quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Memória da antiga "Gazeta de Sergipe", de Aracaju/SE.

Imagem reproduzida do Facebook/Gilvan Zé.

Drops de Fernando Sávio (I)



Publicado originalmente no Facebook/Luciano Correia, em 24/02/2016.

Drops de Fernando Sávio (I).
Por Luciano Correia/Facebook.

O jornalista Fernando Sávio trabalhava na hoje saudosa Gazeta de Sergipe, fundada Gazeta Socialista pelo bravo Orlando Dantas, depois tocada com competência pelo neto, Paulinho (Dantas) Brandão. Fernando trabalhava na reportagem do diário e editava o caderno dominical, um dos primeiros da imprensa sergipana, a Gazetinha, com o detalhe de que este era 100% jornalismo, cinema, literatura, poesia etc, menos fofoca. A Gazetinha incorporava um costume comum na época e publicava, no seu frontspício, a informação de que aquele caderno fazia parte da edição da Gazeta de Sergipe e, portanto, não podia ser vendido separadamente. Ele implicava com isto. Detalhista que era com certos detalhes que considerava desnecessários, implicava com aquela exigência que lhe parecia absurda e gostava de contar um diálogo, quem sabe inspirado na leituras de Franz Kafka. Dizia ele que chegava na banca num domingo pela manhã e pedia um exemplar da Gazetinha. Ao que o jornaleiro, impávido e literal, bradava: "A Gazetinha não pode ser vendida separadamente. O senhor tem que levar a edição completa da Gazeta de Sergipe".

- Mas eu não quero a Gazeta de Sergipe, só a Gazetinha, insistia o bardo.
- Eu já disse que a Gazetinha não pode ser vendida separadamente, senhor. Eu estou apenas cumprindo a determinação do jornal. Ou o senhor leva a edição completa da Gazeta, ou nada feito.

Longos minutos depois do difícil embate, Fernando desiste de sua empreitada e finalmente cede ao jornaleiro: compra a edição completa da Gazeta de Sergipe do domingo. Mas, incorrigível, não se dá por vencido. Ao dobrar a esquina, longe do olhar do vendedor, retira sua Gazetinha cuidadosamente e joga o restante da edição no chão, pisoteando-a sofregamente até destruí-la. Na descrição dele mesmo: "dei um tunco e segui ao encontro da cabrocha Dina para saborear a leitura de minha Gazetinha sob o abrigo do meu sacrossanto lar".

Texto reproduzido do Facebook/Luciano Correia.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Jornalista Silvio Oliveira receberá o título de Honra ao Mérito


Infonet > Cultura > Noticias > 01/12/2015.

Colunista da Infonet recebe título de Honra ao Mérito
Honraria foi proposta pelo vereador Fernando Britto

O jornalista e colunista do Portal Infonet Silvio Oliveira receberá o título de Honra ao Mérito, às 20h, na Câmara de Vereadores de Propriá, em reconhecimento aos serviços prestados à divulgação da cidade ribeirinha e aos relevantes préstimos conferidos à cidade onde nasceu. A honraria foi proposta pelo vereador Fernandinho Britto (PT) e votado por unanimidade pela Casa do Legislativo.

Silvio Adriano de Oliveira Vieira a mais de 23 anos milita no jornalismo e sempre integrou em suas pautas a cidade de Propriá, a feira local, os personagens, a região do Baixo São Francisco. Filho de José Silvio Soares Vieira e Clemilda de Oliveira Vieira, mora em Aracaju e se considera “Cidadão do Mundo”, tamanho gosto pelas viagens, fotografias e pelo turismo.

Formando em Comunicação Social, especialista em Gestão da Comunicação, atualmente escreve todas as quintas-feiras para o Portal Infonet, comanda comunicação do laboratório Georioemar/UFS e do projeto Marseal/Petrobras/Fapese, além de integrar a equipe de jornalismo da assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado da Educação.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/cultura

sábado, 28 de novembro de 2015

Portal JC conquista Prêmio Setransp 2015.

Célia Silva levou o 1º lugar na categoria on-line, Jorge Henrique, 1º em fotojornalismo.
Crédito: JC.

Publicado originalmente no site do JornaldaCidade.Net, em 25/11/2015.

Portal JC conquista Prêmio Setransp 2015.

Evento aconteceu na noite desta terça-feira e reuniu imprensa e autoridades no Quality Hotel.

Por: JornaldaCidade.Net

O Portal JC e o Jornal da Cidade conquistaram na noite desta terça-feira (24) mais uma premiação. O V Prêmio Setransp de Jornalismo aconteceu no Lounge do Quality Hotel em Aracaju e reuniu comunicadores e autoridades. Célia Silva levou o 1º lugar na categoria on-line, Jorge Henrique, 1º em fotojornalismo, Ana Paula Aquino, 3º lugar na categoria on-line e André Moreira, 3º em fotojornalismo.

Célia Silva atualmente ocupa o cargo de chefe de reportagem do Jornal da Cidade e já coleciona prêmios em sua carreira. "Prêmio conquistado com a sensação de dever cumprido. Estou chefe de reportagem, mas amo escrever. Fiz a minha inscrição no prêmio aos 90 minutos do segundo tempo, como o marido correndo para levar a inscrição a tempo. Tudo isso para dar tempo de motivar, orientar e acompanhar a equipe que chefio. Prêmios são bons, são o reconhecimento, o resultado do nosso trabalho, mas nada que ultrapasse os limites do profissioalismo e da ética", comentou ela.

O Prêmio é uma realização do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp), com a parceria do Sindicato dos Jornalistas de Sergipe (Sindijor), e homenageou os profissionais da comunicação que desenvolveram as melhores reportagens com conteúdo relacionado ao tema ‘A relevância do transporte público no acesso aos demais serviços essenciais’. Foram sete categorias premiadas: reportagem impressa, reportagem online, reportagem fotojornalismo, reportagem radiofônica, reportagem televisiva, reportagem cinematográfica e reportagem laboratório.

Para a repórter Ana Paula Aquino o prêmio tem um gostinho especial. "Estou no Jornal da Cidade há 4 anos e receber um prêmio representando a casa onde comecei é muito gratificante", disse ela, que também acumula prêmio com o da rádio CBN.

