quarta-feira, 1 de julho de 2026

O time dos jornalistas está desfalcado

Artigo compartilhado do site DESTAQUE NOTÍCIAS, de 30 de junho de 2026

O time dos jornalistas está desfalcado
Por Marcos Cardoso*

Sergipe perdeu um time completo de jornalistas nos últimos dois anos. De Thaís Bezerra, em abril de 2024, a Diógenes Brayner, que nos deixou poucos dias atrás, são muitos dos melhores profissionais da comunicação que partiram dessa para melhor, como assim desejamos.

O time aumenta se contarmos outros tão bons que já se foram nesta terceira década do século 21, ou um pouco antes, desde Amaral Cavalcante em julho de 2020. Em comum além da faixa de idade, todos com mais de 60 anos, o histórico de terem sido moldados, para o bem ou para o mal, nos anos da ditadura militar, tendo atuado diretamente ou sido influenciados mesmo que sem saber pela cultura dos anos de chumbo.

É uma geração que fica mais pobre e deixa mais empobrecido o jornalismo que sujava as mãos de tinta enquanto ideologizava um mundo mais justo e menos desigual. Geração de viveu uma revolução de costumes, que se espantou com a chegada da internet e viu o processo de comunicação sair da tipografia para a inteligência artificial.

Claro que nem todos pensavam o jornalismo da mesma forma, eram personas diferentes, que viveram e morreram de jeitos diferentes, mas todos deram contribuição importante ao processo.

Amaral Cavalcante – Nos deixou em 7 de julho de 2020, aos 73 anos. Foi ator, poeta, editor, agitador cultural e acima de tudo cronista, com sensibilidade e humor refinados para transformar o cotidiano em literatura. Trabalhou em jornais, mas seu grande legado foi a Folha da Praia, o hebdomadário que conquistou corações e mentes nos anos 80 e 90, com a coragem de dizer o que a imprensa careta não tinha moral para contar. Com a autoridade e sensibilidade de um diretor de redação, no dia do fechamento do jornal o poeta regia a turba de jornalistas, intelectuais e malucos, fazendo-os produzir genialidades e excentricidades, ao mesmo tempo que finalizava cada página com o carinho do pai que troca a roupa do filho dileto para levá-lo a passear no parque. No caso, o rebento ia passear na praia, todo fim de semana. Amaral também editou a revista Cumbuca. Um ano antes de morrer promoveu concorrido lançamento do livro de crônicas “A vida me quer bem”, pela Edise. Morreu por insuficiência renal agravada pela covid.

Ilma Fontes – Foi-se embora no dia 3 de abril de 2021, aos 73 anos. Uma das mentes femininas mais inteligentes e inquietantes do seu tempo. O mundo intelectual e artístico aracajuano parou numa noite de 1980 para assistir à exibição de um curta-metragem que causaria excitação e espanto. O filme de 7 minutos, em Super 8, era “O Beijo”, produção de Ilma Fontes, roteiro e direção de Yoya Wursch, protagonizado por elas, com direção de fotografia e montagem de César Macieira e câmera de Fernando Souza. O resumo do argumento é sobre duas mulheres que, envolvidas nas tramas existenciais, procuram respostas para a melhor maneira de viver. Mas o que todos queriam ver era o longo e caliente beijo trocado pelas duas. Um escândalo! Por quase 30 anos fez de “O Capital – Jornal de resistência ao ordinário” sua trincheira de luta. Morreu de câncer.

Luiz Melo – No dia 18 de agosto de 2022, aos 85 anos. Alagoano de Rio Largo, na região metropolitana de Maceió, Luiz Melo foi petroleiro antes de se tornar jornalista em Sergipe. A atividade na Petrobras o trouxe para Aracaju. Foi editor do Jornal da Manhã e estava lá desde que o diário ostentava o título de Tribuna de Aracaju e foi comprado por João Alves Filho, que mudou o nome. Nos anos 90 chegou ao Jornal da Cidade, onde foi secretário de Redação e responsável pela editoria Nacional. Era um sujeito conservador, muito responsável e fazia questão de ser o último a sair do jornal. Foi vítima de um AVC.

Edvar Freire Caetano – No dia 12 de março de 2024, aos 74 anos. A morte do editor-chefe do Cinform Online abriu as portas de um ano triste para o jornalismo sergipano. Também trabalhou no jornal Ação Popular e na Gazeta de Sergipe. Morreu de câncer de próstata.

Thaís Bezerra – Partiu no dia 1º de abril de 2024, aos 64 anos. A saída de cena da musa do jornalismo de variedades ampliou a tristeza particularmente para o Jornal da Cidade. Thaís foi cria da Gazeta de Sergipe, onde conviveu com Ivan Valença, Luiz Antônio Barreto e Ancelmo Gois. No Jornal da Cidade, desenvolveu um estilo muito próprio de narrar os fatos que envolviam o mundo empresarial e a alta sociedade sergipana, com notas picantes e densas de informação. O rentável caderno de TB era disputado aos domingos. Gostava das festas, viveu intensamente e sempre cercada de muitos amigos. Lutou contra um câncer que foi mais forte do que sua vontade de viver.

Osmário Santos – Despediu-se no dia 16 de maio de 2024, aos 72 anos. Também tinha um estilo muito peculiar de fazer jornalismo e as suas entrevistas com personalidades diversas no Jornal da Cidade renderam dois livros importantes: “Memórias de Políticos de Sergipe no século XX”, alentado volume patrocinado pela Universidade Federal de Sergipe, Banese e Fundação Oviêdo Teixeira, em 2002, organização do professor Afonso Nascimento e que conta com uma entrevista histórica de Marcelo Déda; e “Oxente! Essa é a nossa gente”, com vultos populares da sociedade aracajuana, publicado com apoio do Banese em 2004. Osmário editou uma coluna de variedades bastante concorrida. Foi um dos idealizadores, ao lado do artista plástico José Fernandes, do Passeio de Tototó pelos rios Poxim e Sergipe. Morreu de complicações causadas pelo Alzheimer.

Eugênio Nascimento – Nos deixou no dia 1° de novembro de 2024, aos 66 anos. Terceira perda do Jornal da Cidade muito sentida naquele ano, Eugênio Nascimento passou por outras redações e por muitos anos foi correspondente da Folha de São Paulo, quando os grandes jornais do país ainda mantinham representantes em quase todos os estados. Foi editor de Política e depois diretor de Redação do JC. Ele também trabalhou na Universidade Federal de Sergipe, onde ingressou no início dos anos 90 nos quadros do Centro Editorial e Audiovisual e assessorando quatro reitores. Eugênio criou o blog Primeira Mão, onde mantinha uma coluna política semanal. Morreu em consequência de problemas cardíacos.

Ivan Valença – No dia 21 de abril de 2025, aos 81 anos. Sua morte abriu um ano cruel para o jornalismo sergipano. Jornalista político e crítico de cinema, Ivan foi formado na velha Gazeta de Sergipe de Orlando Dantas. Em 1970, ao lado do publicitário Nazário Pimentel, fundou o Jornal da Cidade, posteriormente vendido para Augusto Franco. Retornou ao JC nos anos 90, quando passou a escrever uma coluna semanal. Foi secretário de Estado da Cultura e do Turismo e presidente da Fundação Cultural de Aracaju (Funcaju). Foi dono de gráfica, de videolocadora, trabalhou na Assembleia Legislativa e colaborou na Infonet por muitos anos, até sua morte. Morreu em decorrência do Alzheimer.

Raymundo Luiz da Silva – Despediu-se no dia 5 de maio de 2025, aos 95 anos. O longevo jornalista trabalhou no Diário de Aracaju, onde foi diretor, Jornal da Manhã e A Cruzada, jornal editado pela Arquidiocese de Aracaju. Ele fez história como diretor da Rádio Cultura. Trabalhou na Rádio Jornal de Sergipe, na TV Sergipe e na TV Atalaia e contribuiu com a implantação da TV Aperipê e TV Jornal. Era o diretor de Comunicação da Assembleia Legislativa quando foi fundada a TV Alese, em 2004. Morreu após contrair uma pneumonia.

