sábado, 18 de fevereiro de 2017

A imprensa do arco da velha


Publicado originalmente no Facebook/Amaral Cavalcante, em 17/02/2017.

A imprensa do arco da velha.

O primeiro jornal que eu conheci foi o Jornal “A Semana”, de Simão Dias. Escrito, editado, ilustrado e impresso pelo jornalista Zeca Déda, era produzido no antigo processo tipográfico: cada linha era pacientemente composta com seus respectivos espaços e pontuações, a partir de letras de chumbo separadas por fontes e tamanhos em centenas de escaninhos dispostos em gavetas.

Já em Aracaju, o primeiro jornal onde eu trabalhei foi o “Sergipe Jornal” que fora do Jornalista Paulo Costa e houvera sido comprado por José Carlos Teixeira. Era editado, então, por Edmundo de Paula e composto, ainda, por tipos móveis e impresso numa velha máquina apelidada de “perereca”, zuadenta e estrambólica. O Sergipe Jornal, vendido ao grupo “Diários Associados”, de Assis Chateaubriand, deu lugar ao “Diário de Aracaju”, editado por Raymundo Luiz da Silva e já em processo de linotipia. A máquina Linotipo, inóspita e barulhenta, era como um dragão de sete cabeças vomitando os lingotes de chumbo que, devidamente empilhados, formatavam a página matriz para a impressão do jornal.

A Linotipo

Agora imaginem vocês a Linotipo, um monstrengo de ferro alimentado com chumbo derretido a não sei quantos graus, chiando e bufando fedores num ambiente exíguo e sem ventilação, enquanto movia hastes e alavancas como um transformer louco, para, depois de tanta zuada, cuspir apenas um lingote de letras formando uma frase, na bandeja final. Uma tirinha de chumbo onde se lia: “ na tarde dessa quinta feira o meliante”... O calor era tanto e tão grande o stress nas oficinas que os linotipistas só trabalhavam tungados na cachaça. Os vapores do chumbo abreviaram a vida de muitos deles.

Depois, esses lingotes eram acomodados em uma bandeja de ferro com travas delimitando o espaço da página e, ali, formavam a uma coluna de chumbo com a matéria. Os títulos ainda eram compostos com letras tipográficas e as lustrações, em forma de clichê, gravadas com ácido numa placa de zinco e pregadas depois num suporte de madeira para alcançar a altura dos lingotes. Cada jornal tinha a sua clicheria com fotos das principais autoridades já devidamente montadas, para uso eventual. Era caro produzi-los e não era todo dia que a clicheria dispunha de material para tanto. Assim, eram constantemente usados os mesmos clichês para ilustrar matérias diversas.

Não era raro trocarem-se os clichês, muitos deles meio apagados pelo uso constante. Na Gazeta de Sergipe, certa vez, publicaram o clichê do piedoso arcebispo D. Brandão ilustrando a notícia sobre a fuga de um “perigoso meliante”. O clicherista miope foi demitido.

Pronta a página com os lingotes de chumbo devidamente arrochados e os clichês colocados na altura certa, a tarefa era levar até a Perereca impressora o pesado trambolho, sem o desmanchar. De lá saia o jornal nosso de cada dia.

A modernidade gráfica foi implantada entre nós por Nazário Pimentel e Ivan Valença, no avançado “Jornal da Cidade”, composto em máquina IBM de esfera e impresso em Off-Set.

Amaral Cavalcante - 2004.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Amaral Cavalcante.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Bemvindo Sales de Campos (1928 - 2010)

Foto: César Oliveira.

Publicado originalmente no site Osmário Santos, em 17/05/2010.

Com boas histórias: Bemvindo Sales, um jornalista da pesada.
Por Osmário Santos.

Bemvindo Sales de Campos Neto nasceu em 23 de setembro de 1928, na cidade do Rio de Janeiro, sendo filho de João Sales de Campos e Odete Ferreira Sales.

O pai foi durante muitos anos administrador da mesa redonda da cidade de Estância, fiscal de renda do Estado e fundador do Ipes.

Um homem extraordinário na concepção de Bemvindo, que era compositor, boêmio, poeta, cantor e muito liberal. Um homem, que pela sua veia revolucionária na revolução comandada por Maynard Gomes, foi preso, fugindo posteriormente para o Rio de Janeiro, onde conheceu a sua Odete, vindo da união o carioca, apenas de nascimento, Bemvindo de Sales Campos Neto.

Hoje em vida, o filho aplica a honestidade tão bem passada por memoráveis lições. “Meu filho,
por amor de Deus, não tire um tostão do palácio pra você”.

Por ter sua mãe morta quando tinha um ano de idade, Bemvindo não possui nenhuma lembrança dela.

Um ano após a morte da mãe, veio morar em Aracaju com seus avós, chegando no ano de 1929. Uma infância cheia de peripécias, deliciando-se da brisa do Ivo do Prado, quando morava na fundição, onde hoje é a Capitania dos Portos. Ali tinha duas casinhas iguais e, adiante, tinha uma fundição, onde produzia trabalhos em ferro e bronze para embarcações. Da Capitania dos Portos até o Cotinguiba, naquela época, chamava-se Fundição. De lá até a praia 13 de Julho, chamava-se O Carvão e Praia Formosa.

Na idade de ir para a escola, em vista do casamento do pai, já retornando a Sergipe, sem mais impedimentos políticos, foi morar com ele, na cidade de Estância.

Não se lembra da primeira professora, mas tem grandes recordações da famosa professora Maroca Monteiro, do Colégio Camerino, que recebia em Estância alunos vindos de todo o Estado, por sua capacidade de educadora, dizendo que foi ela responsável por um bem feito curso primário, reforçando no 4º ano, com os ensinamentos da professora Ofenísia Soares Freire, prima de sua madrasta.

Em Aracaju, veio fazer o curso ginasial, estudando três anos no Colégio Tobias Barreto e um ano no Colégio Atheneu Sergipense.

Foi sargento

No Tobias, dirigido pelo professor Zezinho Cardoso, que funcionava em esquema militarizado, foi sargento e rebaixado a cabo quando foi flagrado com a mão na botija. “Uma vez o professor Zezinho me pegou roubando uma manga rosa e daí fiquei como cabo”.

Concluiu o curso ginasial no ano de 1944, indo morar em Propriá junto ao pai, que tinha sido transferido para aquela cidade por motivo de trabalho.

Resolveu deixar os estudos para enfrentar o trabalho, com primeiro emprego na Exatoria, como
ajudante de despachantes. Depois, foi encarando o trabalho numa boa, sempre com o gosto de experimentar algo de novo. Foi representante comercial, vendendo material químico, indo parar no ramo de sal da Usina Mangaba, de Nestor Dantas, irmão de Orlando Dantas. Vendia em Sergipe, Alagoas e Bahia. O sal era transportado por navio e trem.

Vendedor esperto, ainda construiu um depósito em Propriá, dando-se bem até que o Rio Grande do Norte entrou no mercado de sal, acabando com o sal de Sergipe e deixando Bemvindo a ver navios.

Em Propriá, ainda no tempo das vacas gordas, de muito sal, escrevia coisas bonitas para as meninas, até que num certo dia resolveu publicar uma de suas crônicas de amor, que resultou os primeiro trabalho na imprensa de Sergipe, através do Correio de Propriá, um dos jornais mais antigos do interior de Sergipe, que foi fundado por Domúsio de Aquino, famoso político sergipano de Propriá, que foi deputado, sendo um dos republicanos fervorosos. O jornal ainda existe, sendo dirigido por Jaime Laudário, que está velhinho, mas continua firme no jornalismo, lutando e mantendo o jornal. “É um herói”. Saindo do sal foi ser vendedor de Eliezer Góes onde viajou por todo o são Francisco, vendendo perfume e calçados.

Foi escrivão de polícia

Vindo até Aracaju para participar de Congresso Eucarístico, ficou na casa da tia, quando passou a sentir saudades do tempo em que pintava e bordava na cidade. Não resistindo, após o evento religioso, resolveu trabalhar no comércio de Aracaju, conseguindo emprego na maior barbada com a firma Preço Fixo, que funcionava onde hoje é a esquina Ric, na rua Itabaianinha, na função de balconista.

Depois, foi trabalhar na firma J. Carneiro, na rua São Cristóvão, vendendo produtos farmacêuticos. Sempre na procura do melhor, foi ser representante de Hercílio Prado Almeida, chegando tempos depois, na Polícia civil, como ajudante de escrivão, graças ao amigo de Própria, Paulo Xavier de Andrade Moura, que era o chefe de Polícia da época. Dois anos depois chegou em casa com um revólver bonito no quarto. “Meu pai perguntou o que era. Quando disse que era uma arma, ele mandou que eu, imediatamente voltasse para devolve-la e para pedir demissão, pois não queria me ver como pistoleiro, nem como investigador”.