Para o presidente do Setransp, Alberto Almeida, foi marcado pela homenagem aos jornalistas que fomentam o debate público sobre o transporte coletivo e seu papel social e econômico, democratizando a locomoção das pessoas, já que, por meio dele, os cidadãos exercitam o direito de ir e vir. "Por isso, que este ano o tema do prêmio foi voltado para característica do transporte como essencial para movimentar o demais serviços públicos”, frisou.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Editora Abril anuncia que deixará de publicar revista Playboy

Capas da primeira Playboy, de agosto de 1975, e da primeira edição com o nome estampado, de julho de 1978, em post publicado nesta quinta na página da marca no Facebook.
Foto: Reprodução/Playboy Brasil/Facebook.

Publicado originalmente no site G1SP., em 19/11/2015.

Editora Abril anuncia que deixará de publicar revista Playboy.

Edição de dezembro será a última do título que é licenciado.
Nos EUA, Playboy decidiu parar de publicar fotos de mulheres nuas.

Do G1, em São Paulo.

A editora Abril anunciou nesta quinta-feira (19) que decidiu pelo fim da publicação das versões brasileiras das revistas Playboy, Men’s Health, Women’s Health - todos os 3 títulos licenciados.
No caso da Playboy, a última edição será a do mês de dezembro.

Segundo a Abril, os assinantes desses títulos terão seus "exemplares de dezembro entregues normalmente e poderão optar por outra revista do portfólio Abril, nas versões impressa ou digital".
Em comunicado, a Abril informou que a retirada de circulação das revistas dá "continuidade à estratégia de reposicionar-se focando e dirigindo seus esforços e investimentos às necessidades dos leitores e do mercado".

Playboy está no Brasil há 40 anos.
A Playboy é editada no Brasil há 40 anos. Desde o início, pela Abril.

Em outubro, a Playboy americana anunciou a decisão de parar de publicar fotos de mulheres nuas em razão da concorrência de sites pornográficos. Na ocasião, a Abril disse que ainda não havia "nada decidido" sobre uma mudança na revista no país.

A Editora Abril vem reduzindo, desde o ano passado, o seu portfólio de revistas. Em junho, vendeu 7 títulos para a Editora Caras, incluindo as marcas AnaMaria, Arquitetura & Constução, Contigo!, Placar, Tititi, Você RH e Você S/A.

Em julho de 2014, a Abril já tinha transferido 10 outros títulos para a Editora Caras: "Aventuras na História", "Bons Fluidos", "Manequim", "Máxima", "Minha Casa", "Minha Novela", "Recreio", "Sou+Eu", "Vida Simples" e "Viva Mais".

Em fevereiro, a Abrilpar, holding da família Civita que controla os negócios do grupo Abril, vendeu a sua operação de educação para fundos de investimento sob gestão da Tarpon em um negócio de R$ 1,31 bilhão.

Texto e imagens reproduzidos do site: g1.globo.com/economia/midia

domingo, 8 de novembro de 2015

Jornalista Diógenes Brayner recebe prêmio.

Jornalista 
Foto: Renata Brayner

Publicado originalmente no site ajn1, em 30/10/2015.

Diógenes Brayner recebe o ‘Prêmio Roberto Marinho de Mérito Jornalístico’.

Atendendo a uma sugestão da senadora Maria do Carmo Alves (DEM) - acatada por todos os senadores sergipanos - o jornalista Diógenes Brayner, colunista do Correio de Sergipe e editor do Portal Faxaju, foi agraciado com o Prêmio Roberto Marinho de Mérito Jornalístico, em sessão solene ocorrida no final da manhã de ontem, no Senado da República, em Brasília.

“É uma homenagem à liberdade de expressão. É o reconhecimento a esses profissionais que, ao exercerem as suas funções, desempenham importante papel social”, afirmou a senadora.

Para a senadora, há algumas décadas Brayner oferece a sua contribuição ao povo sergipano, através dos seus escritos como colunista, fazendo um jornalismo sério, ético e comprometido com a verdade. “Graças a essa imprensa livre, a população tem acesso a fatos importantes, sobretudo, no que se refere às investigações e a devida condução dos entes públicos”.

Para Maria, as ações dos comunicadores, verdadeiramente comprometidos com o bem-estar social e coletivo, democratiza a informação e dá amplitude aos anseios da sociedade que não tem outra alternativa, senão a imprensa. “Quero parabenizar a Brayner e em nome dele homenagear a todos os comunicadores do meu Estado que fazem um trabalho diferenciado e dão importante contribuição”, afirmou a senadora.

Eduardo Amorim

“O Prêmio Roberto Marinho é um reconhecimento do Senado Federal à contribuição do jornalismo brasileiro ao processo democrático. Com a iniciativa, em primeira edição, a Casa reafirma o seu compromisso inarredável com a liberdade de opinião e expressão”, descreveu Eduardo Amorim.

Ao entregar o prêmio ao jornalista Diógenes Brayner, o senador afirmou que ele é um daqueles jornalistas brasileiros que pode ser classificados como especialista regional em sua profissão. “Carrega sobre os ombros mais de 40 anos de jornalismo. Atualmente é diretor do site FaxAju On line e colunista político do Jornal Correio de Sergipe”, informou...

Texto e imagem reproduzidos do site: ajn1.com.br

sábado, 31 de outubro de 2015

Dois ícones do jornalismo impresso Ivan e Ancelmo

Dois sergipanos de destaque no jornalismo,
os ícones, Ivan Valença e Ancelmo Góis (2009).
Foto: Bernardet.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Imprensa (escrita) No Nordeste

Imagem para simples ilustração.

Imprensa (escrita) No Nordeste

Regina Coeli Vieira Machado
Servidora da Fundação Joaquim Nabuco
pesquisaescolar@fundaj.gov.br
  
A imprensa é o meio de comunicação de massa constituído por publicações periódicas (jornais e revistas), que divulgam informações, comentários e imagens gráficas referentes aos fatos sociais, econômicos  e políticos do País, e do mundo, que sejam de interesse para a sociedade.

O aparecimento da imprensa se deu na antiguidade como instrumento elementar de comunicação imediata e simbólica gravada em pedra, madeira, metal, barro, símbolos pitográficos e paleográficos, com a finalidade de resguardar a história da época e transmiti-la  às gerações futuras.

