O jornalista Vladimir Herzog — Foto: Divulgação
Publicado originalmente no site G1 GLOBO, em 15 de agosto de 2019
Jornalista Vladimir Herzog é homenageado com exposição no
Itaú Cultural, em SP
Mostra 'Ocupação Vladimir Herzog' traz cartas, reportagens e
mostra o talento como cineasta do jornalista morto em 1975 pela ditadura
militar.
Por G1 SP
A vida do jornalista Vladimir Herzog, morto em 1975, pela
ditadura militar (1964-1985), é tema da exposição "Ocupação Vladimir Herzog",
que começou nesta quarta-feira (14) no Itaú Cultural, na Avenida Paulista. A
mostra vai até 20 de outubro e a entrada é gratuita.
A exposição é realizada em parceria com o Instituto Vladimir
Herzog (IVH). Nela, o público é convidado a conhecer a trajetória jornalística
de Vlado e suas realizações no campo do audiovisual – uma de suas atividades
prediletas.
A mostra traz fotografias, reportagens e dezenas de cartas
que ele trocava com cineastas do mundo todo, matérias de jornais e revista que
ele escrevia, além do início da sua atuação como cineasta.
Ocupação Vladimir Herzog vai até 20 de outubro no Itaú
Cultural
Foto: Divulgação Ocupação
Herzog chegou a ter uma breve carreira pelo cinema: dirigiu
um curta-metragem em 1963 chamado Marimbás, resultado de um curso de cinema com
Arne Sucksdorf (o curta foi considerado a primeira fita brasileira a utilizar
som direto) e realizou a gerência de produção do curta-metragem Subterrâneos do
Futebol (1965), do amigo Maurice Capovilla. Ele também fez o início do roteiro
do filme Doramundo – que só viria a ser filmado depois de sua morte por João
Batista de Andrade.
O público também pode ter acesso a uma publicação impressa e
uma série de conteúdos on-line, como entrevistas em vídeo com amigos e
familiares do jornalista.
Jornalista Vladimir Herzog que foi torturado e morto durante
a ditadura
Foto: Divulgação
Vlado
Conhecido como Vlado, Herzog nasceu em junho de 1937, na
Iugoslávia, em Osijek (hoje Croácia), e se naturalizou brasileiro. Ele morreu
em 25 de outubro de 1975, então com 38 anos, um dia depois de se apresentar
para depor voluntariamente diante das autoridades militares do DOI/CODI de São
Paulo. Herzog era diretor de jornalismo da TV Cultura quando foi convocado pelo
Exército para prestar depoimento sobre as ligações com o PCB, partido contrário
ao regime militar e que nunca defendeu a luta armada.
O jornalista foi preso, interrogado, torturado e finalmente
assassinado em um contexto sistemático e generalizado de ataques contra a
população civil considerada "opositora" à ditadura brasileira, e, em
particular, contra jornalistas e membros do Partido Comunista Brasileiro.
As autoridades da época informaram que se tratou de um
suicídio, uma versão contestada pela família do jornalista.
Em julho de 2018, a Corte Interamericana de Direitos Humanos
(CorteIDH) considerou o Estado brasileiro responsável pela falta de
investigação, julgamento e sanção dos responsáveis pela tortura e assassinato
do jornalista Vladimir Herzog.
O tribunal internacional também considerou o Brasil
responsável pela violação ao direito de conhecer a verdade e à integridade
pessoal em prejuízo dos familiares de Herzog.
Ocupação Vladimir Herzog
Itaú Cultural - Avenida Paulista, 149
Até 20 de outubro/2019
Terça a sexta 9h às 20h (permanência até às 20h30)
Sábado, domingo e feriado 11h às 20h
Entrada gratuita
Texto e imagens reproduzidos do site: g1.globo.com
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