sábado, 4 de julho de 2026

O jornalismo político de luto...


Artigo compartilhado do site PANORAMA SE, de 29 de junho de 2026

O jornalismo político de luto e o tributo merecido para Diógenes Brayner

Muito ético, Brayner conquistou o respeito e a confiança da classe política de Sergipe

Por Habacuque Villacorte 

Este colunista decidiu mais do que prestar uma homenagem, ainda entristecido, mas tentar escrever algumas linhas em tributo à história do  jornalista Diógenes Brayner (in memoriam), que faleceu nos últimos dias, deixando a saudade para seus amigos, familiares e leitores, além de uma enorme lacuna para o  jornalismo político sergipano, após décadas de contribuição. Para o titular deste espaço ele sempre foi mais do que um amigo, mas uma referência profissional.

Muito ético, Brayner conquistou o respeito e a confiança da classe  política, “desfilava” nos bastidores do mundo político com um estilo próprio, com elegância e compromisso com a informação. Era o jornalista de Sergipe que mais teve acesso aos governadores de plantão, e se para muitos isso é um demérito, para este colunista é sinônimo de credibilidade e competência. Mesmo com o passar dos anos, não perdia a ambição pelo furo jornalístico, por aquela informação “exclusiva”!

Brayner era um apaixonado pelo jornalismo, o verdadeiro “animal político”, que não tinha hora para dormir até que a informação estivesse devidamente publicada. Não tinha sábado, domingo ou feriado: se aquela “bomba” surgia, ele corria para lançá-la o quanto antes. Quando este colunista ainda “engatinhava” no jornalismo político, e mesmo como editor de política do Jornal Correio de Sergipe, era assustador ter a percepção que muita gente no Estado só ia dormir depois de ler a coluna dele na internet.

Jornalistas, radialistas, assessores e comunicadores em geral faziam dessa leitura uma obrigação diária, até para ter um discernimento do que seria pauta logo cedo, nos programas radiofônicos. Brayner sempre foi pauta, sempre foi conteúdo, sempre vinha acompanhado de boas reflexões e bom conteúdo. É evidente que a Política é uma ciência bastante subjetiva, e que horas você escreve e agrada muitos, mas ao mesmo tempo também consegue desagradar alguém. Isso é jornalismo!

E por uma questão de justiça, Brayner teve uma contribuição direta na trajetória profissional deste colunista, quando ele fez o convite para dividir com ele e o amigo Adiberto de Souza (outra lenda do nosso jornalismo) o espaço de colunistas do seu portal Faxaju. A partir dali o titular deste espaço passou a ganhar ainda mais visibilidade e leitura nas ruas, com o território amplo da internet, e pela proximidade com duas referências da área.

Além disso, foram incontáveis as sugestões, críticas, elogios e puxões de orelha dados por Diógenes Brayner neste colunista, que vez ou outra, saia um pouco da “rota”! O jornalismo político de Sergipe que já perdeu bons “escribas” como Ivan Valença, Eugênio Nascimento, Amaral Cavalcante, e tantos outros, agora está mais empobrecido sem Diógenes Brayner, e logo agora quando temos uma campanha eleitoral que promete muito acirramento se aproximando.

Brayner era um “espelho” para a nova geração do jornalismo sergipano, mas uma grande referência para todos nós que fazemos da busca por informações uma labuta diária. Talvez este não seja o melhor texto em homenagem a ele, mas este colunista tinha o dever de falar, de reconhecer e agradecer! Gratidão a ele, a Renata, Munir e tantos outros. Brayner estava acima da “concorrência entre colunistas”, sempre foi diferenciado.

O jornalismo político de Sergipe está triste, mas o legado de Brayner precisa ser respeitado e continuado. As informações vão continuar chegando, a população que se acostumou a acompanhar os bastidores das campanhas eleitorais está mais exigente e a responsabilidade de todos nós que trabalhamos na área será ainda maior. Após décadas teremos uma eleição sem o “toque refinado” de Brayner. Ele certamente fará muita falta. Descanse em paz, meu amigo...

Texto e imagem reproduzidos do site: www panoramase com br

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