Dos inquéritos em que participou como ajudante de escrivão, não pode deixar de falar aos relacionados com defloramento, por despertar-lhe uma atenção especial. Eu assistia aos exames médicos de defloramento, quando acontecia os exames das meninas que vinham do interior, desvirginadas pelos malandros. O médico fazendo exame, eu aqui olhando e datilografando o que ele ditava (risos). Saindo da Polícia civil, com ajuda do pai, que era amigo do Dr. Marcos Freire de Jesus, um dos grandes administradores de Aracaju, tendo sido presidente da Assembleia Legislativa, governador interino, deputado federal e prefeito de Aracaju, Bemvindo foi nomeado encarregado do expediente da Câmara Municipal de Aracaju, onde fez carreira, saindo como diretor.

Sendo ligado à família Alencar por laços de afetividade, recebeu de Alencar Filho o convite para ser o seu assistente no gabinete do então prefeito Godofredo Diniz Gonçalves. Com o golpe de 64, Alencar saindo do cargo, Bemvindo assume o cargo de gabinete do prefeito, o equivalente hoje a secretário geral da prefeitura. Tempos depois, foi nomeado por Godofredo como secretário de Administração Geral.

Com a posse de Lourival Baptista no governo de Sergipe, não recusou o convite do governador e foi nomeado secretário de imprensa, administrador do Palácio Olímpio Campos, controlador de verbas e assistente técnico do governo. Uma façanha e tanta. Bemvindo, mostrando os dentes e o seu largo sorriso diz: “Exerci quatro cargos e só ganhava por um, por proibição da lei”. Após saída de Lourival do governo, voltou para a Câmara de Vereadores, mas logo foi requisitado pelo Tribunal de Contas. Assim aconteceu por ter feito concurso para escrivão e conquistado o 1º lugar.

Sendo sempre requisitado, foi nomeado secretário de Imprensa de governo José Rollemberg Leite, continuando como assessor de Imprensa do governo Augusto Franco, quando foi aposentado como escrivão efetivo do Tribunal de Contas.

Com João Alves assumindo o governo do Estado, foi nomeado assessor de Imprensa, continuando na função no governo de Antônio Carlos Valadares. No Tribunal de Justiça, também trabalhou como assessor de Imprensa, voltando no segundo governo de João Alves, com a Assessoria de Imprensa, com toda sua experiência de jornalismo no serviço público.

Jornalismo

No Jornalismo, uma outra história, que inicia em Aracaju, no tempo em que trabalhava na Polícia Civil, quando fez amizade com um dos políticos responsáveis por um dos jornais de circulação da época.

Havia aqui três jornais: o do PSD, que era do governo, chamado Diário de Sergipe, o jornal de Paulo Costa, Sergipe Jornal, que era o balanço nem de um lado, nem de outro, pois era imparcial, e existia o jornal da UDN, que era o Correio de Aracaju. “Fui escrever uma coluna no Diário de Sergipe, do PSD, que dei o nome de Chumbo Muído atendendo convite do Dr. Marcos Ferreira de Jesus”.

Atuou no jornal O Nordeste, pertencente a Francisco de Araújo Macêdo, que era presidente do Partido Trabalhista Brasileiro, Sempre com os bolsos limpos, foi escrever a Gazeta Socialista de Orlando Dantas, que tinha sua redação na rua são Vicente. Era o responsável da coluna literária.
Bemvindo conta que na Gazeta Socialista, só escrevia o que era ligado ao partido. Seu Orlando, Antônio Garcia, José Rosa, Hildegardes, Astrogélio Porto, Bandinha, fazendo esporte e outros intelectuais da época.

Convidado por Hugo Costa escreveu no Sergipe Jornal. Sempre cotado, passou pelo jornal da UDN, Correio de Aracaju. Os diretores eram: Fernando Franco e Gilton Garcia. No Correio de Aracaju Bemvindo trabalhou como diretor gerente. O jornal combatia Seixas Dória.

Passagem pelo rádio

Bemvindo também registrou passagem no rádio sergipano, trabalhando como produtor de programas na Rádio Cultura. “Trabalhei uns três anos, tendo produzido vários programas: Radioscope, Arraial da Panelinha, Encantamento e outros que não me lembro mais.

Como secretário de Imprensa foi diretor da Rádio Difusora por algumas vezes, por ocasião das viagens do diretor Santos Santana. Na Revista Alvorada, trabalhou por cinco anos, como diretor cultural. No polimento da memória pela sua passagem em jornais de Aracaju, lembrou-se a tempo de dizer que no seu tempo de estudante, fez o jornal O Imparcial. Já adulto, tentou reeditá-lo e não deu certo. No Tribunal de Justiça, editou três revistas, e era o responsável pelo Diário Oficial do Tribunal. “Hoje não tem, mas na minha época tinha. Saía na primeira página a foto do presidente, dos desembargadores, recebendo autoridades, numa solenidade.

Editou o Álbum de Sergipe nos anos de 89 e 90. Pouca gente em Sergipe conhece. Participou da Revista de Aracaju, que foi editada por ele, Hugo Costa e Santos Santana. Escreveu crônicas na Gazeta de Sergipe, Jornal da Manhã, escrevendo atualmente na Folha da Praia, com muita leveza.
Considera memorável o período em que foi eleito presidente da Associação Sergipana de Imprensa, quando passou a conviver mais com colegas de profissão. Gostou tanto que promete, na saída de Elito Vasconcelos, sair candidato, com força e disposição total.

De feito como jornalista que considera um marco, foi quando fez uma entrevista com o senador Leandro Maciel. Aconteceui em plena revolução, quando todo mundo tinha medo das Forças Armadas, Exército, principalmente. “Perguntei a ele se podia fazer umas perguntas para revista Alvorada. Ele me respondeu: Perfeitamente. Quando perguntei se me respondia tudo que perguntasse, também me respondeu com o seu perfeitamente Aí fiz a entrevista, onde ninguém naquela época respondia nada, pois todo mundo tinha medo. Preparei as perguntas mostrei ao diretor da revista, Hildebrando, o Bandinha, levei e Leandro me respondeu todas. Tinha uma que era a seguinte: O Senhor acha que a revolução já cumpriu o seu papel e que os militares devem voltar aos quartéis? Ele me respondeu: Perfeitamente, é uma boa pergunta, é isso mesmo que eu penso, pois já é tempo dos civis voltarem a tomar conta do Brasil. Isso foi um sucesso na época”.

Cabarés

Na vida noturna de Aracaju, Bemvindo sempre foi bem vindo pelas mulheres, quando era um dos bons dançarinos de tango, dos cabarés de Aracaju. Das mulheres da noite que fizeram sucesso, ele se lembra muito bem: Maria Pernambucana, uma mulher lindíssima, que os homens pagavam rios de dinheiro e ela só iria com quem bem queria. China, uma outra mulher bonita. “Nessa época eu era bonitão e dinheiro era para os bestas, os velhinhos. Comigo a conversa era outra, pois eu ia com muito carinho”.

Uma outra lembrança, vem de uma chácara no bairro Santo Antônio freqüentada pelos homens da alta sociedade sergipana. A chácara era de Agrepino Leite, que construiu uma casa belíssima. Quando ele morreu, os filhos venderam e o seu proprietário alugou a Nelson de Rubina, que fez um senhor cabaré chamado Rancho Alegre. Era um cassino onde só tinha mulheres da Bahia e do Rio de Janeiro.

Família

Casou com Maria Aliamor ribeiro, com mais de 25 anos de união, tendo dois filhos: João Mário e Odete. É avô de dois netos.

Texto reproduzido do site: usuarioweb.infonet.com.br/~osmario

A Cruzada foi um jornal sergipano criado em 1918...

A Cruzada foi um jornal sergipano criado em 1918 pela Igreja Católica. Publicado até fins da década de 1960, teve duas fases: - a primeira vai de 1918-1926 e a segunda de 1935-1969. Esta fase passou por uma interrupção no final do ano de 1963, retornando em 1965
(SALES, 2005).

Fonte:
A imprensa em Sergipe: notas sobre o jornal católico “A Cruzada” .
Rozendo de Aragão SÁ. Estudante de graduação, 5º período de Jornalismo. Universidade Tiradentes/SE. rozendoaragaosa@hotmail.com GT: História da Mídia Impressa
Ronaldo Nunes Linhares. Professor de Jornalismo da Universidade Tiradentes/SE.
ronaldo_linhares@unit.br GT: História da Mídia Impressa.

Texto reproduzido do site: ufrgs.br
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Imagem reproduzida do site: hotelpalacetur.tumblr.com
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Jornalista e promotor sergipano Paulo Costa (1912-1961)


Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 04/07/2012.

Centenário de Paulo Costa (2012).

Por Araripe Coutinho/JornaldaCidade.Net

O jornalista e promotor sergipano Paulo Costa (1912-1961)...

