sexta-feira, 26 de junho de 2026

Hoje o jornalismo sergipano amanheceu menor

Artigo compartilhado do site F5NEWS, de 25 de junho de 2026

O professor que a faculdade não podia formar

 Por Marcio Rocha

Hoje o jornalismo sergipano amanheceu menor.

A partida de Diógenes Brayner não representa apenas a perda de um dos maiores jornalistas políticos de Sergipe. Para muitos de nós, significa a despedida de um mestre. Não daqueles que ocupam uma sala de aula, distribuem apostilas ou aplicam provas. Mas dos que ensinam na vida, no exemplo, na convivência e nas conversas que moldam caráter e profissão.

Tive o privilégio de conhecer Diógenes há 29 anos, quando eu ainda era um adolescente tentando entender o mundo e descobrir qual caminho seguir. Foi ele quem, ao lado de André Barros e Daniel Vieira, ajudou a consolidar em mim a certeza de que o jornalismo seria muito mais do que uma profissão. Seria uma missão.

Existem professores que a universidade nos apresenta. E existem aqueles que a vida nos entrega. Brayner ocupou esse lugar especial. Foram referências que ensinaram sem a formalidade da cátedra, mas com a autoridade de quem viveu o jornalismo em sua essência: ouvindo, apurando, respeitando os fatos e compreendendo que notícia é compromisso com a sociedade.

Ao longo dessas quase três décadas de amizade, acumulamos incontáveis cafés e muitos chopes. Conversas que começavam despretensiosas e, quando percebíamos, já atravessavam seis, sete, oito... até nove horas. Falávamos de política, economia, história, comunicação, família e, principalmente, da vida. Cada encontro era uma aula. Cada história carregava um ensinamento. Cada conselho vinha acompanhado da serenidade de quem conhecia profundamente as pessoas e o poder das palavras.

Brayner, desde que chegou a Sergipe, nunca precisou levantar a voz para ser ouvido. Sua credibilidade falava por ele. Seu texto dispensava adjetivos exagerados porque os fatos sempre foram suficientes. Em tempos em que a velocidade muitas vezes tenta atropelar a qualidade, ele permaneceu fiel à boa reportagem, à informação responsável e ao respeito pelo leitor.

Poucos profissionais conseguem deixar um legado que ultrapassa as manchetes que escreveram. Brayner conseguiu. Seu maior patrimônio não está apenas nas milhares de notícias publicadas ou nos bastidores da política que revelou. Está nas pessoas que inspirou, nos jornalistas que incentivou e nos amigos que conquistou ao longo da caminhada.

Hoje me despeço com tristeza, mas também com gratidão. Gratidão por cada conversa, cada café, cada chope, cada conselho e cada incentivo que recebi desde aquele adolescente cheio de dúvidas até o profissional que me tornei.

As boas escolas formam profissionais. Os grandes mestres formam seres humanos.

Diógenes Brayner foi um desses mestres.

Seu exemplo jamais se apagará. Permanecerá vivo em cada jornalista que aprendeu com ele que credibilidade vale mais do que qualquer furo, que ética nunca sai de moda e que uma boa conversa pode ensinar muito mais do que qualquer livro.

Obrigado por tudo, meu amigo.

Descanse em paz.

Texto e imagem reproduzidos do site: www f5news com br

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