Na Idade Média, o livro era manuscrito, copiado pelos monges, composto em folhas de pergaminho e de papiro enroladas em forma de cilindro. Nesta época, se desenvolveram também a xilografia, que se constitui na reprodução de textos originais em chapas de madeiras, e as atas urbanas, que eram noticiários vulgares, afixados nas ruas e nas praças  públicas.

Em decorrência da falta do pergaminho e do papiro, as notícias passaram a ser transmitidas de boca a boca, através das poesias palacianas, dos jograis, das cantigas de escárnio e maldizer, recitadas aos reis, príncipes e damas, surgindo posteriormente os panfletos, precursores da imprensa moderna.

No ano de 1400, o alemão Johannes Gensfleish Gutemberg, que morava em Mogúncia, na Alemanha, produziu os primeiros tipos metálicos móveis, que deram origem à imprensa.

O ciclo da imprensa moderna espalhou-se por todo o continente europeu e americano, difundiu-se entre grandes centros universitários e comerciais através de artigos científicos,  crônica política e  literária  e dos  periódicos.

O Brasil, no entanto, foi um dos últimos paises a usufruir de um dos maiores inventos da  história do mundo, a imprensa.  Este atraso foi em decorrência da política intencional da Corte Portuguesa, que segundo a legislação vigente, declarava que: o Brasil, por se encontrar subordinado ao governo português, tinha que ser um mero produtor daquilo que fosse conveniente e rendoso a Portugal.

Mesmo sem autorização da Corte, houve várias tentativas para a implantação da imprensa no Brasil. A primeira foi durante o governo de Maurício de Nassau, mas falhou em virtude das constantes rebeliões e guerras internas que ocasionaram a expulsão dos holandeses em 1645.

A segunda tentativa foi em 1746, pelo tipógrafo português, Antonio Isidoro da Fonseca, que instalou uma tipografia no Rio de Janeiro. Porém, após produzir alguns impressos, a Corte Portuguesa  ordenou a destruição da tipografia.

Em 1808, D. João VI autorizou, através de decreto, a instalação dos primeiros prelos no Rio de Janeiro, trazidos de Portugal, dando origem à Imprensa Régia do Brasil, que atualmente é o Departamento da Imprensa Nacional.

No dia 10 de setembro de 1808, foi impresso o primeiro semanário, A Gazeta do Rio de Janeiro que publicava, exclusivamente, documentários oficiais e informações da família real.

Em 1º de junho de 1821, foi lançado o Diário do Rio de Janeiro, o primeiro jornal informativo a circular por todo o País, com notícias de crimes, demandas, movimentos de navios, venda, leilões e fuga de escravos.

Durante o período da Monarquia, o Nordeste brasileiro viveu sob intensa movimentação popular contrária à administração da Coroa, e a imprensa se sobressaiu através dos noticiários divulgados pelos periódicos, que serviram de alicerce para grandes acontecimentos da História do Brasil.

De Pernambuco, na época a capitania mais desenvolvida, saíram as tipografias para a província do Ceará, da Paraíba, de Alagoas, do Rio Grande do Norte e de Sergipe.

Por ocasião da Revolução Pernambucana de 1817, foi lançado o primeiro impresso intitulado O Preciso, que, de autoria duvidosa  – José Luis de Mendonça ou Antonio Carlos Ribeiro de Andrada – divulgava os últimos acontecimentos referentes à conspiração para a Revolução. A apreensão deste panfleto sufocou a Revolução e resultou na destruição da tipografia.

Em 1820, o então governador da província, Luis do Rego Barreto autorizou a instalação da Officina do Trem de Pernambuco, que publicou o primeiro jornal da Província, Aurora Pernambucana, editado de março a setembro de 1821. O periódico tinha como objetivo conter o ânimo dos pernambucanos com seus ideais de independência contra as decisões da Coroa Portuguesa. Diante dos constantes conflitos e rebeliões, fechou-se a Officina do Trem de Pernambuco que, no entanto, foi reaberta, no mesmo ano, por ordem do presidente da junta governativa, Gervásio Pires, com o nome Officina do Trem Nacional de Pernambuco. A Officina publicou inúmeros panfletos de proclamações, manifestos e os periódicos Relator Verdadeiros – espécie de órgão oficial da junta governista, que publicava notícias do governo – e oSegarrega, editado entre  dezembro de 1821 e outubro de 1823, redigido pelo português  Filipe Mena Calado da Fonseca que, no  início, noticiava ações sobre os ideais  republicanos, defendendo a liberdade política, passando depois a se opor à corrente republicana.

Em abril de 1823, no Recife, o médico baiano Cipriano José Barata de Almeida, uma das figuras mais corajosas e combativas do jornalismo brasileiro, estreou como jornalista na Gazeta Pernambucana e publicou a Sentinela da Liberdade. Foi preso em novembro do mesmo ano, mas continuou a publicar o seu jornal com o nome Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco, Atacada e Presa na Fortaleza do Brum por Ordem da Força Armada Reunida. Em 1836, publicou sua última Sentinela. Em seguida, abandonou a política e o jornalismo.

Em 1823, o pernambucano Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo, Frei Caneca, editou o Typhis Pernambucano, defendendo a liberdade de imprensa, condenando a escravidão, alertando contra o perigo da dissolução da Constituinte, e das forças armadas do domínio português. Em 13 de janeiro de 1825, após a derrota da Confederação do Equador Frei Caneca foi fuzilado em pleno centro do Recife.

Durante a Confederação do Equador, a província do Ceará foi a que mais contribuiu na mobilização política pela independência do Brasil. Recebeu o primeiro prelo em 1824, enviado pelo então governador de Pernambuco, Manoel de Carvalho Paes de Andrade, criando a Typographia Nacional do Ceará, que imprimiu o primeiro jornal cearense Diário do Governo do Ceará, editado pelo padre Inácio Gonçalo de  Albuquerque Mororó.

Em 1825, foi fundado no Recife o Diario de Pernambuco, o mais antigo jornal em circulação da América Latina e em 1919, o Jornal do Commercio.

A província da Paraíba, vinculada a Pernambuco até 1799, teve participação ativa em todos os movimentos revolucionários, inclusive na Confederação do Equador, mas somente  em 1826, contou com a sua  primeira tipografia enviada do Recife, que recebeu o nome de Typographia Nacional da Parahiba, editando  seu primeiro periódico, A Gazeta da  Parahiba do Norte.