Homenageado nas comemorações do seu centenário de nascimento com o livro Paulo Costa em seu tempo – crônicas publicadas no Sergipe-Jornal. O Dr. Paulo Costa começou a sua vida pública como promotor em Maruim sendo promovido depois a segundo promotor público da capital. Era substituto do procurador regional da República neste Estado e dirigia o Sergipe-Jornal, órgão de sua propriedade. Exerceu o magistério por longo tempo, em estabelecimentos oficiais de ensino médio.O livro que será lançado em novembro, Paulo Costa em seu tempo – crônicas do Sergipe-Jornal (pesquisa, organização e texto do jornalista e pesquisador Gilfrancisco), 180 páginas, 60 crônicas políticas e alguns textos das suas famosas colunas diárias do Sergipe-Jornal: Não está certo e O povo quer saber. Artigos da época do falecimento do jornalista, assinados por Hugo Costa, Milton Filho, José augusto Garcez, Epifânio Dória, Fernando Viana, T. Viana e com exclusividade para homenagem do centenário, depoimentos de Luiz Eduardo Costa, Ivan Valença, Murilo Mellis, Clarêncio Martins Fontes e José Eugênio. O falecimento de Paulo Costa, jornalista combativo, causou profundo choque em toda a comunidade sergipana. Homenagem merecida a Paulo Costa, grande alma, além de ser pai do gênio querido, memória gloriosa e texto único - seu filho, Luiz Eduardo Costa.

Texto e imagem reproduzidos do site: .jornaldacidade.net/araripe

Recopilador Sergipano e Noticiador Sergipense



Publicado originalmente no site Bn Digital, em 16/11/2015.

Recopilador Sergipano e Noticiador Sergipense. 
Por Bruno Brasil.

Primeiro órgão da imprensa sergipana, o Recopilador Sergipano surgiu em Estância (SE), em setembro de 1832, editado pelo monsenhor Antônio Fernandes da Silveira, que o imprimia através de sua tipografia própria. Cerca de um ano antes, a povoação de Estância obteve emancipação por suas promissoras condições sócio-econômicas, recebendo o nome de Vila Constitucional da Estância: o nível cultural alcançado pela localidade, já em 1832, justificava o aparecimento do jornal, que publicava pronunciamentos oficiais, transcrições de jornais da corte (principalmente a Aurora Fluminense), cartas de leitores, questões morais, curiosidades e efemérides, pensamentos, anedotas, entre outras coisas.

Politicamente ameno e oficialesco, respeitoso à Regência, o Recopilador Sergipano tinha pendores liberais moderados; no debate público onde se opunham os liberais antilusitanos, ditos “exaltados”, que aplaudiram a abdicação de Dom Pedro I, e os conservadores que apoiavam a restauração do imperador, apelidados de “caramurus”, o jornal esteve com aqueles. Sua periodicidade era de três em três dias, mas algumas de suas edições podiam vir a lume em intervalos semanais.

Silveira e seu empreendimento foram transferidos para a então capital da província, São Cristóvão, na data provável de 29 de janeiro de 1835, ocasião e local em que outro periódico passou a ser publicado por sua iniciativa: o Noticiador Sergipense, uma “Folha official, politica e litteraria” segundo seu próprio subtítulo. Este foi o substituto do Recopilador Sergipano, que circulou até fins de 1834, conforme seu editor passou a se empenhar no periódico lançado na capital. Apesar de sair pela tipografia de Silveira, o novo jornal então se assumia porta-voz do governo provincial, presidido então por Bento de Mello Pereira, passando a estampar em seu cabeçalho, já por volta de 1836, o brasão imperial.

Internamente, o Noticiador Sergipense seguia a mesma linha e a mesma periodicidade que o Recopilador Sergipano, dando apenas mais destaque a atos oficiais, com a publicação de editais, atas e pronunciamentos diversos da Assembleia Legislativa Provincial, da Tesouraria Provincial, da Promotoria Pública, da Câmara Municipal e da Recebedoria Provincial, por exemplo. O caráter oficial da folha se confirmou em 1838, quando sua tipografia foi vendida ao governo sergipano, que ao invés de manter o periódico passou a publicar o Correio Sergipense, que trazia o mesmo subtítulo indicativo de “Folha official, politica e litteraria”.

Fontes:

– Acervo: edições do nº 114, de 1º de junho de 1833, ao nº 158, de 13 de novembro de 1833, e edição nº 249, de 11 de outubro de 1834 (todas sob o título Recopilador Sergipano); edições nº 63, de 27 de outubro de 1835; nº 77, de 15 de janeiro de 1836; do nº 86, de 19 de fevereiro de 1836, ao nº 99, de 15 de abril de 1836; nº 136, de 16 de setembro de 1836; nº 137, de 23 de setembro de 1836, e nº 138, de 27 de setembro de 1836 (sob o título Noticiador Sergipense).

– Estância. IBGE Cidades. Disponível em: http://cod.ibge.gov.br/26OQC. Acesso em: 11 ago. 2015.

Texto e imagens reproduzidos do site:
bndigital.bn.gov.br/artigos/recopilador-sergipano

Imprensa Oficial de Sergipe completa 121 anos (2016)



Publicado originalmente no site do Governo de Sergipe, em 24/08/2016.

Imprensa Oficial de Sergipe completa 121 anos (2016).

A Imprensa Oficial é um veículo de comunicação autorizado a emitir periódicos e outras publicações de divulgação de decisões e comunicados oficiais dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A história da Imprensa Oficial do Estado de Sergipe, se inicia a partir da Lei 104, idealizada em 5 de dezembro de 1894, pelo então chefe de Estado Manoel Prisciliano de Oliveira Valadão.

Tal lei, sancionada em 24 de agosto de 1895, permitiu em 1º de setembro do mesmo ano, a circulação do primeiro Diário Oficial de Sergipe. Em 1919, o Brasão do Estado, criado pelo professor Brício Cardoso, passa a ser estampado nos periódicos. Além das publicações e comunicados oficiais do Estado, o Diário reproduzia assuntos culturais, sociais entre outros.

Após alguns anos de sua impressão, o governador Lourival Batista, por meio de decreto de Lei, transforma a Imprensa Oficial em Empresa Pública, a atual Serviços Gráficos de Sergipe - Segrase.

Imprensa Oficial e Sociedade Sergipana

De acordo com o historiador Samuel Albuquerque, desde o século XIX era comum a prática de leitura de jornais impressos. O povo sergipano se aglomerava no porto de Aracaju, onde eram esperados os jornais da Corte, que chegavam do Rio de Janeiro.

Neste mesmo século, aqueles que tinham a oportunidade de ler os jornais, realizavam leituras coletivas para os não letrados, com o objetivo de transmitir todas as novidades vindas da antiga capital do Brasil.

Ainda segundo o historiador, a criação da Imprensa Oficial por Manoel Prisciliano de Oliveira Valadão teve uma repercussão positiva, possibilitando a interlocução entre o governo e a sociedade, desde sua primeira edição, em 1895, até os dias de hoje, comemorando 121 anos de atividade.

A Imprensa Oficial, por meio do Dário Oficial do Estado de Sergipe, permitiu desde então, a interação e transparência de todos os atos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como do Tribunal de Contas do Estado, Procuradoria Geral de Justiça e Defensoria Pública do Estado para com a sociedade.

“É concedido um voto de muito valor a esta data que é significativa para a história de Sergipe, devendo ser celebrada”, afirmou Samuel Albuquerque.

Processo de Modernização

Considerando a necessidade de uma comunicação oficial mais acessível e acompanhando a evolução tecnológica, o Diário Oficial reduz a sua impressão, hoje são apenas 20, e entra no mundo virtual.

Em 21 de junho de 2012, por meio de um decreto assinado pelo ex-governador Marcelo Déda, o Diário Oficial é criado, mas seu lançamento só acontece em 03 de dezembro de 2012.

Para o atual presidente da empresa, Marcio Farias Barreto, a criação da versão eletrônica foi um ato de extrema importância para a popularização do Diário Oficial. “Isso permitiu que todos o acessem de forma rápida e democrática, contribuindo para a evolução da Imprensa Oficial de Sergipe. É evidente que toda a trajetória da Imprensa Oficial contribuiu com a evolução política, econômica e social de Sergipe. Produzindo até os dias de hoje, o mesmo efeito por meio de sua produção íntegra e autêntica, sendo valida em todas as esferas sociais do Estado, por isso, felicitamos o Diário Oficial do Estado de Sergipe pelos seus 121 anos”.

Texto e imagem reproduzidos do site: agencia.se.gov.br

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

História do Jornal


História do Jornal.

O primeiro jornal que se tem notícia surgiu em Roma em 59 A.C e se chamava Acta Diurna. Ele nasceu do desejo de Júlio César de informar o público sobre os acontecimentos sociais e políticos e divulgar eventos programados para cidades próximas. O jornal era escrito em grandes placas brancas e expostas em locais públicos onde transitavam muitas pessoas. As Acta informavam os cidadãos sobre escândalos no governo, campanhas militares, julgamentos e execuções.

