Publicado originalmente no site do Cinform, em 2 de abril de 2018
O Dia do Jornalista, comunicadores alertam como fugir das
fake news
Por Fredson Navarro
Profissionais sergipanos recordam trajetória e destacam
momentos marcantes
O Dia do Jornalista é comemorado no Brasil no dia 7 de
abril, neste sábado. A data homenageia o trabalho dos profissionais da mídia,
responsáveis por apurar fatos e levar as informações sobre os acontecimentos
locais, nacionais e internacionais para a população, de maneira imparcial e
ética. Os comunicadores sergipanos compartilham um pouco das suas carreiras e
comemoram o trabalho realizado na televisão, rádio, jornal impresso, portal de
notícias e através da assessoria de imprensa.
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) criou o Dia do
Jornalista como uma homenagem a Libero Badaró, importante personalidade na luta
pelo fim da monarquia portuguesa e Independência do Brasil. Ele foi médico e
jornalista, e foi assassinado no dia 22 de novembro de 1830, em São Paulo.
O movimento popular que gerou por causa do seu assassinato
levou D. Pedro I a abdicar do trono em 1831, no dia 7 de abril, deixando o
lugar para seu D. Pedro II, seu filho, com apenas 14 anos de idade. Foi só em
1931, 100 anos depois do acontecimento, que surgiu a homenagem e o dia 7 de
abril passou a ser Dia do Jornalista.
Denise Gomes atua no jornalismo sergipano há 12 anos
Paixão
A repórter da TV Sergipe, Denise Gomes, disse que sempre se
interessou pelo jornalismo. “A profissão sempre se apresentou como um mundo
repleto de possibilidades, uma chance única de conhecer pessoas, suas
histórias, de vivenciar experiências nas mais diversas áreas através do contato
diário com especialistas. Enfim, uma oportunidade de aprender sempre e sobre
tudo, além de poder transmitir às pessoas essas informações de uma forma clara
e direta. Isso foi o que despertou meu interesse pelo jornalismo ainda durante
o ensino fundamental, onde criei um jornal que circulava no colégio. Essa
experiência foi maravilhosa e contribuiu para minha escolha profissional”,
recorda.
Já para o jornalista Milton Alves Júnior que é repórter do
Jornal do Dia e atua como assessor de imprensa disse que encontrou o incentivo
para seguir a profissão dentro de casa.
“Meu interesse começou em virtude de meu pai ser jornalista.
Acompanhei ele desde a minha infância contextualizando fatos cotidianos, como
também aqueles de repleta repercussão. Decidi prestar o vestibular para
Jornalismo quando, em sua companhia, acompanhei a vinda do ex-presidente Lula
para fazer campanha em Sergipe no ano de 2002. O batalhão de comunicadores em
busca de informações para retransmitir à sociedade me chamou a atenção e não
tinham mais jeito, o desejo de ser jornalista estava mais que evidente”, conta.
O repórter da TV Atalaia, Diego Barros, também disse que
desde criança, o jornalismo despertava o seu interesse. “Já observava os
noticiários e sentia vontade de estar lá, participando daquilo que lia, ouvia
ou assistia. Deus me deu um dom, um presente. E faço questão de usá-lo, pois me
faz bem. Acredito que a soma dos esforços pode fazer a diferença na sociedade e
exerço minha profissão com essa dedicação, com esse objetivo. O compromisso não
é apenas informar, mas formar, construir, consolidar”, orgulha-se.
Juliana Almeida que é professora universitária e coordena o
Unit Notícias, se formou em radialismo mas sentiu a necessidade para se formar
também em jornalismo.
“Minha paixão sempre foi rádio mas quando terminei a
faculdade percebi que era necessário fazer jornalismo para trabalhar com
reportagem. Fiz o curso e me senti completa mas descobri que a minha maior
vocação é ser professora. Passei por algumas redações e gostei muito mas me
sinto mais realizada ensinando jornalismo e fui me aperfeiçoar. Fiz mestrado e
estou no doutorado para me capacitar cada vez mais. Ser professora é uma
responsabilidade ainda maior porque não podemos oferecer apenas a teoria, é
necessário ter a coerência e oferecer a prática”, explica.
Milton Alves Júnior se inspirou em seu pai para seguir a
carreira
Profissão
O jornalista tem o compromisso de apurar os fatos com
relevância e levar ao conhecimento público, ouvindo todos os lados da notícia.