Como se já não bastasse o atraso no desenvolvimento provocado intencionalmente pela Corte Portuguesa ao Brasil, a província de Rio Grande do Norte, que esteve vinculada à administração de Pernambuco por muito tempo, teve que passar mais 10 anos sem imprensa, em represália aos manifestos contrários  à Confederação do Equador. Somente em 1832, foi autorizada a instalação da Typografia Natalense, que editou o Natalense, o primeiro periódico de grande influência política.

A província de Sergipe foi a mais prejudicada pelo atraso sociocultural e econômico do Brasil. Teve seu primeiro jornal impresso em 1832, O Recompilador Sergipano, editado por Monsenhor Antonio Fernandes da Silveira e, em 1834, o Noticiador Sergipense, que publicava atos oficiais. A partir de 1851, com o apoio dos sergipanos Tobias Barreto e Silvio Romero, Sergipe começa a produzir inúmeros jornais e revistas literárias, passando a ocupar lugar de destaque na  sociedade de literatos brasileira.

Apesar da repressão e da intensa confluência política, suspensões, proibições, prisões e mortes durante o Primeiro Reinado, a imprensa informal do tipo panfletagem, semanários, jornais, se desenvolvera baseada numa linguagem violenta, atitudes ousadas e desafiadoras  contra  a opressão e as  distorções  políticas  da época, e se expandiram  por todo o País, como uma ferramenta  de conscientização de massa em favor das mobilizações sociais, das lutas  políticas e questões sociais da época como a Independência, a Confederação do Equador, a Abolição da Escravatura, o desgaste da Monarquia,  a Proclamação da República, e outros movimentos históricos brasileiros.

Em decorrência do surgimento das grandes cadeias jornalísticas, diários associados e da contribuição de jornalistas célebres  como o paraibano natural de Umbuzeiro, Francisco de Assis Chateaubriand, do pernambucano de Caruaru, Belarmino Maria Austregésilo Augusto de Ataíde,  e muitos outros, a imprensa brasileira no período pós-República, teve um grande avanço cultural. Industrializou-se, o noticiário diversificou-se, deixou de ser exclusivamente político e passou a ser um jornalismo profissional.
  
Recife, 29 de junho de 2004.
(Atualizado em 18 de agosto de 2009).
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FONTES CONSULTADAS:

HISTÓRIA da tipografia no Brasil. São Paulo: Museu de Arte de São Paulo, 1979. 227 p.

RIZZINI, Carlos. O jornalismo antes da tipografia. São Paulo: Comp. Ed. Nacional, 1968.

______.  O livro, o jornal e a tipografia no Brasil 1500-1822: com um breve estudo geral sobre a informação. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 1988. 445 p.

SILVA, Leonardo Dantas. A Imprensa e a Abolição. Recife: FUNDAJ. Ed. Massangana, 1988. 184 p.
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Fonte: MACHADO, Regina Coeli Vieira. Imprensa (escrita) no Nordeste. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: 26/08/2015.

domingo, 24 de maio de 2015

Jornal "A Semana" do município de Simão Dias/SE.

 Capa d'A Semana de 8 de setembro de 1946.

 1ª Página d'A Semana - edição de 18 de julho de 1953.

1ª Página d'A Semana - edição especial de 07.09.68.

A Semana foi um jornal brasileiro editado na cidade de Simão Dias, Sergipe,
no período de 1946 a 1969.

Histórico.

Foi fundado pelo jornalista José de Carvalho Déda. O primeiro número foi publicado em 08 de setembro de 1946. Nesta primeira fase, “A Semana” circulou aos domingos, até 29 de julho de 1947, quando sua edição foi interrompida por força do encerramento do contrato de impressão. Voltou a ser editado em 18 de julho de 1953, já dispondo de oficina própria, na Rua Dr. Joviniano de Carvalho, nº 37, em Simão Dias, ainda sob a direção de José de Carvalho Déda, conhecido na cidade como Seu Zeca Déda. Passou a circular aos sábados. O jornal seguiu em frente, com o feitio literário, noticioso e combativo. Seu diretor, Carvalho Déda, usava vários pseudônimos para evitar a repetição de seu nome em uma mesma edição. Assinava Leonardo de Vinci, na seção “Retratos Femininos”; Carlos Eugênio, na “Seara Sergipana”; Marco Aurélio em reportagens; Pakéso, em artigos políticos; João Sem Terra, na “Coluna dos Lavradores”; Lynce, nos “Aspectos da Cidade”; Cazuza e Caduda em alguns artigos. Nunca assinou ou usou pseudônimo em suas xilogravuras nem na coluna “Política em Pequenas Doses” que escreveu, ininterruptamente, até a véspera de sua morte.

Xilogravuras.

 “A Semana” foi o primeiro jornal de Sergipe a apresentar uma seção de charges. Para ilustrar o jornal, a partir de 1959, Carvalho Déda passou a fazer xilogravuras -reprodução de texto e imagem entalhadas em prancha de madeira em alto relevo - com perfis de personalidades da época. Fez mais de quatrocentas xilogravuras que satirizavam fatos de repercussão local, estadual e municipal em uma seção sob o título “A Piada da Semana”. Poucos dias antes de falecer, resolveu assinar o pseudônimo Zélis em duas xilogravuras, publicadas na edição nº 811, de 21.08.68. São antológicas suas charges sobre a alta de preços; a falta de iluminação na cidade; a grande votação de protesto dada ao bode cheiroso, em uma cidade Pernambuco, e ao rinoceronte cacareco, em São Paulo; a disputa eleitoral Jânio X Lott; e Seixas Dorea X Leandro Maciel; o caso diplomático da pesca da lagosta entre Brasil X França; e a força dos militares no poder.

Principais colaboradores: seu irmão, jornalista Francino Silveira Déda (Seu Sininho), que escrevia, ininterruptamente, uma crônica semanal sobre assuntos variados; e seu filho, Carlos Alberto de Oliveira Déda (Beto Déda), com quem partilhou a direção do jornal. Também colaboraram com artigos: Antônio Conde Dias, Artur Oscar de Oliveira Déda, Clarita Santana, Cláudio Dinart Déda Chagas, Edson Carvalho Oliveira, Edson Freire Caetano, Ferreira Filho, João Lima Filho, José Osvaldo Machado e Silva, Luiz Santa Bárbara, Max Neto, José Aloísio Freire e Renato Nunes.

