Trecho extraído do artigo de Odilon Machado, para o blog Infonet, com o título: "Réquiem pelos Papas e por um Jornalista".
(...) dos mortos, só devemos falar o bem. É a recomendação antiga.
E os mortos nos fazem falta.
Se o Papa faz falta à Igreja, muita falta me faz o Jornalista Ivan Valença.
Ivan era uma companhia agradável, quase diária, aqui na Infonet.
De repente um dia Ivan nos faltou com os seus escritos.
Desapareceu, ninguém falou, ninguém disse nada.
Procurando amigos comuns, alguém me disse que estava com uma sua irmã, boa irmã!, que em doença o acolheu.
Foi assim que me informaram quando ao passar por sua residência vi uma placa exposta à venda.
Não tinha mais a sua Ana, querida, companheira de muitas caminhadas…
Ana, que um dia tomou a defesa do marido para fustigar um dos seus desafetos, dele Ivan, porque o tal político se sentiu incomodado com uma sua crítica, dele Ivan, bem merecida.
Os políticos são assim, querem ser medíocres, mas que não lhes denunciem a sua pequenez.
E Ivan era um gigante no que fez e no que foi: crítico de cinema notável, articulista memorável, periodista de muitos jornais, instrutor de muitos, e até a mim, que um dia resolvi editar um boletim de clube, e a ele fui recorrer para a diagramação e impressão num seu escritório, onde me acolheu com apreciada solicitude.
Ivan que não enriqueceu, nem o podia, seus interesses não eram assim tão sonantes nem ressonantes por moedas e dinheiros.
Valia-lhe mais divulgar a sétima arte, espalhar filmes com sua Ana querida na Vídeo Sete Locadora, justo fundo com fundo, ao terreno da minha casa, onde eu e meus filhos alugávamos fitas.
Ivan, que um dia foi execrado por um seu colega menor, porquanto em tempos polarizados politicamente, alguém o quis expulsar, logo ele Ivan, o Valente Valença, da confraria dos Jornalistas, seu sindicato, por não pontuar tão “esquerdóide”, como deveria ser; esquerdizante!
Ivan, que me tem feito falta na Infonet, por desconfortável, em ausência do livre pensar poliédrico, como bem devia ser a boa imprensa; menos canhestra e sectária, e aberta a todos os pensamentos.
Descanse em paz Ivan Valença. Sua luta não foi em vão.
Você me deixou saudades!
Texto reproduzido do ssite: infonet com br/blogs/odilonmachado
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