“Vivenciar a prática diária do jornalismo é antes de
qualquer coisa uma grande responsabilidade. Pois, temos o compromisso ético de
reportar à sociedade os fatos do cotidiano, sempre prezando pela qualidade da
informação, dando voz a todas as partes envolvidas. Nosso trabalho nem sempre é
fácil, há muitos obstáculos e desafios durante a construção de uma reportagem,
mas é gratificante ver o quanto o jornalista é fundamental para levar os fatos
ao conhecimento da sociedade”, disse Denise Gomes.
Milton Alves Júnior reforça o compromisso de apurar os fatos
e noticiar a informação precisa. “Felizmente vivemos em um Estado onde o
conhecimento junto aos gestores públicos, sindicalistas, associações de
moradores e companheiros de comunicação que atuam em assessorias de imprensa
está diante dos nossos olhos. Com alguns anos de atuação em redações e
desenvoltura para ampliar sua cadeia de fontes é possível levar ao leitor,
telespectador, ouvinte que seja, um conteúdo ético e versátil”.
Juliana Almeida orgulha-se em ensinar jornalismo
Fake News
Os comunicadores destacam a importância do jornalismo em uma
época onde as notícias falsas acabam se espalhando com uma grande velocidade,
confundindo as pessoas e causando estragos.
“O jornalista tem um papel ainda mais importante porque tem
a capacidade de legitimar a informação e dá credibilidade. No meio do mundo das
fake news o jornalista está ali para apurar e trazer a informação precisa com
informação relevante”, defende Juliana Almeida.
Diego Barros disse que o uso indevido e com intenção
deturpada das redes sociais viraram uma grande arma contra a imprensa por causa
das falsas notícias. “As fake news prejudicam um grupo, um indivíduo e podem
prejudicar um país. Por isso, a leitura é fundamental. Procurar entender e ter
mais de uma fonte de informação é o caminho para compreender e analisar o que
foi dito ou falado. Temos que questionar até o inquestionável”, alerta.
“Acredito que nunca o bom jornalismo foi tão necessário para
filtrar e levar as informações ao conhecimento do público. Mais uma vez, vemos
que o avanço tecnológico no que se refere aos meios de comunicação
instantâneos, como os aplicativos de mensagens e redes sociais, são mal
utilizados em vários momentos por pessoas que buscam propagar notícias falsas.
Informações que podem desencadear inúmeras situações onde a imagem de pessoas e
instituições é manchada por essas fake news”, lamenta Denise Gomes.
Diego Barros comemora o Dia do Jornalista
Cobertura marcante
Comemorando o Dia do Jornalista, os comunicadores destacam
um momento importante da carreira. Denise Gomes destaca a cobertura que fez da
queda da árvore de Natal da Energisa em 2008 com os operários que estava
trabalhando na montagem. “Marcou muito para mim e foi muito tenso. Fui a
primeira jornalista a chegar ao local com a equipe do Emsergipe.com para apurar
o fato. Foi muito difícil acompanhar o desespero dos operários que presenciaram
o acidente ao verem os colegas desacordados, sendo atendidos pelos
profissionais do Samu e a confirmação das mortes. O jornalismo sergipano é um
celeiro de grandes profissionais e fico muito feliz em poder fazer parte deste
cenário”, reconhece.
“A cobertura que fiz mais marcante foi o falecimento do
ex-governador Marcelo Déda. A multidão em torno da urna fúnebre, acenando,
enxugando lágrimas com bandeiras eleitorais e arremessado flores, se tornou em
uma pauta ímpar para mim”, recorda Milton Alves Júnior.
Juliana Almeida destaca uma entrevista especial que fez com
o escritor Ariano Suassuna. “Foi um momento muito importante porque eu sou
muito fã dele e admiro o seu trabalho. Foi muito gratificante. Destaco também
reportagens que fiz e fui premiada. Já são 16 prêmios em concursos locais,
regionais e nacional. Cada um tem a sua importância e me sinto lisonjeada em ter
um trabalho reconhecido”, comemora.
“Marcou para mim uma história emocionante e de superação que
acompanhei em 2012. Alex que era rodoviário sofreu um acidente, no Rio de
Janeiro, e perdeu quase todos os movimentos do corpo porém, isso não foi motivo
para ele desistir. Ele passou a vender doces em uma passarela, em Salvador.
Certo dia, passei pelo local com a equipe da Record TV Itapoan e comprei doces
para ajuda-lo. Conversei com ele e marcamos uma reportagem para mostrar que
vale a pena acreditar e tentar. Gravamos e fizemos uma campanha para realizar
um grande sonho. Alex queria gravar um CD gospel. O sonho dele foi realizado, e
isso é o que me move em continuar acreditando”. Vibra.
Texto e imagens reproduzidos do site: cinform.com.br
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