Bibliografia.

DÉDA, Carvalho. Simão Dias, Fragmentos de sua História; 2 ed. Gráfica e Editora J. Andrade. Aracaju.2008.pag.

BARRETO, Luis Antonio. Carvalho Déda no batente do jornal.

DÉDA, Carlos Alberto. Atividade jornalística de Carvalho Déda, in Carvalho Déda -Vida & Obra -Coletânea..Grafica e Editora J. andrade. Aracaju.2008. pp. 23 a 24. Acervo: Carlos Alberto Déda.

Texto e imagens reproduzidos do site: pt.wikipedia.org

quarta-feira, 20 de maio de 2015

O Fundador da imprensa sergipana.


Antonio Fernandes da Silveira, Monsenhor – Fundador da imprensa sergipana. Filho de João Batista da Silveira e D. Maria Zeferina de Andrade. Nasceu na freguesia de N. S. de Guadalupe da Estância em 1795 e faleceu na vila de Itapicuru, da Bahia, a 30 de janeiro de 1862.

Sobreleva entre todos o seus serviços a introdução da imprensa periódica em Sergipe, fazendo publicar em 1832 o “Recopilador Sergipano”, primeiro jornal da província, editado na Estância, em tipografia de sua propriedade. Foi Monsenhor da Capela Imperial, do Conselho de S. M. o Imperador e comendador da Ordem de Cristo.

O Jornal circulou até o ano de 1834, e tinha como epigrafe: “Sede justos se quereis ser livres. Sede unidos se quereis ser fortes.”

Fonte: Armindo Guaraná.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Antonio Samarone.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

“A Internet pode tomar o lugar do mau jornalismo”.

 Umberto Eco caminha diante da estante de livros em sua casa. / ROBERTO MAGLIOZZI.

O autor, em sua casa. / ROBERTO MAGLIOZZI

Publicado originalmente no site do Jornal 'El PAÍS', em 29 MAR 2015.

Umberto Eco: “A Internet pode tomar o lugar do mau jornalismo”.

Em novo romance, filólogo italiano mergulha no mundo da "máquina de lama" das notícias.

Por JUAN CRUZ .

Umberto Eco tem na entrada de sua casa em Milão, antes de sua montanha de livros, o jornal de seu povoado (Alessandria, no Piemonte), que recebe diariamente. Quando pedimos fotos de sua juventude foi a um computador, que é o centro borgiano de seu Aleph particular, seu escritório, e encontrou as fotos que o levam ao princípio de sua vida, quando era um bebê de fraldas. Faz tudo com eficiência e bom humor, e rapidamente; tem na boca, quase sempre, um charuto apagado com o qual, com certeza, foge do charuto. Tem uma inteligência direta, não foge de nada, nem dá voltas. Acostumado a escolher as palavras, as diz como se viessem de um exercício intelectual que tem seu reflexo nos corredores superlotados dessa casa que se parece com o paraíso dos livros.

Está com 83 anos; emagreceu, pois faz uma dieta que o afastou do uísque (com o qual almoçava algumas vezes) e de outros excessos, de forma que mostra a barriga achatada como uma glória conquistada em uma batalha sem sangue. É um dos grandes filólogos do mundo; desde muito jovem ganhou notoriedade como tal, mas um dia quis demonstrar que o movimento narrativo se demonstra andando e publicou, com um sucesso planetário, o romance O Nome da Rosa (1980), cujo mistério, cultura e ironia impressionaram o mundo.

Passeamos junto com o escritor. Física e metaforicamente. Percorremos juntos a imponente biblioteca de sua casa em Milão, onde também repousam alguns de seus livros de maior sucesso, como O Pêndulo de Foucault e Apocalípticos e Integrados. Nas mesmas prateleiras também está seu novo romance, Número Zero, uma ficção sobre jornalismo inspirada na realidade. Um olhar sobre a informação no século XXI e a Internet, campo de batalha das ideias, das notícias e das mentiras. Controlar a verdade do que aparece na rede é, para Eco, imprescindível. Uma tarefa à qual deveriam se dedicar os jornais tradicionais, para que esses continuem sendo, no futuro, garantidores da democracia, da liberdade e da pluralidade.

Com esse sucesso que teria envaidecido qualquer um, não parou de trabalhar, como filósofo e romancista, e desde então o professor Eco é também o romancista Eco; agora aparece (em vários países do mundo) com um novo romance que nasce do centro de seus próprios interesses como cidadão: ele se sente um jornalista cujo compromisso civil o levou durante décadas a fazer autocrítica do ofício; seu romance Número Zero (cujos direitos no Brasil foram comprados pela Record, que deve lançá-lo neste ano) retrata um editor que monta um jornal que não sairá às ruas, mas cuja existência serve ao magnata para intimidar e chantagear seus adversários. Pode se pensar legitimamente que nesse editor está a metáfora de Berlusconi, o grande magnata dos meios de comunicação na Itália?, perguntei a Eco. O professor disse: “Se quiser ver em Vimecarte um Berlusconi, vá em frente, mas há muitos Vimecarte na Itália”.

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Umberto Eco.

Alessandria, 1932. Nasceu no Piemonte, na Itália, onde foi educado pelos salesianos. Em 1954 se formou doutor em Filosofia e Letras na Universidade de Turim, onde também foi professor, além de lecionar nas Universidades de Florença, Milão e Bologna. Beirando os 50 anos, Umberto Eco obteve um de seus maiores sucessos literários com seu romance O Nome da Rosa, traduzido para vários idiomas e levado ao cinema. Ao longo de sua trajetória, conquistou inúmeras premiações, como o Prêmio Príncipe de Astúrias de Comunicação e Humanidades no ano 2000. Também é cavaleiro da Grande Cruz da Ordem ao Mérito da República Italiana e cavaleiro da Legião de Honra francesa.

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Pergunta. Um romance sobre o jornalismo. Por quê?

