bosco Mendonça e teve uma passagem pela assessoria da Ordem de Advogados do Brasil. Nos últimos anos assumiu o cargo de diretor de Jornalismo do JORNAL DA CIDADE.

Viajou pela Argentina e pela Europa Latina (Portugal, Espanha, França) e de cada lugar ele trazia uma história boa e divertida para contar, alegrando os familiares e amigos com seu jeito engraçado de ser. O segundo casamento foi com Ivana Guimarães, com quem viveu até os dias atuais. O empresário e secretário de Turismo, Marcos Franco, tinha com Eugenio um vínculo além do profissional. Uma sólida amizade que marcou os longos anos de convivência. “A história de Eugênio Nascimento, no JORNAL DA CIDADE, é longa e não tem apenas a relação profissional, nesses anos que atuamos juntos construímos, também, uma sólida amizade. Era um jornalista sério e competente, uma referência no jornalismo político em Sergipe e por isso sempre foi respeitado pelos colegas e pela classe política. Ele emprestou por mais de três décadas seu talento ao jornal, foram duas longas passagens pelo JC, colaborando para construir a reputação que o jornal tem hoje. Devemos muito a ele, é uma perda muito grande para todos nós, para o jornalismo ser gipano, sobretudo para mim”.

O senador Rogério Carvalho recebeu com pesar a notícia do falecimento de Eugênio Nascimento. “Eugênio foi uma referência no jornalismo sergipano, sempre exercendo sua profissão com coragem, ética e compromisso com a verdade. Sua contribuição para a imprensa e para o debate político no nosso estado é inestimável. Neste momento de tristeza, expresso minha solidariedade à sua família, amigos e a todos que conviveram com esse grande profissional. Eugênio deixa um legado de dedicação ao jornalismo e à democracia”.

Para o secretário de Estado da Comunicação, Cleon Nascimento, a trajetória de Eugênio, marcada pela dedicação e compromisso com a verdade, elevou o jornalismo no estado. “Lamento profundamente o falecimento do jornalista e diretor de Jornalismo do JORNAL DA CIDADE, Eugênio Nascimento. Neste momento de tristeza, me solidarizo com seus familiares, amigos e colegas de trabalho. Eugênio foi uma figura emblemática da imprensa sergipana. Como editor do Jornal da Cidade, ele se destacou por sua capacidade de transformar notícias em reflexões para a sociedade, sempre com uma visão crítica e sensível aos desafios de Sergipe. A imprensa sergipana perde um grande nome, mas seu legado permanece vivo, refletindo a importância do jornalismo para a construção de uma sociedade mais informada e consciente. Meus mais sinceros sentimentos e respeito”.

O secretário municipal de comunicação de Aracaju, Elton Coelho, declara que Eugenio deixa um legado de aprendizados e bom relacionamento com o mundo político. “Com um faro jornalístico apurado e certeiro, o jornalista e diretor do Jornal da Cidade, Eugênio Nascimento, nos deixa hoje e um legado de ensinamentos, aprendizados e bom relacionamento com o mun do político. Estou sentido, mas ao mesmo tempo vangloriado por ter convivido em sua mesa de redação e até na confraria. Expresso meu profundo pesar pela partida do amigo querido, rogando a Deus que o receba na plenitude do que ele representou neste plano e confortando a todos os familiares e amigos. Vai em paz, Eugênio! ”.

Texto reproduzido do site: jornaldacidade net

Morre o jornalista Eugênio Nascimento

Legenda da foto: O jornalista Eugênio Nascimento sempre se pautou pela ética

Publicação compartilhada do site DESTAQUE NOTÍCIAS, de 1 de novembro de 2024

Morre o jornalista Eugênio Nascimento

Vítima de uma arritmia cardíaca, morreu em Aracaju o jornalista Eugênio Nascimento, 67 anos. Diretor de redação do Jornal da Cidade, ele estava internado no Hospital de Cirurgia há quatro meses, mas não resistiu às complicações e faleceu às 21 horas dessa quinta-feira (31). O velório do corpo acontece no Cemitério Colina da Saudade, onde também ocorrerá o sepultamento, às 14 horas desta sexta-feira (1º). Eugênio deixa viúva, dois filhos e netos.

Nascido em Salgado, Eugênio Nascimento se mudou para Aracaju ainda criança, passando a residir com a família no Bairro Siqueira Campos. Ingressou na imprensa de Sergipe muito jovem, sendo a Gazeta de Sergipe seu primeiro contato com o jornalismo. A brilhante carreira incluiu passagens por vários veículos de comunicação do Estado, a exemplo da TV Sergipe, da extinta TV Jornal e do Jornal da Cidade, onde permaneceu por cerca de 30 anos. Também trabalhou por vários anos como correspondente do jornal Folha de S. Paulo em Sergipe e foi assessor de comunicação da Universidade Federal de Sergipe.

Fundador do PT em Sergipe e da Central Única dos Trabalhadores, Eugênio sempre foi respeitado pela maneira correta de atuar como jornalista, trabalhando com isenção na produção das reportagens políticas. “Recebi com tristeza a notícia sobre o falecimento do jornalista Eugênio Nascimento”, lamentou o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT). O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), também lamentou a morte do jornalista: “Respeitado, crítico, sagaz, Eugênio comandou a redação do Jornal da Cidade com inteligência. Sua ausência será sentida como uma lacuna na linha de frente dos que acreditam no poder transformador da informação”, escreveu.

Texto e imagem reproduzidos do site: www destaquenoticias com br

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