Em 1447, a prensa, inventada por Johann Gutemberg inaugurou a era do jornal moderno e permitiu o livre intercâmbio de ideias e cultura, disseminando o conhecimento. Durante essa época, a classe média em ascensão, que correspondiam aos comerciantes, era abastecida de informações sobre o mercado por boletins informativos, que muitas vezes tinham um teor sensacionalista.

Foi só na primeira metade do século XVII que os jornais começaram a surgir como publicações periódicas. Os primeiros jornais modernos nasceram em países da Europa Ocidental como Alemanha, França, Bélgica e Inglaterra. A maior de parte de suas publicações traziam notícias da Europa e raramente incluíam informações da América ou Ásia. Os jornais ingleses costumavam relatar derrotas sofridas pela França e os franceses relatarem os escândalos da família real inglesa.

Os assuntos locais começaram a ser priorizados na segunda metade do século XVII, mas ainda eram controladas para que os jornais não abordassem nada que incitasse o povo a uma atitude de oposição ao governo dominante. Ainda assim, alguns jornais conseguiram alguns feitos como as manchetes de jornais que noticiaram a decapitação de Charles I ao fim da Guerra Civil Inglesa, apesar de Oliver Cromwell ter tentado apreender os jornais na véspera da execução. A primeira lei para proteger a liberdade de imprensa surgiu em 1766 na Suécia.

A invenção do telégrafo, sistema concebido para transmitir mensagens de um ponto para outro em grandes distâncias, em 1844, transformou a imprensa escrita, pois permitiu que as informações fossem passadas rapidamente, possibilitando relatos mais novos e relevantes. A partir daí, os jornais emergiram no mundo inteiro.

No início do século XIX, os jornais se tornaram, definitivamente, o principal veículo de divulgação e recebimento de informações. O período entre 1890 a 1920 ficou conhecido como “anos dourados” da mídia com a construção de verdadeiros impérios editoriais. Além de informarem, os jornais também ajudaram na divulgação de propaganda revolucionária como o texto “O Iskra” ( A Centelha ) publicado por Lênin em 1900.

No anos 20, a invenção do rádio causou alvoroço nos jornais. Os editores, como resposta, renovaram os formatos e conteúdos de seus jornais para torná-los mais atraentes, com maior volume de textos e cobertura mais amplas e profundas.

Depois, foi a televisão, que parecia acabar com a soberania do jornal. Entre 1940 e 1990, a circulação de jornais diminuiu. Apesar da queda, a televisão não tornou o jornal obsoleto. A atual revolução tecnológica também gera novos desafios para mídia impressa, pela rápida difusão e instantaneidade da informação onde uma pessoa conectada pode produzir e consumir informações das mais diversas fontes.

Apesar da evolução dos meios digitais, o jornal impresso ainda é um veículo popular e poderoso no relato de notícias e fatos da realidade. Grandes jornais continuam crescendo mesmo com a portabilidade, a maioria deles têm, inclusive, versões online, que atraem o novo leitor pela credibilidade que alcançou com a versão impressa. Além disso, há ainda muitas pessoas que não abrem mão de ter o contato físico com jornal e se recusam a se adaptar aos novos meios.

Imprensa Marrom

Imprensa marrom é o nome dado ao tipo de jornalismo focado em divulgar notícias sensacionalistas onde os dados nem sempre são checados corretamente, tornando a notícia falsa e o veículo sem credibilidade.

O termo imprensa marrom é inspirado no termo yellow press (imprensa amarela), que surgiu nos Estados Unidos, quando no final do século XIX os jornais New York World e The New York Journal brigavam para ver quem iria publicar em suas páginas o desenho Yellow Kid. A briga foi tão forte que ambos começaram a publicar notícias falsas, sensacionalistas e sem escrúpulos para atacar o concorrente e vender mais jornais.

No Brasil, a adaptação do termo ocorreu pelo jornalista Calazans Fernandes. Por achar a cor amarela muito amena, escolheu substituí-la pela cor marrom para fazer referência a imprensa sensacionalista e inescrupulosa.

A primeira revista brasileira a ser acusada de agir como imprensa marrom foi a revista Escândalo, que extorquia dinheiro de pessoas fotografadas em situações comprometedoras. Certa vez, um homem fotografado pela revista se suicidou após se negar a pagar para não ter sua foto publicada.


Calazans Fernandes, o inventor da adaptação da expressão imprensa marrom, contribuiu para o fim da revista Escândalo, já que divulgou todas as barbaridades que a revista fazia para conseguir uma alta vendagem.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornalista.com.br

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Um livro sobre o jornalista Paulo Costa

Imagem simplesmente ilustrativa, postada pelo blog Meio Impresso.

Publicado originalmente no blog Primeira Mão, em 31/08/2014.

Um livro sobre o jornalista Paulo Costa
Por Afonso Nascimento *

Houve um tempo em que Sergipe era um grande exportador de intelectuais para a Bahia. Com efeito, muitos nomes sergipanos fizeram carreira intelectual em Salvador como, por exemplo, o historiador José Calazans, o cronista e jornalista Mário Cabral, etc. Antes de terminar o século XX, Sergipe passou a ser um centro cultural e intelectuais baianos passaram a fazer o caminho inverso dos sergipanos e começaram a desembarcar por estas bandas, aqui se estabelecendo. Com a sua presença aqui, a vida intelectual sergipana ficou ainda mais enriquecida.

O professor universitário, escritor, jornalista Gilfrancisco é uma boa amostra do que estou falando. Baiano radicado há muitas décadas em Sergipe, esse membro do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe tem contribuído para dinamizar a vida intelectual local com o fluxo permanente de sua produção intelectual. Eu o conheço há muito tempo, mas digo que é sempre um prazer renovado encontrar com esse pesquisador irriquieto. Quando isso acontece, esse grande frequentador dos arquivos sergipanos tem sempre alguma documentação nova ou alguma produção intelectual para mostrar. Pois bem, na última que eu o encontrei, ele me disse que tinha produzido um livro com trabalhos de Paulo Costa.

Quem foi Paulo Costa? Foi um homem público e intelectual que viveu entre 1912 e 1961. Ele nasceu em Propriá, Sergipe, filho de um advogado muito conhecido que escreveu algumas obras jurídicas. Da mesma forma que seu pai, resolveu seguir profissão jurídica, para tanto indo estudar na famosa Faculdade de Direito de Bahia e lá se graduando em 1935. Durante esses estudos universitários, conviveu com muitos membros da elite social sergipana como, além dele próprio, Alberto Bragança Azevedo, José da Silva Ribeiro, Francisco Leite Neto, etc.

Na sua volta da Bahia, num quadro de carência de pessoas com diplomas jurídicos, foi nomeado promotor público, exercendo essa profissão, ao lado da advocacia (coisa então permitida por lei), até o seu falecimento em 1961. Além do exercício de duas profissões jurídicas, foi também professor do ensino secundário sergipano, lecionando História Geral e Economia Política. Segundo declarou a Hugo Costa, tinha interesse em ser professor de Direito na Faculdade de Direito, onde se encontravam velhos colegas de estudos na Bahia, majoritariamente ligados ao PSD, o partido a que ele fazia oposição por estar ligado à UDN, agremiação pela qual, aliás, foi candidato mal sucedido a deputado federal em 1946.

Paulo Costa deixou sua marca na história de Sergipe, menos pelos cargos mencionados e mais pela sua carreira de empresário de jornal e jornalista. Com efeito, Paulo Costa comprou juntamente com Mário Cabral, outro bacharel-jornalista (entre muitos como o próprio Hugo Costa, Nino Porto, Carvalho Neto, Gonçalo Rollemberg etc.), o periódico “Sergipe Jornal” em 1945 – o qual, na sua origem mais antiga, pertencera a Carvalho Neto Através desse jornal, escreveu artigos e notas jornalísticas com o que exprimia suas ideias. Por exemplo, ele se dizia abertamente contra o nazismo, o fascismo e o comunismo. Queria-se um liberal moderno – coisa rara na história política do século XX, dividida por muito conservadores e menos numerosos populistas. As suas crônicas, geralmente críticas, são boas descrições da sociedade sergipana durante e depois da II Guerra Mundial.

Em 1945, nos estertores da ditadura dos interventores de Getúlio Vargas em Sergipe e quando começava a ser construído um novo sistema partidário, Paulo fez críticas aos militares que o mandaram prender na tentativa de fazer-lhe calar. Aparentemente, a sua prisão se deve ao fato de ele já estar se alinhando com União Democrática Nacional (UDN), agremiação à qual se filiaria e pela qual disputaria mandato eletivo. Essa sua prisão entrou para a história política de Sergipe como um capítulo dramático de como são próximas e complicadas as relações entre a imprensa e o poder político, especialmente sob uma ditadura, quando a liberdade de expressão é reduzida e a censura é imposta. Essa experiência de intolerância e censura em relação a jornais e jornalistas seria repetida mais uma vez durante a ditadura dos generais décadas depois. Paulo Costa foi transformado assim, com justiça, para os sergipanos, num símbolo da liberdade de expressão em geral e da liberdade de imprensa em particular.