Mônica Pinto – Nos deixou no dia 17 de junho de 2025, aos 61 anos. Mineira criada no Rio de Janeiro, onde cursou jornalismo, Mônica fez carreira em Sergipe, aqui desembarcando em 1987. Depois chegou a residir em Curitiba, onde cursou o mestrado em Comunicação, retornando para Aracaju. Era especialista em Ciências Ambientais. Atuou no Jornal de Sergipe, Cinform, UFS e deixou sua marca no jornalismo institucional e corporativo, com destaque para os anos de trabalho no grupo Multserv, onde fundou e foi diretora do portal F5 News. Também se destacou como escritora, tendo entre suas obras “Memória do Rádio” e “Memória do Comércio”, referências sobre a história da comunicação e do setor empresarial em Sergipe. Sua morte precoce foi consequência de um câncer.

André Barros – No dia 17 de junho de 2025, aos 61 anos. O inquieto jornalista e publicitário, com atuação marcante na TV e no rádio, tinha a mesma idade e morreu no mesmo dia que Mônica Pinto. Infeliz coincidência. Com trajetória iniciada em 1981, trabalhou na TV Sergipe, de onde seguiu para a TV Globo em Brasília. Depois retornou à TV Sergipe como diretor de Jornalismo. Também teve passagem pela TV Manchete, CBN, TV Atalaia, rádios Jovem Pan, Nova Brasil e Transamérica, além do Jornal do Dia e Jornal da Cidade. Foi coordenador de Comunicação e secretário de Estado da Comunicação Social, sócio-diretor da Suporte Propaganda e fundador do Sindicato das Agências de Propaganda de Sergipe. Morreu quando se tratava de um câncer linfático.

Jackson Hora – Nos deixou no dia 12 de julho de 2025, aos 69 anos. Foi professor do Estado e funcionário da Universidade Federal de Sergipe, trabalhando como locutor e mestre de cerimônia na Secretaria de Estado da Educação e na UFS. Homem de rádio, com passagem pela extinta Difusora, atual Aperipê, e Atalaia AM, encerrou sua trajetória na UFS FM. Morreu em consequência de um AVC.

Euler Ferreira – Despediu-se no dia 17 de agosto de 2025, aos 75 anos. Bancário antes de ser jornalista, atuou como repórter, apresentador, editor e diretor na TV Sergipe, TV Aperipê, TV Cidade e TV Alese. Foi diretor de Comunicação do Tribunal de Justiça de Sergipe por 12 anos. Morreu em consequência de uma pneumonia.

Yara Belchior – Em 6 de outubro de 2025, aos 64 anos. Natural de Salvador (BA), tinha título de cidadã sergipana e aracajuana, era psicanalista e bacharela em Letras pela Universidade Federal de Sergipe. Ela começou como revisora no Jornal da Cidade e trabalhou no Jornal de Sergipe, Gazeta de Sergipe, Jornal da Manhã e Infonet, principalmente como colunista social. Também trabalhou na TV Sergipe e foi correspondente da revista Veja. Foi coordenadora de Comunicação do Tribunal de Contas de Sergipe. O corpo da jornalista foi doado para estudos à UFS, atendendo um pedido dela.

Clara Angélica – Nos deixou no dia 10 de maio de 2026, aos 76 anos. Jornalista, tradutora e ligada à cena cultural, com dedicação pessoal à música, Clara também foi formada na Gazeta de Sergipe. Teve passagem pela Rádio Cultura, TV Sergipe, pela Folha da Praia e fundou com Luís Eduardo Costa o jornal O Que. Foi subsecretária de Cultura do Estado, na gestão de Antônio Carlos Valadares, e uma das responsáveis por convencer o jornalista Joel Silveira a assumir o cargo de secretário, o primeiro secretário de Cultura de Sergipe. Morreu de causa não revelada.

Diógenes Brayner – Foi-se embora no dia 24 de junho de 2026, aos 79 anos. Natural de Petrolândia (PE), formado em Comunicação Social no Recife, passou por uma cidade do Mato Grosso do Sul, como bancário concursado do Banco do Brasil, emprego que depois ele largaria em nome da carreira na comunicação. Chegou a Sergipe em 1982 para editar o Jornal de Sergipe, onde se destacou. Depois passou pela Gazeta de Sergipe e Correio de Sergipe. Foi fundador do portal de notícias FaxAju, no qual escrevia sobre política diariamente até pouco antes da sua morte. Jornalistas como Ofélia Onias e Cássia Santana o consideravam um professor de jornalismo. Morreu de câncer de pâncreas.

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* Marcos Cardoso é jornalista. Autor de “Sempre aos Domingos – Antologia de textos jornalísticos” (Editora UFS, 2008), do romance “O Anofelino Solerte” (Edise, 2018) e de “Impressões da Ditadura” (Editora UFS, 2024). marcoscardosojornalista@gmail com

Texto reproduzido do site: destaquenoticias com br

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Diógenes Brayner: pra onde se deslocou, Plenário foi atrás


Artigo compartilhado do site JLPOLÍTICA, de 28 de Junho de 2026

Opinião – Diógenes Brayner transformou a Coluna Plenário em grife de informação política confiável

Por Eduardo Almeida (Coluna Aparte) *

O aviso postado desde o início de março no portal FaxAju foi como uma morte anunciada: “A Coluna Plenário está em stand by em razão do colunista Diógenes Brayner estar cuidando da saúde, e retorna o mais breve possível, com as águas de março e as mudanças partidárias”.

As águas de março e as mudanças partidárias passaram e a Coluna Plenário não retornou. Brayner não resistiu a complicações que vinham fustigando a sua saúde há tempos. Não escreveria mais uma linha de lá para cá.

A Coluna assinada por Brayner era uma referência no jornalismo sergipano. Em décadas de circulação, virou uma grife de informação confiável sobre os movimentos da política sergipana.

Ninguém escapava à leitura da Coluna. Do leitor comum, movido pela curiosidade, ao círculo do poder, que influencia e decide, todos eram atraídos e pelas notas garimpadas por Brayner e publicadas na sua prestigiada Plenário.

A Coluna tinha tanta personalidade que acabou ganhando vida própria. Brayner atuou em vários jornais de Aracaju até se mudar definitivamente para a mídia digital. Para onde ele foi, a Coluna foi com ele.

Fui ao velório para uma despedida e um reencontro. Despedida do jornalista cuidadoso e respeitoso para com suas fontes de informação. Reencontro com o cidadão atencioso e cordial com todos que tiveram a sorte de conhecê-lo.

Revi também Renata, esposa de Brayner. Trabalhávamos juntos, eu e ela, no governo estadual quando ela e ele se conheceram. Eram muito parecidos em humanidade e profissionalismo.

Recordamos com emoção aqueles tempos. O casal gostava do cafezinho em um dos shoppings da cidade. Hábito que também era meu. Em torno da mesa, entre um gole e outro, trocávamos algumas ideias sobre coisas da vida.

Vida que nos traz ao mundo e depois nos retira dele.

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* É jornalista profissional.

Texto reproduzido do site: jlpolitica com br/colunas/aparte

sábado, 27 de junho de 2026

Diógenes Brayner, grande perda para o jornalismo sergipano

Artigo compartilhado do site JLPOLÍTICA, de 26 de junho de 2026

Brayner pertencia a uma cepa de profissionais que o mundo e o tempo tornaram mais raros

Por Rogério Carvalho (Coluna Aparte)*

O falecimento de Diógenes Brayner é mais que uma grande perda para o jornalismo sergipano. É, de certa forma, o símbolo de uma passagem de tempo: a despedida de uma geração que fez da reportagem um ofício de presença, paciência e escuta, em contraste com um presente cada vez mais apressado, barulhento e condicionado por métricas e a disputa permanente por atenção, ainda que efêmera e fluida.

Os últimos anos têm sido particularmente cruéis com a imprensa sergipana. Nomes como Clara Angélica, Ivan Valença, Yara Belchior, Euler Ferreira e Eugênio Nascimento deixaram vazios que dificilmente serão preenchidos.

Cada um, à sua maneira, ajudou a formar uma memória profissional e afetiva do jornalismo local. A morte de Brayner, portanto, não chega isolada: ela se soma a uma sequência de perdas que nos dá a impressão de estarmos assistindo ao fechamento de uma redação inteira, não apenas à partida de indivíduos.