Resposta. Escrevo críticas do ofício desde os anos 1960, além de ter na carteira o registro de jornalista. Tive um bom debate polêmico com Piero Ottone sobre a diferença entre notícia e comentário. Escrever sobre certo tipo de jornalismo era uma ideia que me passava pela cabeça desde sempre. Há leitores que encontraram em Número Zero o eco de muitos artigos meus, cuja substância utilizei porque já se sabe que as pessoas esquecem amanhã o que leram hoje. De fato, alguns me elogiaram. Por exemplo, há quem aplaudiu o que escrevo sobre o desmentido na imprensa, e já escrevi o mesmo sobre isso há 15 anos! De forma que abordei o tema porque o carrego comigo. Até o princípio do livro é muito meu, porque esse episódio em que a água não sai da torneira era também o princípio de O Pêndulo de Foucault. Para aquele alguém me disse que não era uma boa metáfora, e tirei; mas, para Número Zero, gostei dessa ideia, a água que fica presa na torneira e não sai, e você espera que saia pelo menos uma gota. Gostei dessa ideia, fui ao porão, encontrei aquele primeiro manuscrito e voltei a usar. Tudo é assim: na discussão que há com Bragadoccio [um jornalista fundamental na trama de Número Zero] sobre qual carro comprar, o que escrevo é uma lista que fiz nos anos 1990 quando eu mesmo não sabia qual automóvel queria...

P. O romance está cheio de referências ao cinismo do editor que cria um jornal para extorquir...

R. Tinha em mente um personagem da história da Itália, Pecorelli, um senhor que fazia uma espécie de boletim de agência de notícias que jamais chegava às bancas. Mas suas notícias acabavam na mesa de um ministro, e se transformavam, em seguida, em chantagem. Até que um dia foi assassinado. Disseram que foi por ordem de Andreotti, ou de outros... Era um jornalista que fazia chantagens e não precisava chegar às bancas: bastava que ameaçasse difundir uma notícia que poderia ser grave para os interesses de outro... Ao escrever o livro pensava nesse jornalismo que sempre existiu, e que na Itália recebeu recentemente o nome de “máquina de lama”.

P. No que consiste?

R. Em que para deslegitimar o adversário não é necessário acusá-lo de matar sua avó ou de ser um pedófilo: é suficiente difundir uma suspeita sobre suas atitudes cotidianas. No romance aparece um magistrado (que existiu de verdade) sobre quem se lança suspeitas, mas não se desqualifica diretamente, se diz simplesmente que é extravagante, que usa meias coloridas... É um fato verdadeiro, consequência da máquina de lama.

"A imprensa é ainda uma garantia de democracia”

P. O editor, o diretor do jornal que não chega a sair, diz por meio de seu testa-de-ferro: “É que a notícia não existe, o jornalista é que cria”.

R. Sim, naturalmente. Meu romance não é apenas um ato de pessimismo sobre o jornalismo da lama; acaba com um programa da BBC, que é um exemplo de fazer bem feito. Porque existe jornalismo e jornalismo. O impressionante é que quando se fala do mau, todos os jornais tratam de fazer acreditar que se está falando de outros... Muitos jornais se reconheceram em Número Zero, mas agiram como se estivessem falando de outro. Não pode se limitar apenas a falar do mundo, uma vez que disso a televisão já fala. Já disse: tem que opinar muito mais sobre o mundo virtual. Um jornal que soubesse analisar e criticar o que aparece na Internet hoje teria uma função.

P. O jornalista, em particular, está retratado também como um paranoico em busca de histórias custe o que custar, e fica babando quando acha ter encontrado...

R. Acontece quando Bragadoccio encontra a autópsia de Mussolini... Sempre disse, também quando escrevia romances históricos, que a realidade é mais fantástica que a ficção. Em A Ilha do Dia Anterior descrevo um personagem fazendo um estranho experimento para descobrir as longitudes; é muito engraçado, e as pessoas disseram: “Olha que bonita a invenção do Eco”. Pois era de Galileu, que também tinha ideias loucas de vez em quando e havia inventado essa máquina para vender aos holandeses. Se mergulhar na história pode encontrar episódios mais dramáticos, mais cômicos, e também mais verdadeiros do que os que qualquer romancista pode inventar. Por exemplo, enquanto buscava material para Número Zero, encontrei a autópsia inteira de Mussolini. Nenhum narrador de pesadelos e horrores jamais conseguiu imaginar uma história como essa, e é verdadeira. E a passei para o personagem Bragadoccio, jornalista investigativo, que babava enquanto a utilizava para sua crônica sobre conspiração que inventou.

P. E o senhor não a inventou, claro.

R. Está na Internet, é assim. Então é muito fácil imaginar que um personagem tão paranoico e tão obsessivo como esse jornalista comece a desfrutar tanto da autópsia como das caveiras que encontra na igreja de Milão por onde passa sua história. Também nesse caso da igreja tudo é verdadeiro: tentei desenhar uma Milão secreta, com essas ruas, essas igrejas, que abrigam realidades que pareceriam fantasias...

P. Agora a realidade e a fantasia têm um terceiro aliado, a Internet, que mudou por completo o jornalismo.

R. A Internet pode ter tomado o lugar do mau jornalismo... Se você sabe que está lendo um jornal como EL PAÍS, La Repubblica, Il Corriere della Sera…, pode pensar que existe um certo controle da notícia e confia. Por outro lado, se você lê um jornal como aqueles vespertinos ingleses, sensacionalistas, não confia. Com a Internet acontece o contrário: confia em tudo porque não sabe diferenciar a fonte credenciada da disparatada. Basta pensar no sucesso que faz na Internet qualquer página web que fale de complôs ou que invente histórias absurdas: tem um acompanhamento incrível, de internautas e de pessoas importantes que as levam a sério.

P. Atualmente é difícil pensar no mundo do jornalismo que era protagonizado, aqui na Itália, por pessoas como Piero Ottone e Indro Montanelli…

R. Mas a crise do jornalismo no mundo começou nos anos 1950 e 1960, bem quando chegou a televisão, antes que eles desaparecessem! Até então o jornal te contava o que acontecia na tarde anterior, por isso muitos eram chamados jornais da tarde: Corriere della Sera, Le Soir, La Tarde, Evening Standard… Desde a invenção da televisão, o jornal te diz pela manhã o que você já sabe. E agora é a mesma coisa. O que um jornal deve fazer?