A ser lançado muito brevemente, o livro “Paulo Costa em seu tempo – Crônicas do Sergipe-Jornal” de Gilfrancisco está muito bem estruturado, sendo apresentado pelo jornalista Marcos Cardoso e pelo historiador Antônio Fernando de Araújo Sá. Dele consta uma introdução muito bem escrita por Gilfrancisco, o pesquisador e compilador do livro. Em sua primeira parte, estão recolhidos depoimentos dos filhos de Paulo Costa, a saber, Luiz Eduardo Costa, Marta Suzana e de Ana Virgínia Costa de Menezes, bem como depoimentos dos jornalistas José Eugênio, Ivan Valença, Murilo Melins e Clarêncio Martins Fontes.

Em seguida, notícias são apresentadas sobre o seu falecimento publicadas pela Gazeta de Sergipe, por A Cruzada e pelo Diário de Sergipe. Ainda nessa parte está uma homenagem póstuma do jornalista e amigo Hugo Costa, bem como de J. Freire Ribeiro, Mílton Filho, José Augusto Garcez, Epifânio Dória, Fernando Viana e T. Viana. Dessa parte gostei muito do depoimento do também bacharel-jornalista Hugo Costa, morto não faz muito tempo, e do mais longo depoimento de uma das filhas de Paulo Costa.

Na segunda parte do livro, a obra de Paulo Costa é apresentada. Dela constam as “Crônicas Judiciárias”, “Minhas Memórias do Cárcere”, “Temas Sanfranciscanos” (1948-1949), “Crônicas do Sergipe-Jornal”, durante os anos 1944,1946, 1950,1952 ( “Um mestre sergipano”, “Não está certo”, “O povo quer saber”). Por último, estão as fontes, um anexo fotográfico e dois textos de Paulo Costa escritos em 1930, em plena idade estudantil. Quais os textos compilados que mais me agradaram? De um modo geral, gostei de ler a “A carta a um jovem promotor”, os “Temas sanfraciscanos” e as críticas que faz ao fascismo brasileiro, encarnado na figura de Plínio Salgado. Penso que o processo de sua prisão mereceria ser objeto de investigação de estudantes e de pesquisadores de direito, de história e de jornalismo, dada a sua atualidade e importância histórica.

O livro de Gilfrancisco é vivamente recomendado a todos aqueles interessados na história da imprensa, na história jurídica (Ministério Público e Advocacia), na história do magistério secundarista, na história da ditadura dos interventores de Getúlio Vargas, na história da relação entre imprensa e poder político e na história política de Sergipe. O pesquisador Gilfrancisco fez a sua parte ao compilar textos, ao registrar depoimentos de familiares, amigos e colegas de Paulo Costa, um homem público com o duplo dom da palavra escrita (a caneta) e da palavra falada (a retórica). Cabe agora ao público leitor sergipano saborear esse trabalho sobre a vida e a obra desse homem público singular chamado Paulo Costa.

* Professor de Direito da UFS.

Texto e imagem reproduzidos do blog: primeiramao.blog.br

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Histórias da Gazeta de Sergipe...


Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 21 de outubro de 2003.

Gazeta de Sergipe volta a circular este final de semana.

A direção do jornal Gazeta de Sergipe já marcou a data em que o jornal deve voltar a circular: 26 de outubro, próximo domingo. A notícia vem após uma série de reuniões e entendimentos entre os responsáveis pelo jornal e novos parceiros que pretendem investir no veículo, o mais velho em circulação no Estado. Criado em 1956, pelo jornalista Orlando Dantas, o jornal foi abatido por uma série crise financeira. Segundo o diretor executivo do GS, Luiz Antônio Barreto, já estão garantidas as verbas para a compra de novos computadores e do papel para que o jornal volte a circular. Além disso, também está sendo fechado um entendimento para que um novo parceiro entre na sociedade. “Contatamos e, praticamente, já acertamos a participação de Nazário Ramos Pimentel nesta nova fase do jornal”, informa Barreto. Para quem não conhece, Pimentel é publicitário e, juntamente com o jornalista Ivan Valença, foi o fundador do “Jornal da Cidade”, que, posteriormente, foi vendido para família Franco. Ele também fez parte de falecido “Jornal de Sergipe”, que marcou época sendo editado por nomes do jornalismo como Diógenes Brayner, Jozailto Lima e Gilvan Manoel. Nos últimos anos ele atuou em Maceió, onde montou um jornal e uma emissora de rádio que vendeu ao Grupo João Lyra. “Ele é um homem do ramo, que sabe vender. Nós queremos que ele entre para enfrentar, com a gente, tanto essa situação, como também para explorar o potencial que temos. Hoje, se o nosso é de ‘X’, que é insuficiente para pagar ‘Y’ todos os meses, precisamos elevá-lo para, enfim, um encontro de contas ou mais do que ‘Y’ para poder ir pagando os débitos passados”, planeja Barreto. No início da semana passada – mais precisamente dia 12 de outubro - a sociedade em geral recebeu, com pesar, a notícia de que o jornal estava deixando de circular, após 48 anos. O motivo: o jornal está atolado em dívidas. São débitos contraídos com fornecedores, com o Governo – encargos fiscais e trabalhistas – e com os próprios funcionários. “O nosso plano, quando suspendemos as atividades, foi dar um freio de arrumação e buscar associações, solidariedade e alertar a sociedade sergipana sobre os problemas que nós passávamos”, garante Paulo Dantas, diretor geral da Gazeta e neto do fundador do jornal, Orlando Dantas. Segundo os planos da diretoria, o jornal volta a circular reformulado e com novidades. “Dia 26 ele volta e queremos que venha com uma roupagem nova, sem perder a fisionomia antiga. Afinal, esse é jornal genuinamente sergipano, e tem um grupo muito bom de colunistas, como Diógenes Brayner, Rita Oliveira, Cláudio Nunes, Yara Belchior, Luiz Mendonça, Gilvan Manoel, enfim, excelentes jornalistas. Agora queremos recuperar o tempo perdido e vamos fazer isso contando a história de Sergipe através dos arquivos da própria Gazeta”, planeja o diretor executivo. Segundo Barreto, a Gazeta está preparando a publicação de suplemento mensal de 36 páginas, formato tablóide, contando a história de Sergipe desde 1956, até completar seu aniversário de 50 anos. 
Quanto a Gazeta realmente deve Arrumando a casa Fim da agonia diária Pegos de surpresa.

Texto reproduzido do site: 
infonet.com.br/noticias

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Jozailto Lima lança site JLPOLITICA.

Imagem: arquivo pessoal.

Publicado originalmente no site Click Sergipe, em 01/02/2017.

Jozailto Lima lança site JLPOLITICA.
Por Adeval Marques/Propriá News.

Aracaju/SE - Sem precisar ainda o dia exato para ocorrer o jornalista Jozailto Lima lançará, neste mês de fevereiro, o site jlpolitica que trará diversas informações, contudo, a linha parece ser mais focada para área da política.

O bahiano de origem que adotou Sergipe para residir ficou conhecido quando se popularizou no Jornal Cinform onde foi Diretor de Redação. Dono de uma escrita impar no jornalismo sergipano, seus textos são produzidos com grande estilo de organização, acessível à qualquer leitor, objetivo e recheado de detalhes que prendem o sentido na leitura do começo ao fim. Há quem admire seu trabalho e quem os tema, de toda forma ele conseguiu imprimir sua marca no mercado.

Outro lado de Jozailto Lima é seu trabalho como poeta que já vem dando resultados e interesses por parte de pessoas ligados ao campo da Cultura. Em seu último trabalho, intitulado de “Ainda os lobos”, ele contextualiza poesias com linguagem emblemática fazendo com que o leitor reflita sobre a mensagem simbólica contida nelas. Há quem já fez a leitura e afirmou ter se encontrado em uma delas, seja como for, os textos de Jozailto Lima sempre trarão algo para ser consumido e digno de apreciação.

O site que Jozailto Lima é aguardado com grande expectativa justamente pela credibilidade que ele tem no jornalismo de Sergipe, pela veracidade e confiança que passa nas informações embasadas com pesquisas e fontes reputáveis dentro de uma ética e responsabilidade elogiada por muitos colegas e amigos da imprensa sergipana.