Brayner pertencia a uma cepa de profissionais que o mundo e o tempo tornaram mais raros. Mais que jornalista, era também um ator político: alguém que compreendia os movimentos do poder, acompanhava seus personagens, percebia seus silêncios e sabia que, muitas vezes, uma notícia nasce antes de ser anunciada. Durante décadas, sua Coluna Plenário foi referência para quem queria entender não apenas o que havia acontecido, mas o que poderia estar por trás dos acontecimentos.

Brayner tinha perfeita consciência do impacto que exercia na política sergipana. Nesse aspecto, lembrava nomes de outra tradição do jornalismo brasileiro, como Carlos Lacerda, Assis Chateaubriand e Hélio Fernandes: profissionais que não apenas narravam a política, mas interferiam no modo como ela era lida, discutida e, em alguma medida, praticada. Evidentemente, cada um com suas contradições e circunstâncias, mas todos pertencentes a um tempo em que a imprensa tinha menos ferramentas tecnológicas e, paradoxalmente, talvez mais centralidade no debate público.

Brayner representava um modelo de jornalismo que dependia menos da autopromoção e mais da credibilidade acumulada. A autoridade não vinha do número de seguidores, mas da confiança construída ao longo dos anos. Não era uma confiança abstrata: era resultado de convivência, memória, acertos, erros, correções e, principalmente, de uma relação quase artesanal com a notícia e as fontes.

Isso acontecia porque, antes de mais nada, Brayner era repórter – a condição mais nobre no Jornalismo. E um grande repórter. Talvez por isso cultivasse profundo respeito pelas fontes. Ia atrás da notícia, mas era ainda mais cuidadoso na verificação de sua veracidade, na rigidez da apuração.

Hoje, temos a sensação de que o jornalismo é cada vez mais condicionado por uma lógica que nem sempre nasceu dentro das redações. O que antes era medido pela relevância pública, pela consistência da apuração e pela capacidade de iluminar temas complexos, passou a disputar espaço com indicadores como engajamento, alcance, retenção, viabilidade comercial. O tal do algoritmo.

Não há, nisso, necessariamente uma condenação. Os tempos mudam, as linguagens mudam, as plataformas mudam. Há influenciadores responsáveis, há jornalistas que aprenderam a dialogar com as novas ferramentas e há públicos que encontraram nas redes sociais formas legítimas de expressão e participação. O problema aparece quando a lógica da atenção passa a ocupar o lugar da lógica da informação; quando o impacto imediato vale mais que a precisão; quando parecer o primeiro se torna mais importante do que informar corretamente.

É nesse contraste que a figura de Brayner ganha ainda mais significado. Ele vinha de um tempo em que a notícia exigia deslocamento, conversas reservadas, telefonemas insistentes, leitura de ambiente e, muitas vezes, silêncios. Um tempo em que a fonte era cultivada, não explorada; em que a informação precisava amadurecer antes de virar manchete; em que o jornalista era cobrado por sua palavra, não apenas por sua performance.

Talvez por isso sua partida pareça dizer mais do que a biografia de um profissional. Ela nos obriga a perguntar o que estamos perdendo junto com esses nomes. Perdemos repertório, memória, experiência, mas também uma certa forma de estar no mundo: menos ansiosa, menos refém da aprovação instantânea, mais comprometida com a densidade dos fatos.

Brayner, com seu faro aguçado de repórter e seu respeito absoluto às fontes, provavelmente percebeu essas transformações antes de muitos de nós. Talvez tenha visto, com lucidez, que o jornalismo que ele ajudou a construir já não ocupava o mesmo lugar. Talvez tenha compreendido que nenhuma geração permanece indefinidamente no centro da cena. E talvez tenha aceitado, como poucos conseguem aceitar, que chega um momento em todas as redações em que é preciso fechar a edição do dia.

Mas fechar a edição não significa encerrar a história. O legado de Diógenes Brayner permanece justamente naquilo que o jornalismo não pode abandonar, mesmo quando muda de suporte, ritmo e linguagem: a apuração rigorosa, a independência, a responsabilidade com a palavra e a consciência de que informar é também servir à vida pública.

Para pessoas como eu, Marcelo Déda, José Eduardo Dutra e tantos outros companheiros que aprenderam a lidar com a política a partir da militância nos movimentos sociais, e fizeram disso uma missão e razão de vida, jornalistas como Brayner tiveram papel decisivo. Eram interlocutores, críticos, observadores atentos e, muitas vezes, testemunhas privilegiadas de uma geração que levou para as instituições as inquietações nascidas nas ruas, nos sindicatos, nas pastorais, nos grêmios, nos DCEs e nos partidos.

Entre a militância e o exercício do poder, havia sempre a necessidade de alguém capaz de registrar, questionar e interpretar esse percurso. Diógenes Brayner foi um desses nomes: acompanhando a política sergipana, ajudou a dar sentido público às trajetórias de quem fez dela uma extensão do seu compromisso ético e social.

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[*] É médico e senador da República.

Texto reproduzido do site: jlpolitica com br

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Hoje o jornalismo sergipano amanheceu menor

Artigo compartilhado do site F5NEWS, de 25 de junho de 2026

O professor que a faculdade não podia formar

 Por Marcio Rocha

Hoje o jornalismo sergipano amanheceu menor.

A partida de Diógenes Brayner não representa apenas a perda de um dos maiores jornalistas políticos de Sergipe. Para muitos de nós, significa a despedida de um mestre. Não daqueles que ocupam uma sala de aula, distribuem apostilas ou aplicam provas. Mas dos que ensinam na vida, no exemplo, na convivência e nas conversas que moldam caráter e profissão.

Tive o privilégio de conhecer Diógenes há 29 anos, quando eu ainda era um adolescente tentando entender o mundo e descobrir qual caminho seguir. Foi ele quem, ao lado de André Barros e Daniel Vieira, ajudou a consolidar em mim a certeza de que o jornalismo seria muito mais do que uma profissão. Seria uma missão.

Existem professores que a universidade nos apresenta. E existem aqueles que a vida nos entrega. Brayner ocupou esse lugar especial. Foram referências que ensinaram sem a formalidade da cátedra, mas com a autoridade de quem viveu o jornalismo em sua essência: ouvindo, apurando, respeitando os fatos e compreendendo que notícia é compromisso com a sociedade.

Ao longo dessas quase três décadas de amizade, acumulamos incontáveis cafés e muitos chopes. Conversas que começavam despretensiosas e, quando percebíamos, já atravessavam seis, sete, oito... até nove horas. Falávamos de política, economia, história, comunicação, família e, principalmente, da vida. Cada encontro era uma aula. Cada história carregava um ensinamento. Cada conselho vinha acompanhado da serenidade de quem conhecia profundamente as pessoas e o poder das palavras.

Brayner, desde que chegou a Sergipe, nunca precisou levantar a voz para ser ouvido. Sua credibilidade falava por ele. Seu texto dispensava adjetivos exagerados porque os fatos sempre foram suficientes. Em tempos em que a velocidade muitas vezes tenta atropelar a qualidade, ele permaneceu fiel à boa reportagem, à informação responsável e ao respeito pelo leitor.

Poucos profissionais conseguem deixar um legado que ultrapassa as manchetes que escreveram. Brayner conseguiu. Seu maior patrimônio não está apenas nas milhares de notícias publicadas ou nos bastidores da política que revelou. Está nas pessoas que inspirou, nos jornalistas que incentivou e nos amigos que conquistou ao longo da caminhada.

Hoje me despeço com tristeza, mas também com gratidão. Gratidão por cada conversa, cada café, cada chope, cada conselho e cada incentivo que recebi desde aquele adolescente cheio de dúvidas até o profissional que me tornei.

As boas escolas formam profissionais. Os grandes mestres formam seres humanos.

Diógenes Brayner foi um desses mestres.

Seu exemplo jamais se apagará. Permanecerá vivo em cada jornalista que aprendeu com ele que credibilidade vale mais do que qualquer furo, que ética nunca sai de moda e que uma boa conversa pode ensinar muito mais do que qualquer livro.