P. Diga o senhor.

R. Tem que se transformar em um semanário. Porque um semanário tem tempo, são sete dias para construir suas reportagens. Se você lê a Time ou a Newsweek vê que várias pessoas contribuíram para uma história concreta, que trabalharam nela semanas ou meses, enquanto que em um jornal tudo é feito da noite para o dia. Um jornal que em 1944 tinha quatro páginas hoje tem 64, então tem que preencher obsessivamente com notícias repetidas, cai na fofoca, não consegue evitar... A crise do jornalismo, então, começou há quase cinquenta anos e é um problema muito grave e importante.

P. Por que é tão grave?

R. Porque é verdade que, como dizia Hegel, a leitura dos jornais é a oração matinal do homem moderno. E eu não consigo tomar meu café da manhã se não folheio o jornal; mas é um ritual quase afetivo e religioso, porque folheio olhando os títulos, e por eles me dou conta de que quase tudo já sabia na noite anterior. No máximo, leio um editorial ou um artigo de opinião. Essa é a crise do jornalismo contemporâneo. E disso não sai!

P. Acredita de verdade que não?

R. O jornalismo poderia ter outra função. Estou pensando em alguém que faça uma crítica cotidiana da Internet, e é algo que acontece pouquíssimo. Um jornalismo que me diga: “Olha o que tem na Internet, olha que coisas falsas estão dizendo, reaja a isso, eu te mostro”. E isso pode ser feito tranquilamente. No entanto, ainda pensam que o jornal é feito para que seja lido por alguns velhos senhores –já que os jovens não leem— que ainda não usam a Internet. Teria que se fazer um jornal que não se torne apenas a crítica da realidade cotidiana, mas também a crítica da realidade virtual. Esse é um futuro possível para um bom jornalismo.

P. Em seu romance, um editor concebe um jornal que não vai sair às ruas, para dar medo. É uma metáfora do que acontece?

R. E não só isso. Em Número Zero aprofundo a técnica do dossiê. A chantagem consiste em anunciar uma documentação, um informe. A pasta pode estar vazia, mas a ameaça de que existe basta: cada um de nós tem um cadáver no armário ou pelo menos recebeu uma multa por excesso de velocidade há 30 anos. A ameaça da existência de um dossiê é fundamental. A técnica da documentação é como a técnica do segredo. Filósofos ilustres, como Simmel e outros, disseram que o segredo mais poderoso é o segredo vazio. É uma técnica infantil: o menino diz (enganando): “Eu sei uma coisa que você não sabe!”. Dizer que sabe uma coisa que o outro não sabe é uma ameaça. Muitos segredos são vazios, e por isso são muito mais poderosos. Depois você vê os verdadeiros documentos, e são apenas recortes de imprensa. São vendidos a um Governo e aos serviços secretos, ou para a polícia, e são dossiês vazios, cheios de coisas que todos sabiam, menos os serviços secretos.

P. Número Zero é um romance de ficção, mas tudo pode ser visto na realidade...

R. É do jornalismo real que eu falo. Os jornais especializados na máquina de lama existem. Nem todos os jornais usam essa máquina, mas existem os que a utilizam, e por uma modesta soma de dinheiro eu poderia te dar os nomes...

P. E como sair da lama?

R. Dando notícias credenciadas. O que é maquina de lama? Normalmente é utilizada para deslegitimar o adversário e desacreditá-lo sobre questões particulares. Quero dizer que, na época áurea, se você não gostava de um presidente dos Estados Unidos, já aconteceu com Lincoln e Kennedy, o matava; era, por assim dizer, um procedimento honesto, como se faz na guerra... Por outro lado, com Nixon e Clinton se produziu uma deslegitimação com base em questões particulares. Um incitava a roubar papéis, o outro fazia coisas com uma estagiária... Essa é a maquina de lama. Poderiam ter dito, algo que não aconteceu nos Estados Unidos, que Kennedy dormia com Marilyn Monroe; a máquina de lama teria feito isso... Aquele juiz de Rimini do meu livro (que existiu realmente, em outra cidade) foi colocado na máquina de lama: usava meias extravagantes, fumava demais. Na verdade, havia emitido uma sentença que naquele momento não tinha agradado Berlusconi. E o que o maquinário do ex-primeiro-ministro fez foi buscar desacreditar sua reputação por meio de episódios menores. Pode se deslegitimar Netanyahu pelo que faz com a Palestina. Mas acusá-lo, por exemplo, de pedófilo, então já não estará trabalhando com fatos, mas estará colocando em funcionamento a máquina de lama.

P. Contra a máquina de lama…

R. As provas, as notícias rebatidas. Para a máquina de lama é suficiente difundir uma sombra de suspeita ou trabalhar sobre uma fofoca menor. No fim, na Itália, Berlusconi foi colocado contra as cordas contando o que ele fazia à noite em sua casa. Podiam dizer dele, e disseram, coisas muito mais graves, sobre seus conflitos de interesse, por exemplo. Mas isso deixava o público indiferente. E quando se provou que ele estava com uma menor de idade, então se viu em dificuldades. Como você pode ver, até defendo o Berlusconi! Ele foi vencido a partir de revelações sobre sua vida pessoal mais do que por notícias sobre fatos verdadeiros e outras coisas pelas quais é responsável.

P. O senhor cita em seu livro a Operação Gládio em relação a fatos que ocorreram após a Segunda Guerra Mundial... Entram aí até as suspeitas sobre a autoria da matança dos advogados de Atocha... Aquela sombra da extrema direita agora volta ao mundo com os atentados islâmicos. Um mundo sombrio outra vez. Qual a sua opinião desse momento outra vez sangrento, protagonizado dessa vez pelos terroristas jihadistas?

R. É como o nazismo: pensava em restabelecer a dignidade do povo alemão matando todos os judeus. De onde nasce o nazismo? De uma profunda frustração. Tinham perdido uma guerra, e é nos momentos de grandes crises que o cacique de um povo pode congregar a opinião pública em torno do ódio contra um inimigo. Acontece agora com o mundo muçulmano: três séculos de frustração, após o império otomano, após o imperialismo, surge essa frustração em forma de ódio e fanatismo...