É por diversos motivos que o site jlpolitica vem sendo esperado no meio de imprensa da web com grande atenção por todos que conhecem o trabalho dessa figura baianogipe querido dos dois Estados. Se fosse o lançamento de um filme, com toda certeza, as entradas estariam esgotadas. Por isso, atente-se: pegue seu dispositivo móvel, sente-se e aprecie jlpolitica assinado por Jozailto Lima em fevereiro de 2017.

Texto e imagem reproduzidos do site: clicksergipe.com.br/cotidiano

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Jurandyr Cavalcanti Dantas


Iniciou suas atividades no Jornalismo em Sergipe na área radiofônica, atuando na rádio Cultura. Na época de sua fundação, no ano de 62 a convite do então padre Luciano Cabral Duarte, hoje arcebispo emérito de Aracaju.

Na imprensa escrita, esteve no Correio de Aracaju, como colunista na Gazeta Socialista, Pessoas & Fatos, Gazeta de Sergipe e também no Diário de Aracaju. E por último no Jornal da Cidade.

Atuou também como correspondente de Aracaju enviando notícias para o “Diário de Pernambuco” por três anos. Foi um importante colaborador do jornal católico “A Cruzada”.

Texto e imagem reproduzidos do blog: academiadeletrasdeneopolis.blogspot.com.br

domingo, 29 de janeiro de 2017

Jurandir Santos

Valadares, Geraldo Chagas Ramos, Governador Augusto Franco e JURANDIR SANTOS.
Foto reproduzida do site de Ludwig Oliveira/entreamigosnatv.com.br

Publicado no site Futebol Sergipano, em 24/10/2006.

Do Livro: "As Peripécias do Esporte Sergipano"  1ª Edição.

Jurandir O Astronauta. 

Jurandir Santos como jogador teve uma regular passagem pelo futebol sergipano, principalmente na cidade onde nasceu Maruim, interior sergipano.

 Na adolescência, iniciou no futebol, num time amador do Esporte Clube União. Naquela época o futebol era semiprofissional. Mais adiante, foi jogar no Centro Esportivo Maruinense, mesmo contra a vontade de seu pai, que era torcedor do Brasiliense.

 Chamado pelo seu genitor, Jurandir teve que dar explicações porque foi para o Maruiense. Disse ele que de nada sabia e, por isso, seu pai ignorou o fato. Vendo que não tinha futuro para levar adiante a sua carreira de jogador de futebol, Jurandir preferiu ser “cartolinha” do Maruinense.

 No final dos anos 80, o seu irmão Joãozinho foi um dos melhores goleiros do futebol sergipano, jogando pelo Santa Cruz de Estância, que tinha como charme fazer “pose” para os torcedores. Joãozinho tinha um bom futuro pela frente, mas preferiu encerrar sua carreira nos times amadores da cidade de Maruim.

 Depois de residir por mais de 20 anos na cidade de Rio de Janeiro, o cidadão Jurandir Santos retornou a sua cidade natal, que é Maruim, interior sergipano, precisamente no ano de 1975. A seguir Jurandir veio morar em Aracaju, numa república na rua de São Cristóvão entre ruas Lagarto e Simão Dias, ao lado do seu conterrâneo Ildegard Azevedo. Este foi Secretário de Segurança Pública e hoje é Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe. Jurandir trabalhava, na época, no Instituto do Álcool e do Açúcar-IAA, no edifício do Hotel Palace de Aracaju.

O professor Viana Filho, o “Tito”, foi o principal responsável pelo lançamento de Jurandir Santos na crônica esportiva sergipana. Tito sabedor de que Jurandir jogava bola no time do Maruinense, achou por bem de convidá-lo para ser o seu correspondente na equipe esportiva da Gazeta de Sergipe, enviando detalhes técnicos dos treinos e jogos do clube interiorano.

 Cansado, Tito convidou Jurandir para ser o seu substituto na editoria de esportes da Gazeta de Sergipe. Para ele, a Gazeta de Sergipe foi a sua universidade da vida. Depois, ingressou nas equipes esportivas das rádios Difusora, Jornal e Cultura. Jurandir fez questão de frisar que foi na editoria de esportes da Rádio Cultura de Sergipe, levado pelo seu amigo Raimundo Luiz, onde ele teve uma fase áurea no rádio esportivo deste Estado.

Com a saída de Raimundo Luiz do comando da equipe esportiva da Rádio Cultura, entra, em seu lugar, o radialista Carlos Magalhães. Acabando-se a parte redacional, os programas foram transformados em entrevistas. Foi quando Jurandir foi transformado em repórter de campo, fazendo dupla com o seu colega Gilson Rolemberg. Nasceu, conseqüentemente, a dupla famosa dos “astronautas”. Foi um dos fundadores da Rádio Atalaia/AM.

Além da Gazeta de Sergipe, Jurandir passou pelos jornais Diário de Aracaju, Jornal da Cidade, Jornal da Manhã/Correio Sergipense. No início da década 80, passou pela presidência da Associação dos Cronistas Desportivos de Sergipe-ACDS, onde fez uma profícua administração. Como um radialista/jornalista que sempre militou no esporte sergipano, Jurandir, com certeza, tem algumas peripécias a contar.

Relatou que, no final da década 70, aconteceu um fato “interessante”, quando houve o jogo entre Sergipe e Confiança, na época em que a Federação Sergipana de Desportos-FSD estava mudando de sigla para Federação Sergipana de Futebol-FSF. O Sergipe venceu por 1x0. Jurandir deu um “cacete” (gíria jornalística), quando escrevia num determinado jornal, no árbitro Antônio Vieira de Góes, taxando-o de “patriota”. Indo, no mesmo dia, horário da tarde, na Federação Sergipana de Futebol, Antônio Góis estava esperando o Jura, para pedir explicações sobre a tal nota. Disse Góis: “Você sabe que sou sargento do exército e posso lhe prender?”. Jurandir: “Como, se eu estava desempenhando a minha função?”. Góis: “Por que me chamou de patriota?”. Jurandir: “Você sabe o que é `patriota` no futebol? Primeiro, não entendo de exército, porque nunca fui soldado. Eu sei que ele é rígido. É para garantir a paz e nós brasileiros”. Góis: "Quer que eu faça você engolir o jornal?". Jurandir: “Você só tem ´dois´ e não ´três´, igual a mim?". Góis: "Então você quer ver, desça?" Jurandir desceu as escadas da Federação. Entretanto apareceu a turma do “deixa disso” e não houve entreveros entre ambos.