Obrigado por tudo, meu amigo.

Descanse em paz.

Texto e imagem reproduzidos do site: www f5news com br

A Imprensa Sergipana Está de Luto

Artigo compartilhado do site FAUSTO LEITE, de 25 de junho de 2026

A última manchete de Diógenes Brayner: A Imprensa Sergipana Está de Luto
Por Fausto Leite

Hoje Sergipe perdeu muito mais do que um jornalista. Perdeu uma referência. Perdeu um homem que transformou a notícia em compromisso, a informação em responsabilidade e a política em objeto permanente de observação crítica. A morte de Diógenes Brayner deixa um vazio difícil de preencher, porque não se substitui quem dedicou praticamente toda uma vida ao jornalismo sério, à apuração rigorosa e ao respeito pelo leitor. A imprensa sergipana amanheceu menor. Amanheceu de luto.

Durante décadas, Brayner acompanhou governos nascerem e terminarem, prefeitos chegarem e saírem, deputados surgirem e desaparecerem da cena política. Assistiu às grandes transformações do Estado sem nunca abandonar a essência do jornalismo: ouvir, conferir, escrever e publicar com responsabilidade. Seu texto não precisava de adjetivos exagerados. Bastavam os fatos. Sua credibilidade era construída diariamente, linha por linha, notícia por notícia, sempre sustentada pela confiança que conquistou junto aos leitores e às suas fontes.

Quem passou por uma redação em Sergipe, em algum momento cruzou com a influência de Diógenes Brayner. Muitos aprenderam observando sua disciplina, sua dedicação e sua impressionante capacidade de descobrir o que ainda estava escondido nos bastidores do poder. Era daqueles jornalistas que conheciam a política sem se confundir com ela, que tinham fontes em todos os lados, mas preservavam o compromisso maior com a informação. Sua história se mistura à própria história do jornalismo político sergipano.

A dor desta despedida também se soma a outras perdas recentes que machucaram profundamente o universo da comunicação em Sergipe. Perdemos Estênio, da Gráfica J. Andrade, um profissional cuja dedicação ajudou a materializar milhares de páginas da história sergipana. Perdemos também o coronel Luís Fernando, que exerceu com competência a Diretoria de Comunicação da Polícia Militar e sempre compreendeu o papel da informação pública. Agora, parte Diógenes Brayner. Em tão pouco tempo, três nomes que ajudaram a construir a comunicação sergipana deixam saudades e um legado que permanecerá vivo.

Há pessoas que ocupam cargos. Outras ocupam espaço na memória coletiva. Diógenes Brayner pertence à segunda categoria. Seu nome continuará sendo citado sempre que se falar em jornalismo político sério, em independência editorial, em compromisso com a notícia e em respeito ao leitor. As futuras gerações talvez não conheçam todas as dificuldades das antigas redações, das máquinas de escrever ou das longas noites de fechamento de jornal, mas certamente conhecerão o nome de um dos homens que ajudaram a escrever boa parte da história política de Sergipe.

Hoje não perdemos apenas um jornalista. Perdemos uma biblioteca viva da política sergipana. Perdemos uma memória que caminhava, conversava e escrevia todos os dias. Fica a saudade, ficam os ensinamentos e fica a gratidão por uma trajetória construída com ética, coragem e dedicação. Que Deus conforte seus familiares, seus amigos e todos os colegas de profissão. E que a imprensa sergipana saiba honrar aquele que fez do jornalismo não apenas uma profissão, mas uma verdadeira missão.

Texto reproduzido do site: faustoleite com br

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Jornalista Diógenes Brayner se foi, aos 79 anos...

Até os últimos dias, ele esteve mergulhado no oceano do jornalismo

Renata Brayner: “Brayner era meu coração, minha vida. 
Foram 22 anos juntos, a saudade vai ser grande"

Brayner e o reconhecimento: recebendo Prêmio Roberto Marinho de Mérito Jornalístico

Diógenes Brayner: um garimpador de ouro na apuração dos fatos

Publicação compartilhada do site JLPOLÍTICA, de 25 de Junho de 2026

Jornalista Diógenes Brayner se foi, aos 79 anos, mas deixou um legado de grande contribuição ao Jornalismo de Sergipe

Por Jozailto Lima (Coluna Aparte) *

Morreu na madrugada desta quinta-feira, 25, o jornalista, analista de política e proprietário do FaxAju, Diógenes Brayner, aos 79 anos. O decano do jornalismo político sergipano estava internado no Hospital da Unimed desde o início do ano após contrair uma pneumonia, mas vinha lutando também contra um câncer de pâncreas – causa atribuída pela família à sua morte.

Na madrugada, Brayner encerrou sua passagem física que foi marcada por muito vigor, importância de análises e grande contribuição para o Jornalismo sergipano. Para muitos, Diógenes Brayner é e continuará sendo um dos grandes nomes do jornalismo político em Sergipe.

Nascido na antiga Petrolândia, em Pernambuco, o jovem Brayner viu sua terra natal ser submersa para a construção da Barragem de Itaparica e aos quatros anos foi para João Pessoa, capital da Paraíba. Na adolescência, fincou raízes em Recife, onde descobriu o amor pelo Jornalismo.

“Fiquei alucinado e senti que o jornal, com as suas emoções diárias, era o melhor rumo profissional”, disse Brayner na Entrevista Domingueira concedida a Jozailto Lima em 2020. Ele sabia com exatidão a data em que mergulhou no oceano do Jornalismo, cheio de maremotos, peixes, tubarões e megalodontes: 2 de agosto de 1962. Era um imberbe, tinha apenas 15  anos.

Brayner foi funcionário do Banco do Brasil de Carpina, da Zona da Mata  de Pernambuco, quando decidiu cursar oficialmente Comunicação Social Universidade Federal de Pernambuco - UFPE – e no mesmo período entrou para o Diário de Pernambuco. Quando o BB o transferiu para Recife, Brayner saiu das salas de ar-condicionado das agências e entrou na vida calorosa e aguerrida do Jornalismo. E nunca mais o abandonou.

POR ACASO, EM SERGIPE - “De seis em seis meses vinha a Sergipe, em rápidas férias, buscar minha ex-mulher que era de Propriá, mas visitava sempre os pais e a família naquela cidade e em Aracaju”, lembrou Brayner na Domingueira.

É nesse vai e vem semestral que em 1982 Diógenes Brayner vem de Teresina, onde trabalhava no jornal O Dia, e aporta em Sergipe, e aqui, sob a visão do empresário Nazário Pimentel, é contratado para o Jornal de Sergipe.

“Ele disse que era jornalista. Eu disse: “Ótimo, muito bem, tem futuro”. O contratei. E eu estava certo”, relembra Nazário Pimentel, o primeiro chefe de Brayner em solo sergipano.

Brayner é pai de quatro filhos: Pablo, Aloma, Alanna e Anco Márcio de Figueiredo Brayner, e é avô de Giovanna Lobo Brayner, Guilherme Lobo Brayner, Maria Clara Brayner Mendonça e João Matheus Brayner Mendonça. Ele deixa viúva a empresária Renata Brayner.

Com mais de 60 anos de atuação, Brayner era considerado “um jornalista nato”, “um eterno foca”, “um símbolo do bom jornalismo”. As atribuições dadas a ele são diversas e quase unânimes. O criador do FaxAju conquistou admiradores de diversas vertentes, áreas e atuações.

PRIMOR DA INQUIETAÇÃO – Para o jornalista Valter Lima, que conheceu Diógenes Brayner no oficio jornalístico, o decano nunca se satisfez com a pouca informação.

“Ele era sempre aquela pessoa com quem eu compartilhava informação e a quem eu procurava para levar as informações das pessoas que eu assessorava. Eu considero ele uma pessoa muito querida, um amigo, a gente conversava. Ele sempre era muito solícito, sempre muito agradável, sempre muito disponível para mim”, diz Valter.

“Não sei escrever contra colegas, embora já tenha sido castigado por alguns deles. Nesse ponto, sou corporativista. Prefiro conversar e contornar os problemas a fragilizar a classe. Jamais me arvorei de ser jornalista. O anonimato facilita colher informação”, disse Brayner em entrevista a Jozailto Lima.

