segunda-feira, 18 de maio de 2026

Clara Angélica e o lugar onde ela recolhia alegria

Clara Angélica: sorriso que muito e a muitos iluminou!

Artigo compartilhado do site JLPOLÍTICA, de 17 de maio de 2026

Clara Angélica e o lugar onde ela recolhia alegria
Por Eduardo Almeida * (Coluna JLCultura)

Tivéramos uma relação profissional na Gazeta de Sergipe. Mais tarde eu me mudei para o Cinform achando que já sabia tudo. Uma imatura reportagem feita por mim, sobre colunismo social, azedou a nossa relação, que não era de proximidade, mas respeitosa.

A partir daí, nunca mais arriscamos nem um simples cumprimento nas raras vezes em que nos vimos, casualmente. Clara Angélica Porto se foi e com ela foi-se a minha esperança de um dia tudo se ajeitar.

A Gazeta era uma escola de jornalismo – combativo e polêmico. Por lá passaram nomes como Ancelmo Gois e Ivan Valença. Os editoriais de Orlando Dantas faziam tremer o mundo político sergipano pelo prestígio e influência do jornal.

Foi na Gazeta que me fiz repórter e onde conheci Nino Porto, responsável pela coluna Informe GS e irmão de Clara Angélica. De Nino fui amigo até a morte dele, já aposentado do ofício.

Daquela reportagem não me lembro bem. Mas, no geral, procurava colocar o colunismo social no rol das frivolidades humanas. Clara Angélica nunca me perdoou por essa ignorância. Ela que à época era dona da prestigiada coluna social da Gazeta de Sergipe. Tinha razão.

A Gazeta não resistiu aos humores do mercado e fechou. O Cinform deixou as bancas e foi abduzido pela era digital. E a vida continua, com suas entrâncias, suas escolhas, suas lições, seus aprendizados e seus significados.

Clara Angélica passou, mas não vai passar o que ela cultivou entre os vivos: a crônica aguda, a voz afinada, a mulher convertida ao conhecimento e um sorriso genuíno que irradiava afeto e confiança.

A propósito, ela dizia: “E me pergunto de onde vem tanta alegria. Vem de mim mesma. Vem lá de dentro, do lugar onde recolho alegrias. E uso tudo que tenho. Alegria, então, não deve ser desperdiçada, mesmo quando nem sei de quê. É minha, a alegria. Sai da minha tristeza. Do mesmo lugar. Mesmo lugar de mim...” Evoé.

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* É jornalista.

Texto reproduzido do site: jlpolitica com br/colunas/jlcultura

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