 Hoje em dia, Jurandir e Antônio Góis se dão muito bem. Uma das decepções que teve na imprensa escrita e, mais precisamente, aconteceu no segundo semestre do ano passado de 2001. Comenta Jurandir que trabalhou com diversas figuras que foram maiores expressões da imprensa escrita, citando, como exemplos, Raimundo Luiz, Eduardo Costa, Ivan Valença, Hugo Costa, Lobão e outros. Mas, infelizmente, um tal de “Zé”, que nunca foi jornalista, ou é, simplesmente, um “analfabeto”, remarcador de preços de mercadinho, aproveitando-se para trabalhar num jornal, através de um determinado político, recebeu do mesmo uma procuração, passando a ser um pseudojornalista. Foi a maior decepção que teve no citado matutino. Mesmo recebendo a solidariedade da direção do respeitável órgão de imprensa, Jurandir preferiu ficar em casa, cuidando dos seus netos e há mais de 2 meses, ingressou num importante jornal denominado de “Semanário Sportivo” que chegou em Aracaju com um ùnico objetivo que é desenvolver o esporte sergipano. Jurandir Santos como jogador teve uma regular passagem pelo futebol sergipano, principalmente na cidade onde nasceu, Maruim, interior sergipano. Na adolescência, iniciou no futebol, num time amador do Esporte Clube União. Naquela época o futebol era semiprofissional. Mais adiante, foi jogar no Centro Esportivo Maruinense, mesmo contra a vontade de seu pai, que era torcedor do Brasiliense. Chamado pelo seu genitor, Jurandir teve que dar explicações porque foi para o Maruiense. Disse ele que de nada sabia e, por isso, seu pai ignorou o fato. Vendo que não tinha futuro para levar adiante a sua carreira de jogador de futebol, Jurandir preferiu ser “cartolinha” do Maruinense. No final dos anos 80, o seu irmão Joãozinho foi um dos melhores goleiros do futebol sergipano, jogando pelo Santa Cruz de Estância, que tinha como charme fazer “pose” para os torcedores. Joãozinho tinha um bom futuro pela frente, mas preferiu encerrar sua carreira nos times amadores da cidade de Maruim. Depois de residir por mais de 20 anos na cidade de Rio de Janeiro, o cidadão Jurandir Santos retornou a sua cidade natal, que é Maruim, interior sergipano, precisamente no ano de 1975. A seguir Jurandir veio morar em Aracaju, numa república na rua de São Cristóvão entre ruas Lagarto e Simão Dias, ao lado do seu conterrâneo Ildegard Azevedo. Este foi Secretário de Segurança Pública e hoje é Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe. Jurandir trabalhava, na época, no Instituto do Álcool e do Açúcar-IAA, no edifício do Hotel Palace de Aracaju. O professor Viana Filho, o “Tito”, foi o principal responsável pelo lançamento de Jurandir Santos na crônica esportiva sergipana. Tito sabedor de que Jurandir jogava bola no time do Maruinense, achou por bem de convidá-lo para ser o seu correspondente na equipe esportiva da Gazeta de Sergipe, enviando detalhes técnicos dos treinos e jogos do clube interiorano. Cansado, Tito convidou Jurandir para ser o seu substituto na editoria de esportes da Gazeta de Sergipe. Para ele, a Gazeta de Sergipe foi a sua universidade da vida. Depois, ingressou nas equipes esportivas das rádios Difusora, Jornal e Cultura. Jurandir fez questão de frisar que foi na editoria de esportes da Rádio Cultura de Sergipe, levado pelo seu amigo Raimundo Luiz, onde ele teve uma fase áurea no rádio esportivo deste Estado. Com a saída de Raimundo Luiz do comando da equipe esportiva da Rádio Cultura, entra, em seu lugar, o radialista Carlos Magalhães. Acabando-se a parte redacional, os programas foram transformados em entrevistas. Foi quando Jurandir foi transformado em repórter de campo, fazendo dupla com o seu colega Gilson Rolemberg. Nasceu, conseqüentemente, a dupla famosa dos “astronautas”. Foi um dos fundadores da Rádio Atalaia/AM. Além da Gazeta de Sergipe, Jurandir passou pelos jornais Diário de Aracaju, Jornal da Cidade, Jornal da Manhã/Correio Sergipense. No início da década 80, passou pela presidência da Associação dos Cronistas Desportivos de Sergipe-ACDS, onde fez uma profícua administração. Como um radialista/jornalista que sempre militou no esporte sergipano, Jurandir, com certeza, tem algumas peripécias a contar. Relatou que, no final da década 70, aconteceu um fato “interessante”, quando houve o jogo entre Sergipe e Confiança, na época em que a Federação Sergipana de Desportos-FSD estava mudando de sigla para Federação Sergipana de Futebol-FSF. O Sergipe venceu por 1x0. Jurandir deu um “cacete” (gíria jornalística), quando escrevia num determinado jornal, no árbitro Antônio Vieira de Góes, taxando-o de “patriota”. Indo, no mesmo dia, horário da tarde, na Federação Sergipana de Futebol, Antônio Góis estava esperando o Jura, para pedir explicações sobre a tal nota. Disse Góis: “Você sabe que sou sargento do exército e posso lhe prender?”. Jurandir: “Como, se eu estava desempenhando a minha função?”. Góis: “Por que me chamou de patriota?”. Jurandir: “Você sabe o que é `patriota` no futebol? Primeiro, não entendo de exército, porque nunca fui soldado. Eu sei que ele é rígido. É para garantir a paz e nós brasileiros”. Góis: "Quer que eu faça você engolir o jornal?". Jurandir: “Você só tem ´dois´ e não ´três´, igual a mim?". Góis: "Então você quer ver, desça?" Jurandir desceu as escadas da Federação. Entretanto apareceu a turma do “deixa disso” e não houve entreveros entre ambos. Hoje em dia, Jurandir e Antônio Góis se dão muito bem. Uma das decepções que teve na imprensa escrita e, mais precisamente, aconteceu no segundo semestre do ano passado de 2001. Comenta Jurandir que trabalhou com diversas figuras que foram maiores expressões da imprensa escrita, citando, como exemplos, Raimundo Luiz, Eduardo Costa, Ivan Valença, Hugo Costa, Lobão e outros. Mas, infelizmente, um tal de “Zé”, que nunca foi jornalista, ou é, simplesmente, um “analfabeto”, remarcador de preços de mercadinho, aproveitando-se para trabalhar num jornal, através de um determinado político, recebeu do mesmo uma procuração, passando a ser um pseudojornalista. Foi a maior decepção que teve no citado matutino. Mesmo recebendo a solidariedade da direção do respeitável órgão de imprensa, Jurandir preferiu ficar em casa, cuidando dos seus netos e há mais de 2 meses, ingressou num importante jornal denominado de “Semanário Sportivo” que chegou em Aracaju com um ùnico objetivo que é desenvolver o esporte sergipano. Jurandir Santos como jogador teve uma regular passagem pelo futebol sergipano, principalmente na cidade onde nasceu, Maruim, interior sergipano. Na adolescência, iniciou no futebol, num time amador do Esporte Clube União. Naquela época o futebol era semiprofissional. Mais adiante, foi jogar no Centro Esportivo Maruinense, mesmo contra a vontade de seu pai, que era torcedor do Brasiliense. Chamado pelo seu genitor, Jurandir teve que dar explicações porque foi para o Maruiense. Disse ele que de nada sabia e, por isso, seu pai ignorou o fato. Vendo que não tinha futuro para levar adiante a sua carreira de jogador de futebol, Jurandir preferiu ser “cartolinha” do Maruinense. No final dos anos 80, o seu irmão Joãozinho foi um dos melhores goleiros do futebol sergipano, jogando pelo Santa Cruz de Estância, que tinha como charme fazer “pose” para os torcedores. Joãozinho tinha um bom futuro pela frente, mas preferiu encerrar sua carreira nos times amadores da cidade de Maruim. Depois de residir por mais de 20 anos na cidade de Rio de Janeiro, o cidadão Jurandir Santos retornou a sua cidade natal, que é Maruim, interior sergipano, precisamente no ano de 1975. A seguir Jurandir veio morar em Aracaju, numa república na rua de São Cristóvão entre ruas Lagarto e Simão Dias, ao lado do seu conterrâneo Ildegard Azevedo. Este foi Secretário de Segurança Pública e hoje é Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe. Jurandir trabalhava, na época, no Instituto do Álcool e do Açúcar-IAA, no edifício do Hotel Palace de Aracaju. O professor Viana Filho, o “Tito”, foi o principal responsável pelo lançamento de Jurandir Santos na crônica esportiva sergipana. Tito sabedor de que Jurandir jogava bola no time do Maruinense, achou por bem de convidá-lo para ser o seu correspondente na equipe esportiva da Gazeta de Sergipe, enviando detalhes técnicos dos treinos e jogos do clube interiorano. Cansado, Tito convidou Jurandir para ser o seu substituto na editoria de esportes da Gazeta de Sergipe. Para ele, a Gazeta de Sergipe foi a sua universidade da vida. Depois, ingressou nas equipes esportivas das rádios Difusora, Jornal e Cultura. Jurandir fez questão de frisar que foi na editoria de esportes da Rádio Cultura de Sergipe, levado pelo seu amigo Raimundo Luiz, onde ele teve uma fase áurea no rádio esportivo deste Estado. Com a saída de Raimundo Luiz do comando da equipe esportiva da Rádio Cultura, entra, em seu lugar, o radialista Carlos Magalhães. Acabando-se a parte redacional, os programas foram transformados em entrevistas. Foi quando Jurandir foi transformado em repórter de campo, fazendo dupla com o seu colega Gilson Rolemberg. Nasceu, conseqüentemente, a dupla famosa dos “astronautas”. Foi um dos fundadores da Rádio Atalaia/AM. Além da Gazeta de Sergipe, Jurandir passou pelos jornais Diário de Aracaju, Jornal da Cidade, Jornal da Manhã/Correio Sergipense. No início da década 80, passou pela presidência da Associação dos Cronistas Desportivos de Sergipe-ACDS, onde fez uma profícua administração. Como um radialista/jornalista que sempre militou no esporte sergipano, Jurandir, com certeza, tem algumas peripécias a contar. Relatou que, no final da década 70, aconteceu um fato “interessante”, quando houve o jogo entre Sergipe e Confiança, na época em que a Federação Sergipana de Desportos-FSD estava mudando de sigla para Federação Sergipana de Futebol-FSF. O Sergipe venceu por 1x0. Jurandir deu um “cacete” (gíria jornalística), quando escrevia num determinado jornal, no árbitro Antônio Vieira de Góes, taxando-o de “patriota”. Indo, no mesmo dia, horário da tarde, na Federação Sergipana de Futebol, Antônio Góis estava esperando o Jura, para pedir explicações sobre a tal nota. Disse Góis: “Você sabe que sou sargento do exército e posso lhe prender?”. Jurandir: “Como, se eu estava desempenhando a minha função?”. Góis: “Por que me chamou de patriota?”. Jurandir: “Você sabe o que é `patriota` no futebol? Primeiro, não entendo de exército, porque nunca fui soldado. Eu sei que ele é rígido. É para garantir a paz e nós brasileiros”. Góis: "Quer que eu faça você engolir o jornal?". Jurandir: “Você só tem ´dois´ e não ´três´, igual a mim?". Góis: "Então você quer ver, desça?" Jurandir desceu as escadas da Federação. Entretanto apareceu a turma do “deixa disso” e não houve entreveros entre ambos. Hoje em dia, Jurandir e Antônio Góis se dão muito bem. Uma das decepções que teve na imprensa escrita e, mais precisamente, aconteceu no segundo semestre do ano passado de 2001. Comenta Jurandir que trabalhou com diversas figuras que foram maiores expressões da imprensa escrita, citando, como exemplos, Raimundo Luiz, Eduardo Costa, Ivan Valença, Hugo Costa, Lobão e outros. Mas, infelizmente, um tal de “Zé”, que nunca foi jornalista, ou é, simplesmente, um “analfabeto”, remarcador de preços de mercadinho, aproveitando-se para trabalhar num jornal, através de um determinado político, recebeu do mesmo uma procuração, passando a ser um pseudojornalista. Foi a maior decepção que teve no citado matutino. Mesmo recebendo a solidariedade da direção do respeitável órgão de imprensa, Jurandir preferiu ficar em casa, cuidando dos seus netos e há mais de 2 meses, ingressou num importante jornal denominado de “Semanário Sportivo” que chegou em Aracaju com um ùnico objetivo que é desenvolver o esporte sergipano. 