Mesmo com fama de brigão, ele reformulava esse adjetivo para a opção “intolerante em relação à alteração dos fatos”. Para Brayner, ser repórter é entender que não se pode criar mágoas e rixas com ninguém na sociedade.

O governador Fábio Mitidieri disse que Brayner foi “um amigo cuja presença sempre foi marcada pela atenção, pelo cuidado e pela generosidade”.

“Brayner conhecia como poucos os bastidores da política sergipana e, ao mesmo tempo em que exercia um Jornalismo firme e independente, fazia questão de cultivar amizades e defender aqueles por quem tinha estima”, disse o governador.

Diógenes Brayner: um garimpador de ouro na apuração dos fatos

“Brayner, quando chegou de Pernambuco, foi o primeiro repórter de Sergipe, de fato. Porque ele saía à cata da notícia. Eu cansei de chegar, de madrugada no aeroporto, e encontrar Brayner. Eu perguntava a ele: “Rapaz, o que está fazendo aqui a essa hora?” E ele dizia: “Tô esperando passar os políticos”, revela Luiz Eduardo Costa, que conheceu o jornalista nas idas e vindas do até então precário jornalismo político sergipano. “Ele era um catador de notícias. Isso não era comum no jornalismo sergipano, que era um jornalismo muito atrasado” completa Luiz Eduardo.

“Ele foi um dos colunistas políticos mais influentes. Teve um período que os políticos não saíam de casa ou não tomavam decisão sem ler a Coluna de Brayner. É uma lacuna muito grande no jornalismo porque ele tinha essa característica de garimpar notícias, de buscar notícias”, afirma o ex-prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira.

Brayner contou na Entrevista Domingueira que em sua contratação Nazário propôs que ele o ajudasse a “mudar o visual do Jornal de Sergipe e a modernizar a forma de redação e de como expor a notícia”.

“O Jornalismo sergipano era atrasado em técnica, em visão, em ação. Era o Jornalismo que, às vezes, só reagia ao fato. Ele não ia buscar o fato antes que o fato acontecesse. Com a chegada da visão do jornalismo moderno, que era dos Diários Associados, que tinha no Brasil todo, era a Globo da época, melhorou. Agora, o Brayner deu conteúdo a isso tudo, porque ele agia independentemente, e foi o primeiro modernizador”, reforça Luiz Eduardo Costa, destacando a importância de Brayner no jornalismo sergipano.

A CONSTRUÇÃO DE UMA REFERÊNCIA - Alguns podem e se tornam inspiração, outros conseguem escrever seu nome no livro dos grandes da sua profissão, outros ainda tantos podem e viram referências e referendam centenas de atitudes ao longo da carreia. É necessário dizer que José Diógenes Menezes Brayner subiria nesses três pódios com imensa facilidade.

“O nome dele carrega um peso que é como se ele evocasse uma imprensa de verdade em alguma medida. É como se, junto com o nome Brayner, viesse a assinatura dele, e um atestado de confiabilidade. Isso é ouro para um profissional do nosso ramo de atuação. Isso é o que existe, talvez, de mais relevante numa reputação profissional”, afirma Rian Santos.

Confiabilidade. Essa palavra pode definir o futuro do atual jornalismo que cada vez mais sofre alterações, remodelações e remanejamento de conceitos. O colunista Brayner nunca deixou de lado a visão de que jornalismo e verdade devem ser pleonasmo, e de que o que configura um jornalista é a confiança da fonte e dos leitores.

“Jamais deixei de publicar qualquer denúncia ou crítica contra mim. Se acho que é da boa imprensa publicar matérias críticas ou contra qualquer outro cidadão, por que não contra o órgão e o repórter não?”, disse ele na Entrevista.

“Brayner era sagaz e extremamente bem informado. Ele conquistava notícias exclusivas com a credibilidade construída ao longo de décadas e abriu caminhos para muitos profissionais da comunicação, compartilhando conhecimento e deixando uma marca de ética, responsabilidade e respeito no colunismo político sergipano”, disse Fábio Mitidieri.

“Brayner é uma referência para o jornalismo sergipano e um precursor em muitas coisas. Seja na própria leitura que ele fazia, que ele sempre fez da política sergipana, seja efetivamente experimentando novos formatos”, afirma Valter Lima.

Inquieto, insistente, inovador e capacitado, Brayner não descansava até descobrir o que acontecia não só por trás das portas do Palácio do Governo ou da Prefeitura de Aracaju, mas também dos mais longínquos municípios sergipanos e das mais simples Câmaras Municipais do interior. Era notícia. Porque a notícia faz o dia, a hora e a vida de qualquer repórter. “Ele parecia, apesar da experiência dele, com um foca que está sempre em busca da notícia. Por isso era um repórter autêntico”, reforça Nazário Pimentel

Rogério Carvalho sabe da importância e da magnitude de Brayner para a classe política sergipana e tratou de reconhecer isso em sua homenagem póstuma. “Ele foi uma grande referência da comunicação, um profissional que marcou gerações com sua dedicação e com o amor pelo jornalismo. Ele deixa um legado para imprensa e para a classe política sergipana e para os que acreditam na força da comunicação como instrumento de transformação social”, disse ele.

Rita Oliveira, que trabalhou com Brayner durante anos, nutre uma profunda gratidão e o considera seu “padrinho jornalístico”. “Eu agradeço a ele chegar onde eu cheguei, no jornalismo sergipano. Por quê? Porque eu era simplesmente repórter de cidade. Ele viu meu potencial jornalístico e me colocou na área de política”, diz ela.

No Jornal Gazeta de Sergipe, onde Brayner foi editor-chefe, a amizade entre ele e Rita se estabeleceu fortemente. Com o passar do tempo, o jornalista a chamou para ser colunista no jornal aos domingos.

“A coluna era chamada Debate, na Gazeta de Sergipe. Ele me botou na esfera do jornalismo político. Ele foi responsável por isso. Eu cheguei aonde eu cheguei graças a ele, pelo reconhecimento dele ao meu trabalho”, reforça Rita, numa fala que emenda gratidão com carinho e reverência.

“Eu acho que a grande característica de Brayner é a inquietação mesmo. Ele nunca se satisfez com uma única informação. Ele sempre foi aquele cara que procurou, que tentou encontrar as informações. E acho que por conta disso mesmo ele se tornou o que ele é, ou foi, e por isso ele sempre deu tantos furos no jornalismo, porque era um cara que sempre corria muito atrás, sempre desconfiava de tudo. E para um bom jornalista isso é fundamental” diz Valter Lima, que mesmo nunca trabalhando junto ao decano, sempre conversou e trocou experiências.

A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, afirmou que “Diógenes Brayner marcou o jornalismo sergipano com seu profissionalismo e dedicação” e que “isso é uma marca que poucos conseguem alcançar com a liberdade que ele tinha”.

“Eu acho que nosso campo profissional tem uma crise. A gente fala muito, por exemplo, da crise do papel, da crise do jornalismo impresso. Mas, na verdade, essa crise também passa pela falta de referência. Eu acho que a gente tem uma crise de falta de cabelos brancos, vamos dizer assim, porque a gente tem profissionais com o Luiz Eduardo Costa, tem o Brayner, o próprio Jozailto Lima. Só que parece que faltar às gerações mais jovens, vamos dizer assim, em algum nível, em alguma medida, saber do papel que esses profissionais desempenham e desempenharam na história da imprensa”, diz Rian Santos, sobre o impacto da longevidade do decano no jornalismo político em Sergipe

NASCE O FAXAJU - Em 19 de junho de 2007, Diógenes Brayner inova mais uma vez e lança o FaxAju Online. O novo portal trazia Brayner com a Coluna Plenário, que já era conhecida no site Infonet e que disparava via fax.

Na direção Comercial, Renata Brayner, a quem Diógenes não escondia o amor e a admiração. “Renata é minha namorada eterna. Conhecemo-nos em 2003 e nos casamos em 2006. Até hoje somos os mesmos e nos tratamos como se vivêssemos o primeiro encontro. Ela acompanhou toda a fundação do Portal FaxAju e se tornou diretora Comercial, e isso lhe confere importância diferente dos demais membros da equipe, inclusive eu”, disse ele ao Portal JLPolítica & Negócio.