P. E como se luta contra isso?

R. Não sei. Estava muito claro como se podia lutar contra o fanatismo nazista, porque os nacional-socialistas estavam em um território identificável. Aqui a coisa é mais complexa.

P. Tem medo?

R. Não por mim, por meus netos.

P. O senhor escreveu um livro em que um jornal da lama faz batalhas sujas sem sair às ruas... Cogita que um dia não haja jornais?

R. É um risco muito grave, porque, depois de tudo que disse de mau sobre o jornalismo, a existência da imprensa ainda é uma garantia de democracia, de liberdade, porque especialmente a pluralidade dos jornais exerce uma função de controle. Mas, para não morrer, o jornal tem que saber mudar e se adaptar. Não pode se limitar apenas a falar do mundo, uma vez que disso a televisão já fala. Já disse: tem que opinar muito mais sobre o mundo virtual. Um jornal que soubesse analisar e criticar o que aparece na Internet hoje teria uma função, e até um rapaz ou uma moça jovem leriam para entender se o que encontraram online é verdadeiro ou falso. Por outro lado, acho que o jornal ainda funciona como se a Internet não existisse. Se olhar o jornal de hoje, no máximo encontrará uma ou duas notícias que falam da Internet. É como se as rotativas nunca se ocupassem de sua maior adversária!

P. É adversária?

R. Sim. Porque pode matá-la.

Texto e imagens reproduzidos do site: brasil.elpais.com/brasil

quarta-feira, 18 de março de 2015

Homenagem a Ezequiel Monteiro (1936 - 2015)

Imagem simplesmente ilustrativa.

Ezequiel, até a próxima.
Por Ivan Valença.

Faleceu no sábado, dia 7 (de março/2015), o jornalista, escritor, compositor e advogado Ezequiel Monteiro, uma das mais fulgurantes inteligências de Sergipe. Amigo de João Gilberto, Ezequiel viveu no Rio de Janeiro no início dos anos 60, onde conviveu com a intelectualidade carioca daquela época . Aficionado pelo jazz, foi um entusiasta da nascente Bossa Nova, tendo, inclusive, composto alguns temas nesse estilo musical. Em parceria com o economista Marcos Melo, compuseram o samba “Chamada Geral”, que logrou o segundo lugar no I Concurso Sergipano de Música, patrocinado pelo jornal “Diário de Aracaju”, em 1969. Contista de mão cheia, escreveu para vários jornais sergipanos, como a “Gazeta de Sergipe”, tendo, inclusive, publicado inúmeros contos no famoso Caderno B do “Jornal do Brasil”, quando viveu no Rio de Janeiro. Sua saudável irreverência vai fazer falta.

***

José Ezequiel Monteiro nasceu em 7 de agosto de 1936, em Laranjeiras. Fez o curso primário na Escola Laranjeirense, com a mestra Zizinha Guimarães. Estudou também no Rio de Janeiro e fez a Faculdade de Direito no Rio de Janeiro. Como jornalista, atuou na fase áurea do jornal “Última Hora”. Como colaborador, publicou vários contos no Suplemento Dominical do “Jornal do Brasil”. Nos anos 70, escreveu o livro “Contos de Jornal”, prefaciado por Alberto Carvalho. Dedicou essa obra à mãe Abrantina, à professora Ofenísia e a sua esposa, Mauricéa. Aqui no JORNAL DA CIDADE, manteve por algum tempo uma coluna semanal sobre literatura. Manteve estreita amizade, em Laranjeiras, com o célebre João Sapateiro e no Rio de Janeiro com o notável João Gilberto. No âmbito profissional, exerceu a advocacia e foi procurador do Estado, função da qual já estava aposentado. Ainda na juventude, participou ativamente da campanha pela criação da Petrobras.

Fonte: colunão Ivan Valença.
E-mail: ivan@infonet.com.br
Texto reproduzido do site; jornaldacidade.net
Domingo 15 e segunda-feira 16 de março de 2015.

domingo, 15 de março de 2015

Prefeito Marcelo Déda, em visita a Gazeta de Sergipe (2001)

Ano de 2001,  prefeito Marcelo Déda e  secretário em visita ao diretor - presidente do jornal Gazeta de Sergipe, Paulo Roberto Dantas Brandão e ao diretor de Redação, Gilvan Manoel.
 Déda lembrou da grande história do periódico
 e elogiou o esforço de sua direção em mantê-lo vivo, ativo, influente.
 O prefeito desejou que a Gazeta de Sergipe tenha mais sucesso no próximo ano.

Foto reproduzida do site: institutomarcelodeda.com.br

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Boa pauta

Linotipo

Boa pauta.
Por Amaral Cavalcante. 

O primeiro jornal que eu conheci, o Jornal “A Semana”, do jornalista Zeca Déda, em Simão Dias, era produzido no antigo processo tipográfico: cada linha pacientemente composta, com seus respectivos espaços e pontuações, a partir de letras de chumbo separadas por designer e tamanhos em centenas de escaninhos dispostos em gavetas.

Já em Aracaju, o primeiro jornal onde eu trabalhei, o “Sergipe Jornal” que fora do Jornalista Paulo Costa e houvera sido comprado por José Carlos Teixeira, editado, então, por Edmundo de Paula, era composto ora por tipos móveis ora por linotipo e impresso numa velha máquina apelidada de “perereca”.

Esse jornal, vendido ao grupo “Diários Associados”, de Assis Chateaubriand, deu lugar ao “Diário de Aracaju”, editado por Raymundo Luiz da Silva e já em avançado processo de linotipia. A máquina Linotipo, inóspita e barulhenta, era como um dragão de sete cabeças vomitando os lingotes de chumbo que, devidamente empilhados, formatavam a matriz de impressão do jornal.

A modernidade gráfica foi implantada aqui por Nazário Pimentel e Ivan Valença no avançado “Jornal da Cidade”, composto em máquina IBM de esfera e impresso em Off-Set.

As datas, vocês procurem por ai...


Post migrado do Facebook/MTéSERGIPE.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Charge de Edidelson Silva

Charge comemorativa aos 10 anos de JORNAL DO DIA
Imagem reproduzida do Facebook/Linha do Tempo/Edidelson Silva.

Luciano Correia entrevistando Jackson Barreto

Em 1985, entrevistando Jackson Barreto para a Folha da Praia.
Photo de Archivo Luciano Correia.