NOTA DO AUTOR O jornalista e radialista Jurandir Santos, um dos grandes baluartes da crônica esportiva sergipana, infelizmente no ultimo dia 6 deste mês, partiu para o oriente eterno. O esporte sergipano foi quem perdeu com a morte de Jurandir Santos que aos 72 anos de idade, deixou 9 filhos, 3 netos e esposa. O nosso colega e amigo Jurandir Santos, que vinha afastado temporariamente da crônica esportiva, ultimamente estava cuidando da coordenação do II livro “As Peripécias do Esporte Sergipano”, editado por este jornalista e escritor. Que Cristo Jesus deixe o vovô Jurandír Santos, no lugar que ele merece.

Texto reproduzido do site:  linux.alfamaweb.com.br/futebolsergipano

sábado, 28 de janeiro de 2017

Jornal Povão, de Aracaju/SE.



Perfil do Jornal Povão

28 anos de historia

O Jornal Povão completa 27 de existência. Foi difícil, mas chegamos...

Fundado em 16 de julho de 1987 pelo saudoso jornalista Paulo Brandão, que marcou época em Sergipe pela sua coragem e ousadia de fazer um jornalismo independente e sem medo de errar.

Em 05 de maio de 1993, morre seu fundador. Muitos comentaram na época  que o Jornal Povão morreria junto com ele, porém foi um ledo engano... Mesmo dominada pela dor da perda do seu esposo, assumiu o comando do Jornal Povão a sua viúva, Aída Brandão, uma simples mulher que se transformou em uma “leoa” para manter acesa a chama desse conceituado periódico.

Muito destemida, ela foi à busca de ajuda de seus leais amigos para dar continuidade ao projeto “Deus Proverá”, um jargão bíblico usado por Paulo Brandão, para o Jornal Povão. No seu caminho encontrou o empresário e jornalista Marcos Luduvice, hoje seu esposo, o qual admirava seu fundador, Paulo Brandão, pela sua coragem. E graças ao tirocínio dessa dupla o “Jornal Povão” tem conquistado espaço ao longo dos anos e vem abrindo novos horizontes para o jornalismo em Sergipe.

Ao longo da sua  historia, venceram desafios e obstáculos, enfrentaram poderosos e conseguiram se manter no cenário da imprensa sergipana com a mesma galhardia, fato de suma importância para a sobrevivência de um veículo de comunicação.

Na sua trajetória de vida, vários jornalistas renomados passaram pela editoria deste jornal, a exemplo do saudoso jornalista Carlos Mota, ex-diretor do Sistema Atalaia de Comunicação, o qual foi o primeiro editor do Jornal Povão, após o falecimento do seu fundador. Mota deu à dinâmica aqui implantada, com muita inteligência e perseverança, sempre ávido por boas informações e reportagens, grandes edições conquistaram o público. Carlos Mota foi também um grande timoneiro, porém, a exemplo do seu antecessor, acabou sendo chamado precocemente para a eternidade. Com ele foi-se outra inteligência do nosso jornalismo.

A luta continuou e mesmo abalados, Marcos Luduvice e Aida Brandão, arregaçaram as mangas e convidaram o jornalista Clarêncio Martins Fontes para assumir a editoria. Clarêncio, uma pessoa extremamente inteligente, competente e dono de uma notável experiência, aqui implementou seu ritmo extraordinário de trabalho durante vários anos. Devido aos compromissos à frente do Centro de Imprensa,  Rádio, Letras e Artes Plásticas (CIRLAP), teve que se afastar, mas deixou germinada a semente que aqui plantou.

Com a saída de Clarêncio Fontes, assumiu o jornalista e radialista Paulo Lacerda, pessoa bastante conhecida nos meios de comunicações, inclusive ao longo de sua carreira, exerceu suas atividades nos jornais Gazeta de Sergipe, Jornal da Manhã, Jornal de Sergipe, entre outros. Paulo Lacerda contribuiu para a grande alavancada do Jornal Povão, onde o tabloide deixou de ser preto e branco para colorido. Após algum tempo, este periódico passou para o tamanho Stand. Como vemos, Paulo Lacerda deu uma grande colaboração a esse jornal, sempre buscando dar sequência a obra de Paulo Brandão. Devido aos seus grandes compromissos com o seu conceituado programa radiofônico, o “Jornal da Manhã”, apresentado na Rádio Jornal AM 540, Paulo Lacerda deixou a editoria do Jornal Povão, passando a responsabilidade para a jornalista Aída Brandão, a qual já estava apta para assumir a editoria...

A superintendente do Jornal Povão tem como parceiros e colaboradores o grande design gráfico, José Carlos (Negaço), que tem contribuído muito com a nova roupagem do jornal, e Núbia Santos, responsável pela distribuição da mídia impressa e coordenadora do site do Jornal Povão (www.jornalpovao.com.br), outra ferramenta online que hoje se agrega ao Jornal impresso, para que possam acompanhar as novas tecnologias...    

Mas toda vitória que se preze advém de muito esforço e contribuição. E não foi diferente para a equipe do Jornal Povão, que teve e tem em sua  trajetória grandes colaboradores, a exemplo da jornalista Luana Luduvice, que foi uma das grandes revisoras desse periódico. Vale ressaltar também os nomes de outros colaboradores que por aqui passaram: João Evangelista, Paulo Monte, Adalberto Vasconcelos, os saudosos Vicente Figueiredo e Joel Batalha, Débora Matos, Wendell Santiago, Cleilton Rocha, Márcio Rocha, Carlos Feitosa (de Brasília), e vários outros que de alguma maneira também deixaram sua parcela de contribuição.

Hoje o Jornal Povão conta com a colaboração de Milton Barreto, Dr. Garcia Leite, Lupércio Santos, Ivan Valença, Abrahão Crispim Filho, Luduvice José, Carmem Mesquita, Dr. David de Castro Lima, Antônio Carlos Santos, e os repórteres fotográficos Cleverton Ribeiro e Valter Sobrinho. 
     
A todos nossos sinceros agradecimentos!

Texto e imagem reproduzidos do site:  jornalpovao.com.br

sábado, 21 de janeiro de 2017

Pesquisa: jornal impresso é o meio com maior credibilidade


Publicado originalmente no site do Portal Imprensa, em 13/01/2017.

Pesquisa afirma que jornal impresso é o meio com maior credibilidade.

Redação Portal IMPRENSA.

Encomendada pela Secretaria de Comunicação da Presidência ao Ibope, a Pesquisa Brasileira de Mídia aponta que os jornais impressos estão na liderança de confiança dos brasileiros como meio de comunicação.

De acordo com o jornal Estadão, o porcentual dos entrevistados que disseram que confiam sempre ou muitas vezes nas notícias publicadas em jornais é de 59%. Rádio e televisão têm 57% e 54%, respectivamente.

Os dados são referente a agosto do ano passado. O tamanho total da amostra foi fixado em 15.050 entrevistas, em todo o Brasil.

De acordo com o levantamento, entrevistados se dizem mais desconfiados quando as informações são de sites, blogs e redes sociais. Em relação aos sites, 62% disseram confiar poucas vezes no que foi publicado. O número é de 63% em relação a rede social e de 54% a blogs.

Sobre o tempo de leitura médio dos jornais impressos, a pesquisa mostra que é de uma 1 hora e 10 minutos.

Em relação a televisão, o levantamento ressalta que é o meio mais acessado, sendo que pouco mais de três quartos dos entrevistados veem televisão todos os dias. Já aproximadamente dois em cada três entrevistados afirmam ouvir a rádios.

Texto e imagem reproduzidos do site: portalimprensa.com.br