Ao longo de 22 anos, Renata Brayner retribuiu o amor e a parceira, e hoje, diante do companheiro falecido, ela exalta o tempo que conviveram. “Brayner era meu coração, minha vida. Foram 22 anos juntos, a saudade vai ser grande. A gente se completava. Como ele mesmo dizia, era a notícia em primeiro lugar. Eu dizia: “Brayner, venha jantar. O jantar tá na mesa”, e ele dizia: “Renatinha, você não daria nunca pra ser jornalista, porque a notícia está em primeiro lugar. O jantar espera, a vida espera”. Eu ficava numa raiva danada”, rememora Renata, com os olhos afogados em lágrimas.

“O FaxAju era significativo porque era o sumário e a interpretação da política sergipana e uma projeção dos fatos que poderiam acontecer”, disse Luiz Eduardo Costa. O FaxAju ganhou corpo, forma e acompanhou a importância de Brayner.

“Não existia nem celular, nem rede social, então ele foi pioneiro na implantação do jornal, digamos assim, via fax. Ele foi pioneiro nesse sentido. Inclusive, cheguei a trabalhar também no FaxAju logo na fundação”, relembra Rita Oliveira.

“Eu costumo lembrar de várias declarações, de várias informações que foram dadas primeiras por ele. Marcelo Déda mesmo: eu sempre descobri uma informação nova que ele conseguia tirar do governador, por exemplo. Então é essa a referência que me vem e que me virá ao falar de Brayner”, conclui Valter Lima.

Nazário Pimentel coloca Brayner na condição de “uma figura extraordinária”. Ele fez muito pelo nosso desenvolvimento social. Foi uma pessoa que merece todo o nosso respeito, toda a nossa admiração”, diz.

O deputado estadual Luciano Pimentel reforça os elogios à figura do decano. “Brayner deixa um legado de dedicação ao jornalismo, compromisso com informação e relevantes contribuições para a comunicação do nosso Estado. A sua trajetória será lembrada pelo profissionalismo, pela credibilidade e pelo respeito conquistados ao longo de décadas de atuação”, disse ele.

O senador Alessandro Vieira afirmou que “Brayner foi um jornalista que dedicou a sua vida à comunicação e à informação com profissionalismo e compromisso com a verdade”. Para Edvaldo, Brayner escreveu importantes páginas do jornalismo político em Sergipe. “Ele era um inquieto. Ele estava sempre buscando a notícia. A notícia era o fio condutor da vida de Brayner”, disse ele.

Brayner sai de cena e deixa a grande lição. “Acho que reconhecer o erro é uma das virtudes de qualquer profissional de imprensa. Ninguém é infalível e pode cometer divulgação inexata da notícia. A correção e o pedido de desculpas passa a ser obrigação tanto de quem erra publicamente, quanto dos que erram até mesmo entre familiares, amigos, colegas e a sociedade como um todo”, disse ele na entrevista a este Portal. “Vá em paz, companheiro, e mande notícias do mundo de lá!”, escreveu hoje cedo o jornalista Jozailto Lima ao tratar sobre a morte de Brayner.

O Corpo do jornalista Diógenes Brayner está sendo velado no Velatório Osaf da Rua de Itaporanga em ato que perdura até as 15h. Depois disso seu corpo será remetido ao Crematório Vila da Paz no município de Itaporanga D'Ajuda.
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 * É jornalista há 43 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Com colaboração de Magno Montte Joaquim.

Texto e imagens reproduzidas do site: jlpolitica com br/colunas

Morre aos 79 anos, o jornalista Diógenes Brayner

Diogenes Brayner: aos 79 anos, fecha a conta, levado por um câncer de pâncreas

Artigo compartilhado do site JLPOLÍTICA, de 25 de Jun de 2026

Diógenes Brayner fechou a conta, mas nos deixou grandes lições em favor do Jornalismo

Por Jozailto Lima (Coluna Aparte)*

Ao morrer na madrugada desta quinta-feira, 25, aos 79 anos, o jornalista Diógenes Brayner já tinha nos deixado uma lição básica e elementar sobre o sacerdócio do jornalismo: a notícia é um trem vivo, deve ser tratada com respeito e nenhuma ideologia que a adultere deve repousar sobre ela.

A tradução real, líquida e certa disso é a de que nenhum noticiador deve se sentir superior à notícia. Muito menos aos personagens de quem ela trata.

Num tempo em que muitos dentro do mundo noticioso atuam para asfixiar a notícia, tirando o foco dela para si, sob o nome xaroposo e narcisista de digital influencer, o modus Brayner de ser constitui-se numa causa nobre. Numa causa de reação.

Era meritoso vê-lo, maduro e passado dos 70 anos, garimpando o ouro da apuração dos fatos com sua bateia de contatos, de liga-liga, de insistência. 

Brayner deixou cravado, neste seu modo de ser, algo bom e óbvio: a notícia sempre foi e sempre será fruto de apuração intensa. 

Quanto mais apuração, mais depurada e crível será a notícia. E não importa se você tem 70 anos e se comporta como um foca, um xereta iniciante. 

Às vezes, para ser grande e preciso, é necessário até se parecer um ingênuo. O exemplo de Diógenes Brayner, que às vezes gostava de umas turras em nome de uma boa investigação, é pra ficar numa galeria de comportamentos exemplares. 

Vá em paz, companheiro, e mande notícias do mundo de lá!

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 * É jornalista há 43 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Com colaboração de Magno Montte Joaquim.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolítica com br

Morre em Aracaju o jornalista Diógenes Brayner

Diógenes Brayner nasceu em Petrolândia (PE) e 
veio para Sergipe editar o Jornal de Sergipe

Publicação compartilhada do site DESTAQUE NOTÍCIAS, de 25 de junho de 2026

Morre em Aracaju o jornalista Diógenes Brayner

Vítima de câncer de pâncreas, morreu em Aracaju o jornalista Diógenes Brayner, 79 anos. O comunicador faleceu na noite dessa quarta-feira (24) e o corpo será velado no Velatório Osaf, devendo ser cremado às 15 horas, no Crematório Vila da Paz, localizado em Itaporanga d’Ajuda.

Diógenes Brayner nasceu em Petrolândia (PE), tendo construído grande parte da sua carreira na comunicação em estados do Nordeste. Fez faculdade de Comunicação no Recife, viveu uma diáspora larga antes de chegar a Sergipe – e isso inclui uma cidade no Mato Grosso do Sul, aonde aporta como bancário concursado do Banco do Brasil, emprego que depois ele largaria em nome da carreira profissional na comunicação.

O jornalista chegou em Sergipe há cerca de 40 anos para editar o Jornal de Sergipe, tendo depois se transferido para a Gazeta de Sergipe e o Correio de Sergipe. Durante anos, editava o portal Faxaju.

Entrevistado pelo jornalista Jozailto Lima, Brayner revelou ser “apenas e sempre um repórter e não considero que ser jornalista seja escrever artigos e comentários profundos. Geralmente quem se rotula de “homem de imprensa” por escrever e expor artigos e exibir intelectualidades não sabe escrever uma “nota de aniversário” e nem se interessa pelo dia-a-dia da informação” diz.

Governador e prefeita lamentam

O governador de Sergipe, Fábio Mitidideri (PSD), e a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), lamentaram a morte de Diógenes Brayner:

Mitidieri disse que recebeu “com profunda tristeza a notícia do falecimento do jornalista Diógenes Brayner, um amigo cuja presença sempre foi marcada pela atenção, pelo cuidado e pela generosidade. Descanse em paz, meu amigo. Que Deus, em Sua infinita misericórdia, o receba de braços abertos e conforte o coração de todos os seus familiares, amigos e colegas de profissão. Recebam o meu abraço e as minhas sinceras condolências”.

Já a prefeita afirmou em nota que “neste momento de dor, a prefeita Emília Corrêa e a secretária municipal da Comunicação Social, Gleice Queiroz, solidarizam-se com familiares, amigos e colegas de profissão, expressando as mais sinceras condolências e reconhecendo a inestimável contribuição de Diógenes Brayner para a história do jornalismo em Sergipe”.

Texto e imagem reproduzidos do site: destaquenoticias com br

domingo, 21 de junho de 2026

Stênio Gonçalves: o mestre das artes gráficas...


Post compartilhado do Perfil do Facebook/Carlos Magno Andrade Bastos, de 20/06/2026

Stênio Gonçalves: o mestre das artes gráficas que deixa um legado eterno em Sergipe

O setor gráfico sergipano amanheceu mais silencioso. A partida de Stênio Gonçalves, fundador da J. Andrade, deixa uma lacuna difícil de ser preenchida. Não apenas por ter sido o maior empresário da indústria gráfica de Sergipe, mas porque sua trajetória ajudou a escrever a própria história da comunicação impressa do Estado.

Ao longo de décadas, jornais, revistas, livros, catálogos, informativos e as mais diversas publicações passaram pelas mãos de uma empresa que se tornou referência em qualidade, inovação e compromisso. Sob sua liderança, a J. Andrade construiu o maior e mais moderno parque gráfico de Sergipe, transformando-se em um polo de excelência que ultrapassou as fronteiras do Estado e conquistou clientes em todo o Nordeste.

Stênio sempre acreditou que a tecnologia deveria caminhar ao lado da competência. Por isso, esteve à frente das grandes transformações do setor gráfico, investindo continuamente em equipamentos de última geração, na qualificação de sua equipe e na busca permanente pela excelência. Graças a essa visão empreendedora, a J. Andrade tornou-se uma das mais respeitadas gráficas da região.

Mas falar de Stênio Gonçalves apenas como empresário seria uma enorme injustiça.

Para mim, ele foi um verdadeiro mestre.

Foi com ele que aprendi muito do que sei sobre o universo das artes gráficas. Em cada livro que publiquei, em cada edição do Jornal Papagaio, da Revista Papagaio e em tantas outras publicações ao longo da minha vida profissional, encontrei nele um parceiro, um conselheiro e um incentivador. Nunca mediu esforços para compartilhar conhecimento. Sempre tinha uma orientação, uma sugestão técnica, uma palavra amiga.

Era um homem profundamente humano. Acolhia colegas, clientes e colaboradores com respeito e simplicidade. Carregava consigo marcas que hoje parecem cada vez mais raras: lisura, honestidade, ética e um amor quase artesanal pelo seu trabalho. Não fazia apenas impressos; ajudava a transformar ideias em obras que permaneceriam para sempre.

Seu legado também se confunde com o desenvolvimento econômico de Sergipe. Como industrial do setor gráfico, gerou empregos, impulsionou a modernização da indústria e projetou o nome do Estado através da qualidade dos serviços prestados. Empresas de diversos estados nordestinos buscavam a J. Andrade pela confiança conquistada ao longo de décadas de dedicação.

A morte de Stênio Gonçalves representa uma perda irreparável para a indústria gráfica sergipana e nordestina. Sua ausência será sentida por escritores, jornalistas, publicitários, editores, empresários e todos aqueles que tiveram o privilégio de trabalhar ao seu lado.

Entretanto, homens como Stênio não desaparecem completamente. Permanecem vivos nas páginas dos milhares de livros que ajudou a imprimir, nas revistas que circularam pelas mãos de gerações, nos jornais que registraram a história de Sergipe e, sobretudo, na memória daqueles que aprenderam com sua competência e grandeza humana.

Minha gratidão será eterna.

Descanse em paz, meu amigo. Seu nome continuará impresso, para sempre, na história das artes gráficas de Sergipe.

Post reproduzido do Perfil do Facebook/Carlos Magno Andrade Bastos

Morre o empresário Stênio Andrade


Publicação compartilhada do site RADAR SERGIPE, de 20 de junho de 2026

Morre o empresário Stênio Andrade, dono da Gráfica J. AndradeO sepultamento será à tarde, neste sábado 20 de junho

Por: César Cabral 
Fonte: Redação

Morreu neste sábado, 20 de junho, o empresário sergipano Stêncio Gonçalves Andrade, proprietário da Gráfica J. Andrade, uma das mais tradicionais do estado de Sergipe.

Por mais de sessenta anos, Stênio se dedicou ao trabalho gráfico, tornando-se uma referência do setor pela qualidade dos serviços, pontualidade na entrega das encomendas e no fino trato com a sua clientela.

Durante muitos anos, quando se fazia campanha política de verdade neste país, nesse período pré-eleitoral, a sua empresa ficava abarrotada de políticos que procuravam pelos serviços qualificados que a Gráfica J. Andrade produzia. Cartazes em vários tamanhos, folderes, santinhos, adesivos e outros similares eram encomendados com a certeza da entrega na data combinada e com a qualidade inigualável que caracteriza a empresa.

Políticos de todos os partidos, de todas as regiões de Sergipe e até de outros estados que disputavam os mais diferentes cargos eletivos, batiam na porta da Gráfica J. Andrade para fazer orçamentos e fechar os contratos. Com muita paciência, Sténio atendia um a um, com a mesma serenidade e de forma educada, mesmo aqueles que, de antemão, ele sabia que não tinham condições financeiras para contratar os serviços. 

Sergipe perde um empresário sério, um homem probo, sinônimo de honstidade, bom caráter e empreendedor por excelência.

O velório está previsto para começar às 12 horas, no Cemitério Colina da Saudade, onde será sepultado às 15 horas.

Texto e imagens reproduzidos do site: radarse com br

sábado, 20 de junho de 2026

Morre aos 82 anos Stênio Andrade, da Gráfica J. Andrade


Publicação compartilhada do site JLPOLÍTICA, de 20 de Junho de 2026

Morre aos 82 anos Stênio Andrade, da Gráfica J. Andrade

Por Jozailto Lima (Coluna Aparte)

Velório e sepultamento acontecem neste sábado, 20, no Colina da Saudade

Morreu na madrugada deste sábado, 20, aos 82 anos, o empresário Stênio Gonçalves Andrade, um dos nomes mais importantes do setor gráfico em Sergipe à frente da Gráfica J. Andrade. O velório acontece a partir das 12h, no Cemitério Colina da Saudade, no Bairro Jabotiana, em Aracaju. O sepultamento está previsto para as 15h.

O filho dele, Rodrigo Andrade, informou que Stênio enfrentava problemas cardíacos e vinha sendo acompanhado pela família. “Ele descansou enquanto estava no seio da família. Foi uma passagem tranquila”, afirmou.

HISTÓRIA - Nascido em 9 de setembro de 1943, Stênio Andrade dedicou grande parte da vida ao desenvolvimento da empresa fundada por seus pais, Jesonias Andrade e Maria Gonçalves Andrade, em 1964. 

Inicialmente responsável pela área comercial da gráfica, ele ajudou a consolidar o negócio ao lado dos irmãos Clóvis Gonçalves Andrade e José Augusto Gonçalves Andrade. Sob sua atuação, a J. Andrade tornou-se uma das principais gráficas do estado, ampliando sua estrutura e investindo em um parque gráfico moderno. 

Ao longo das décadas, a empresa também ganhou reconhecimento por abrir espaço para autores sergipanos e contribuir para a circulação da produção literária local. “Com sua arte de imprimir, Stênio Andrade e a família dele vincaram fortemente a cultura de Sergipe", destacou o poeta e jornalista Jozailto Lima.

"Lembro-me de ter sido muitíssimo bem tratado por ele e por seus colaboradores na impressão do meu quarto livro, ‘Viagem na Argila’, em 2012, que me levou à reimpressão por duas outras vezes ali mesmo, passando de 3,3 mil exemplares, algo raro em se tratando de uma publicação de poesia”, completou Jozailto.

O LIDE Sergipe - grupo de líderes empresariais sergipanos - emitiu uma nota de pesar pelo falecimento do empresário, destacando a trajetória de Stênio. "Sua visão empresarial, compromisso com a qualidade e a incansável capacidade de trabalho deixaram um legado marcante". 

A Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas - ADCE - entidade que já teve Stênio Andrade como vice-presidente, também lamentou a perda. "Durante sua passagem pela ADCE, marcou nossa história com visão, fé inabalável e um amor genuíno ao próximo".

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Jozailto Lima - É jornalista há 43 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Com colaboração de Magno Montte Joaquim.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica com br

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Edições regionais de O Pasquim em SP e RS (acervo digital)

O Pasquim: sátira e política Fotos: Agência Brasil

O saudoso cartunista Jaguar, um dos fundadores do Pasquim Divulgação

Publicação compartilhada do site do JORNAL DO BRASIL, de 15 de junho de 2026

Edições regionais de O Pasquim em SP e RS ganham acervo digital

Por JORNAL DO BRASIL (redacao@jb.com.br)


Por Denise Machado - Abertura política no país, lançamento do Plano Cruzado, fim da fabricação do fusca, acidente radioativo em Chernobyl. Foi em meio a esse cenário que, em 1986, os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul ganharam edições regionais de O Pasquim.

O periódico, que havia se consolidado no Rio de Janeiro em plena ditadura militar, com uma linha editorial irreverente, crítica e, não raro, censurada, passou a falar com o sotaque desses dois estados por um curto período de tempo.

Para celebrar essa história, que completa quatro décadas, as 114 edições regionais do Pasquim foram digitalizadas e colocadas à disposição dos leitores na Biblioteca Nacional Digital. O acervo já incluía as 1.072 edições cariocas do jornal alternativo.

Quando surgiu a ideia de levaro Pasquim para São Paulo e para o Rio Grande do Sul, o tabloide já não tinha mais a relevância que teve nos anos 60 e 70. Dois jornalistas tomaram lideraram o projeto, movidos pela admiração que sentiam por essa que foi uma das marcas do jornalismo brasileiro.

Em São Paulo, o jovem Paulo Markun embarcou na aventura (definição dele próprio), levando consigo Manoel Canabarro e apoiado por Dante Matiussi.

Assim que soube que o jornal se abriria a outros mercados, Flávio Braga pegou um ônibus do Rio Grande do Sul rumo ao Rio de Janeiro, disposto a convencer o cartunista Jaguar na época, diretor de O Pasquim a autorizar uma sucursal gaúcha.

Flávio acredita que as pessoas podem até saber da importância do Pasquim, mas dificilmente têm a real dimensão do que ele significou para toda uma geração.

O jornalista exalta o papel transgressor expresso em artigos e entrevistas comandadas por nomes como Millôr Fernandes, Tarso de Castro, Sergio Cabral, Ruy Castro e Paulo Francis, além das charges e caricaturas de Jaguar, Henfil, Ziraldo. Tudo entremeado de palavrões, sátiras políticas e contracultura. "E isso em plena ditadura militar", pontua.

Pautas locais com a mesma irreverência

Uma das particularidades das edições regionais era a pauta. Os assuntos tratados eram locais, ainda que, eventualmente, utilizassem entrevistas e reportagens da matriz carioca.

No Sul, o Pasquim manteve o tom satírico para, por exemplo, falar do típico "macho sulino", o que provocou confrontos e debates, lembra Flávio.

Já em São Paulo, espelhou a "efervescência política, fruto do fim da ditadura, que tinha acabado pouquíssimo tempo antes", diz Markun.

As edições regionais expuseram também aspectos comportamentais típicos da contracultura e que eram muito mais visíveis no Rio de Janeiro, como, por exemplo, a liberdade sexual e o uso recreativo de drogas.

As sátiras políticas, responsáveis por boa parte do sucesso de O Pasquim, encontraram em políticos como Paulo Maluf um prato cheio. Governador do estado de São Paulo e, por duas vezes, prefeito da capital, Maluf não tinha o apoio político de nenhum dos colaboradores na regional paulista.

"Todos eram contra o Maluf. Tinha os defensores do Eduardo Suplicy, que era do PT, do Orestes Quércia, que era do PMDB, e até do Antônio Ermínio de Moraes, que era, na época, do PTB, um empresário candidato pelo Partido Trabalhista Brasileiro, veja só", conta Markun.

Outra das particularidades de O Pasquimem suas edições regionaisfoi dar relevância ao trabalho de cartunistas e jornalistas locais. Em São Paulo, Markun, cita nomes como Marangoni, Régis, Laerte, Jau (Jaguar), Jô Soares, Augusto Nunes, Gabriel Priolli, Alberto Dines e Fernando Morais.

Aliás, os dois tiveram uma briga pública no Pasquim São Paulo, por conta da defesa de seus candidatos a governador", conta sobre Dines e Morais.

No Rio Grande do Sul, Flávio lembra: "Edgard Vasquez, que até hoje continua desenhando, Santiago, Bier (Augusto Franke Bier), Canini (Renato Vinícius Canini), o jornalista Reverbel e muitos outros. O jornal não existiria sem eles".

Sobrevivênciano pós-ditadura

A subsistência financeira, crucial para qualquer publicação ontem e hoje, foi um dos aspectos determinantes para que O Pasquim durasse pouco mais de um ano, tanto em São Paulo quanto no Rio Grande do Sul.

No Sul, a redação ficava em Porto Alegre, e o tabloide se sustentou com parcerias estratégicas e anunciantes de peso, como a extinta companhia aérea Varig.

Em São Paulo, diz Markun, os anunciantes não eram muitos, e a venda avulsa era razoável, mas aquém do necessário.

"Havia muita gente que ainda resistia à ideia de anunciar no Pasquim, por conta do passado mais irreverente", analisa Markun.

"Os cenários eram diferentes: no tempo da ditadura, o Pasquim foi um tal êxito de vendas que não foram os anúncios que deram dinheiro, foi a venda avulsa.Ele vendia 200 mil exemplares, um número impressionante", pontua.

Para Markun, a falta de clareza sobre qual seria o papel de um jornal alternativo, finda a ditadura, foi outro aspecto que tornou a sobrevivência das edições regionais difícil.

"A imprensa tradicional já abria espaço para debates e discussões anteriormente proibidas, então, sobrava uma franja muito reduzida para a gente operar".

Digitalização

Esta semana, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) manteve, por unanimidade, a decisão que obriga uma produtora cultural a devolver à União R$ 812 mil captados por meio da Lei Rouanet, para o projeto de digitalização de O Pasquim.

A produtora já tinha sido condenada em primeira instância pela Justiça Federal no Rio de Janeiro. O projeto havia sido aprovado pelo Ministério da Cultura e recebeu patrocínio da Petrobras.

O problema surgiu na hora da prestação de contas, já que não foi comprovado que todo o acervo do jornal seria disponibilizado gratuitamente na internet.

Já a digitalização do acervo pela Biblioteca Nacional foi coordenada de forma voluntária pelo corretor de seguros Fernando Coelho dos Santos, outro admirador de O Pasquim, além de amigo de vários dos jornalistas e cartunistas que fizeram a fama do jornal.

Depois que se aposentou, em 2016, Fernando trabalhou gratuitamente na digitalização do acervo original, das edições cariocas, e também coordenou uma exposição no SESC no cinquentenário do jornal, em 2019.

Em seguida, o admirador do periódico alternativo trabalhou nas edições regionais de São Paulo e Rio Grande do Sul em conjunto com a Biblioteca Nacional, em um extenso trabalho de "formiguinha", que incluiu desde a reunião do material até a operacionalização técnica. De todas as edições publicadas regionalmente, faltou digitalizar apenas duas, que o corretor não conseguiu encontrar.

"Hoje, o site do Pasquim dentro da Biblioteca Nacional Digital tem 100% do principal e 98% das duas franquias. E as franquias são uma coisa inédita, porque muitas pessoas não se lembram que elas existiram", conta.

Segundo Fernando, o trabalho foi uma espécie de doação. "Eu doei minha parte para essa história ficar. Tem tanta história! E fico muito feliz da Biblioteca Nacional Digital ter apoiado a ideia e ter ido além, porque o site é o único que tem tudo de um periódico que marcou época e é um dos mais importantes do Brasil".

Quem quiser saber mais sobre como era e o que significou O Pasquim, tanto nas edições originais, quanto na das franquias regionais, pode acessar o endereço. (com Agência Brasil)

Texto e imagens reproduzidos do site: www jb com br/brasil/imprensa